Conscientização: saiba os sinais que podem ajudar a identificar se uma criança tem Autismo

Postado em: 02-04-2022 às 14h24
Por: Augusto Sobrinho
No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo é importante reforçar o respeito e informações corretas | Foto: Reprodução

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu, em 2007, o dia 02 de abril como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Existem mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, por isso, é importante ter informações corretas sobre ela para evitar a discriminação e o preconceito. Especialista explica os sintomas, que podem ajudar a identificar em crianças.

A doutora e coordenadora do curso de psicologia da Estácio, Larissa de Oliveira e Ferreira, explica que o TEA é um distúrbio caracterizado por um desenvolvimento neurológico atípico, que existem vários graus de autismo e que o diagnóstico é classificado em três níveis.  Segundo ela, os sinais nem sempre são percebidos nos primeiros meses de vida, o diagnóstico costuma ser estabelecido entre 2 e 3 anos.

“O espectro é muito amplo, mas em geral, os principais sintomas são, déficits persistentes na comunicação e interação social, assim como padrões restritos e repetitivos de comportamentos. Sobre os níveis, eles são estabelecidos de acordo com intensidade dos sintomas e da necessidade de suporte”, afirma.

Ela diz que pessoas com autismo nível 1 (leve) requerem um suporte mínimo em suas atividades cotidianas, podem ser capazes de se comunicar verbalmente e de manter relacionamentos, sendo, porém, difícil para elas entreter uma conversa mais longa. “Embora diversas atividades do cotidiano possam ficar comprometidas por uma tendência ao isolamento e a dificuldade de flexibilidade com ordens e regras, os portadores de TEA nível 1 tendem a alcançar a independência facilmente e não precisam de um ambiente adaptado”, afirma.

Já o autista nível 2 (moderado) costuma ter mais dificuldade com as habilidades e situações sociais e comunicação verbal mais restrita, conseguindo estabelecer apenas diálogos curtos focados em temas específicos, o que resulta em alterações comportamentais. “Exemplo disso são situações de agressividade, seja consigo ou com os outros, devido ao estresse causado por não conseguirem um diálogo efetivo com as pessoas ao redor”, explica.

 Já as pessoas com autismo nível 3 (severo), apresentam dificuldade significativa na comunicação e nas habilidades sociais, além de comportamentos restritivos e repetitivos que atrapalham seu funcionamento independente nas atividades cotidianas. Neste caso, é completamente dependente de um adulto para realizar as atividades da vida diária. Nesse caso se trata de alguém que não tem autonomia para comer ou ir ao banheiro e outros hábitos de higiene”, revela.

Entretanto, Larissa reforça a necessidade de um acompanhamento profissional para identificação do Transtorno do Espectro Autista e, principalmente, o respeito aos comportamentos e limites dessas pessoas. Ela destaca que é fundamental desconstruir falsas informações sobre o TEA, como por exemplo, que essas pessoas não podem ter amigos, se casar, trabalhar, ir ao parque, ao shopping, fazer compras e ter convívio social.

“Se você percebe que uma pessoa se intimida ao conversar com você, tem dificuldade em olhar em seus olhos, não gosta de toque, não avance o sinal, compreenda. Mesmo que você seja uma pessoa ‘touch screen’, que gosta de tocar nas outras enquanto conversa, entenda que isso, para um autista, pode ser extremamente invasivo. Respeite também a dificuldade que os autistas têm com barulhos altos, muita iluminação e os excessos de forma geral. Para finalizar, o conhecimento e o respeito são sempre as melhores ferramentas para se conviver com pessoas sejam elas típicas ou atípicas”, indica a psicóloga.

Compartilhe: