Documentário sobre a vida e obra de Luiz Melodia volta ao catálogo do canal Curta!

Postado em: 22-04-2022 às 09h27
Por: Redação
Em 2014, Luiz Melodia lançou ‘Zerima’, seu último disco, que veio após 13 anos sem o artista lançar uma faixa inédita | Foto: Reprodução

Por Lanna Oliveira

“Por trás de fama de maldito e de artista difícil, havia um Negro Gato tão sensível quanto arisco. Tão agregador quanto indócil”, disse o jornalista Mauro Ferreira sobre o lendário Luiz Melodia. Um ser humano complexo, artista ora amoroso, ora rebelde, por conta da natureza independente de quem nasceu, viveu e morreu livre, o cantor e compositor mostrou ao mundo sua inusitada poesia. E para contar essa história, que vale ser vista, o documentário ‘Todas as Melodias’ volta ao catálogo do canal Curta!.

O documentário ‘Todas as Melodias’, de Marco Abujamra, mostra com sensibilidade a vida e a obra de Luiz Melodia. O filme mostra a trajetória do cantor e compositor através de um acervo composto por suas apresentações musicais e por registros cotidianos, além de entrevistas com pessoas que conviveram de perto com o artista, gravadas exclusivamente para o longa. A narrativa é conduzida por sua esposa, a produtora Jane Reis. Ela entrega os prazeres e também os desprazeres de ser quem Luiz foi.

O filme conta com a presença de artistas que o conheceram de perto ou que são grandes admiradores como Zezé Motta, Jards Macalé, Céu, Liniker, Arnaldo Antunes e Gal Costa. Participam, ora através de depoimentos, ora através de apresentações musicais de canções compostas por Melodia. Gal Costa, por exemplo, canta ‘Pérola Negra’ e Arnaldo Antunes, ‘Magrelinha’. O longa traz ainda imagens antigas do poeta Waly Salomão, analisando e enaltecendo o estilo único do cantor.

Um ser humano complexo

Luiz Melodia nasceu no Morro do São Carlos, no Estácio, Região Central do Rio de Janeiro, em 1951. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada por ele em uma de suas mais célebres canções, ‘Estácio, Holly Estácio’, na qual determinava que “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”. Filho único, começou sua caminhada na música após ver seu pai tocando em casa. O menino Luiz Carlos dos Santos cresceu jogando bola na favela e dançando nas rodas com os músicos da escola de samba Estácio de Sá.

As irmãs dele gostavam quando chamavam o garoto de Melodia. Era o apelido do pai, Oswaldo, estivador e compositor. A família sonhava em ver o único filho homem formado em uma faculdade, mas a paixão pela música começou cedo. “A primeira influência que eu tive foi do meu pai, meu pai era um boêmio da época. E já compunha, já tocava. Os primeiros acordes aprendi com o meu pai. Quer dizer, a referência musical veio mesmo do Seu Oswaldo, Oswaldo Melodia”, disse o cantor e compositor em certa entrevista ao ‘Bom Dia Rio’.

O cantor passou a adolescência compondo e tocando sucessos da Jovem Guarda e Bossa Nova, além de mergulhar no mundo do samba, o que gerou um estilo musical diferenciado e único do artista. Em 1972, os amigos poetas Wally Salomão e Torquato Neto levaram uma composição de Luiz Melodia para Gal Costa. Ela adorou, gravou e a música virou um sucesso. Ali começava uma trajetória que só seria interrompida em 2017, quando ele morreu em decorrência de um câncer na medula.

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