Por que brasileiros têm migrado cada vez mais para bicicletas e e-bikes? Entenda

Postado em: 19-06-2022 às 07h00
Por: Rodrigo Melo
Brasileiros têm migrado cada vez mais para bicicletas e e-bikes | Foto: Freepik

O aumento no preço dos combustíveis e o transporte público em crise em várias capitais do país, fizeram com que muitos brasileiros recorressem ao pedal como meio de transporte. No primeiro semestre de 2021, o país registrou o aumento de 34,17% nas vendas de bicicletas em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas.

Para quem não quis usar força no pedal também buscou pelas bikes, ou melhor, as e-bikes. As vendas de bicicletas elétricas cresceram 27,3% em 2021 e bateram recorde: foram 40.891 unidades. O setor ainda prevê uma nova alta, de 22%, em 2022.

Apesar de rodar uma média de 25 quilômetros por hora e com um custo de menos de R$ 1 por carga completa do motor, as bicicletas elétricas continuam com um preço inacessível para muitos brasileiros: R$ 7.075,71, em média, segundo dados da Aliança Bike, a associação do setor. Os preços subiram 20% em 2020, com a alta de custos, do frete e a busca de consumidores por modelos mais completos.

Em busca de fugir do trânsito ou do transporte público cheio, grande parte das pessoas buscam as bicicletas elétricas como uma opção para se deslocar no dia-dia. Dados da Aliança Bike mostram que 56% dos ciclistas de bikes elétricas usavam carro antes de aderirem ao veículo.

Além do aumento das vendas, a montagem local desses veículos também cresceu em relação às importações. A produção nacional correspondia a 45,5% no total de vendas em 2016, e subiu para 60% em 2021. Um dos motivos para essa mudança foi o investimento de marcas consolidadas no mercado de bicicletas e a redução da tributação de diversos componentes, segundo a Aliança Bike.

Bicicleta como meio de transporte

A pandemia impactou o comportamento de quem tem a bicicleta como principal meio de transporte cotidiano, segundo revela a última edição do estudo Perfil do Ciclista, realizado em 2021 pela ONG Transporte Ativo e pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O levantamento ouviu cerca de 10 mil ciclistas em 16 cidades brasileiras de diferentes regiões, e apontou que 26% dos entrevistados usam a bike como meio de transporte há menos de dois anos. O estudo ainda revela que 36,9% ciclistas afirmam que a Covid-19 aumentou o percurso feito diariamente com a bicicleta.

O local de trabalho é o principal destino para 75,4% dos ciclistas entrevistados, conforme a pesquisa. 51,2% deles se locomovem regularmente por meio da bike há menos de 5 anos.

Ciclovias em Goiânia

Para 55,6% dos entrevistados, as cidades não estão preparadas para as pessoas pedalarem e só não usam mais a “magrela” por falta de infraestrutura.

O arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, que atuou como consultor junto à Câmara Municipal durante a tramitação do recém-aprovado Plano Diretor de Goiânia, relatou que Goiânia é uma das muitas cidades brasileiras que não estão preparadas para outros modais de transporte, que não seja os veículos automotores.

O especialista diz ainda que a capital possui uma “cultura do carro” muito forte, e segundo ele ainda hoje os automóveis e motos ditam a ocupação e o planejamento urbano da cidade.

“Quais são as principais obras de infraestrutura de mobilidade que são feitas na nossa cidade? Viaduto. Nos últimos anos foi praticamente um viaduto por ano. É um equipamento urbano que melhora a fluidez do trânsito de carros, motos e ônibus, mas quanto mais espaços você dá para os veículos automotores, mais espaço você tira dos pedestres e dos ciclistas, sem falar na questão da poluição”, esclarece.

Queda na malha cicloviária

Apesar do aumento na procura por pelas bicicletas, a malha cicloviária de Goiânia não recebe manutenção e está se deteriorando em dez anos.

Entre 2012 e 2016, durante a gestão municipal de Paulo Garcia (PT), o trecho chegou a 92 quilômetros (km) para bicicletas, entre ciclovia (espaço exclusivo e segregado), ciclofaixa (espaço exclusivo na rua) e ciclorrota (compartilhado com demais veículos), de acordo com os dados da Secretaria Municipal de Mobilidade. Até o final do governo Iris Rezende (MDB), a soma era de 94 km.

Atualmente, dez anos depois do início da introdução das vias cicloviárias a pasta informa que a capital possui “cerca de 90 quilômetros de trechos cicláveis”.

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