Marconi Perillo declara apoio à aliança do PSDB com MDB e União Brasil

Ex-governador praticamente descarta federação, mas diz que unidade em torno de um nome para presidente é bem-vinda

Postado em: 18-02-2022 às 08h41
Por: Marcelo Mariano
Ex-governador praticamente descarta federação, mas diz que unidade em torno de um nome para presidente é bem-vinda | Foto: Reprodução

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB), principal nome de seu partido em Goiás, se mostra favorável à eventual aliança dos tucanos com o MDB e a União Brasil, resultado da fusão entre DEM e PSL.

“Gosto muito da ideia de união desses três grandes partidos, que têm muita história no Brasil na luta pela redemocratização. São partidos de centro, que já fizeram muito pelo país”, afirmou Marconi à reportagem.

Como o jornal O Hoje já mostrou, os presidentes nacionais de PSDB, MDB e União Brasil, respectivamente Bruno Araújo, Baleia Rossi e Luciano Bivar, se reuniram no início da semana para discutir uma aproximação.

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A princípio, a ideia seria formar uma federação. No entanto, esse mecanismo exige o mesmo comprometimento político em todos os estados e, devido à dificuldade em apaziguar os palanques regionais, a possibilidade está praticamente descartada.

Apesar disso, as três legendas avançaram no sentido de estabelecer um consenso em torno de um só nome na disputa para presidente na tentativa de a terceira via romper a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Os mais cotados, por ora, são o governador de São Paulo, João Doria, do PSDB, e a senadora Simone Tebet, do MDB.

A União Brasil, por sua vez, não tem um presidenciável desde a desistência do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, mas o partido, que agrega especialmente em termos de recursos do fundo eleitoral e tempo de propaganda em televisão, pode ficar com a vice.

Cenário local

Goiás é um dos estados onde a federação esbarra nas alianças regionais. Marconi, vale lembrar, está na oposição ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que deve contar com o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, em sua chapa majoritária.

O ex-governador, portanto, vê pouca chance de a federação, que precisaria durar por pelo menos quatro anos, prosperar. “É claro que essa questão tem que ser muito discutida, porque ela traz consequências muito sérias para os estados e depois para os municípios.”

Por outro lado, Marconi não tem resistência à aliança para as eleições presidenciais. “Apoio completamente essa ideia da unidade para que a gente possa ter um candidato único no nível nacional”, disse. “E aquele que for escolhido certamente terá o meu apoio.”

Doria

Nos bastidores, comenta-se que a probabilidade de consenso em relação a Doria é maior do que no caso de Tebet devido ao fato de o governador paulista apresentar um desempenho melhor nas pesquisas de intenção de voto.

Isso pode explicar o posicionamento mais favorável de Marconi. Se Doria for mesmo confirmado como presidenciável, com respaldo da União Brasil e do MDB, tanto Caiado quanto Daniel tendem a ficar neutros na disputa para presidente.

Em entrevista ao canal O Hoje News, cuja íntegra já está disponível no YouTube desde quinta-feira (17), Doria confirmou que dialoga, além de União Brasil e MDB, com Cidadania e Podemos, dos também presidenciáveis senador Alessandro Vieira e ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, respectivamente.

Lide

A propósito, nesta sexta-feira (18), Moro e Tebet, em um possível sinal de aproximação, estarão presentes em um almoço-debate organizado pelo Lide, empresa pertencente ao Grupo Doria, do qual João Doria Neto, filho do governador de São Paulo, é diretor-executivo.O evento, que contará, ainda, com o cientista político e pré-candidato a presidente do Novo, Luiz Felipe d’Ávila, tem como objetivo discutir os “caminhos para o Brasil”. Outros postulantes ao Palácio do Planalto devem participar dos almoços-debate do Lide ao longo dos próximos meses.

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