Enfermeira suspeita de vazar informações de Klara Castanho pode ter registro profissional cassado

Logo após a atriz vir a público em uma carta aberta relatando forçadamente sobre a violência sofrida, o Cofen manifestou-se e declarou que o caso deve ser rigorosamente punido.

Postado em: 27-06-2022 às 16h40
Por: Victória Vieira
Logo após a atriz vir a público em uma carta aberta relatando forçadamente sobre a violência sofrida, o Cofen manifestou-se e declarou que o caso deve ser rigorosamente punido | Foto: Reprodução/ Instagram

Nesta segunda-feira (27/6), a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Maria dos Santos, concedeu uma entrevista ao Globo News relatando sobre a enfermeira suspeita de vazar informações da atriz Klara Castanho. De acordo com Betânia, a profissional da área da saúde poderá perder o seu registro profissional.

A denúncia da atriz chegou ao Conselho Federal e Regional de Enfermagem. Eles prestaram solidariedade à situação de Klara e confirmaram que irão apurar o responsável de abordá-la e ameaçá-la com divulgações para para a imprensa sobre informações da adoção do bebê, concebido a partir de um estupro.

Logo após a atriz vir a público em uma carta aberta relatando forçadamente sobre a violência sofrida, o Cofen manifestou-se e declarou que o caso deve ser rigorosamente punido.

Continua após a publicidade

“Profunda solidariedade à atriz Klara Castanho, que, após ser vítima de violência sexual, teve o seu direito à privacidade violado, durante processo de entrega voluntária para adoção, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, explicou. “Casos assim devem ser rigorosamente punidos, para que não mais se repitam. Da mesma forma, devem ser execrados comunicadores que deturpam a função social do jornalismo para destruir a vida das pessoas. Vida privada não é assunto público”, completou.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo explicou que cabe a instituição em investigar situações onde são caracterizadas por infração ética de algum profissional de enfermagem e adotar as medidas previstas no Código de Processo Ético dos Conselhos de Enfermagem.

“Tão logo venha a dispor das informações necessárias para a investigação, o Coren-SP reforça que todos os procedimentos para apuração serão devidamente realizados”, enfatizou.

Se posicionando contra o ato, o Hospital localizado na região metropolitana de São Paulo, em que Klara havia sido internada, informou que será aberta uma sindicância interna para investigar a denúncia e destaca os princípios fundamentais da instituição: “Temos como princípio preservar a privacidade de seus pacientes bem como o sigilo das informações do prontuário médico. O hospital se solidariza com a paciente e familiares e informa que abriu uma sindicância interna para a apuração desse fato”.

Forçada a se pronunciar

No sábado (21/6), após ser acusada de engravidar e abandonar o bebê, a atriz revelou em carta aberta no Instagram, que o bebê foi fruto de um estupro. Pela lei brasileira, a atriz tinha o direito a fazer um aborto legal, mas ela decidiu ter o bebê e entregá-lo diretamente para adoção.

A entrega voluntária para adoção está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e permite que a mãe entregue o filho para adoção desde que o procedimento seja supervisionado pela Justiça.

“Não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e um trauma que sofri. Esse é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo.”, contou Klara.

Ainda na íntegra do relato, Castanho enfatizou: “Minha história se tornar pública não foi desejo meu”, porém, ela foi coagida por uma enfermeira após o parto, que ameaçou divulgar sua história, dizendo: “imagina se tal colunista descobre essa história?” Com isso, a atriz recebeu mensagens de um colunista e teve que se pronunciar.

Klara ainda conta que os profissionais foram extremamente antiéticos e sem empatia com ela. Ela afirma que o médico a obrigou ouvir o coração da criança e se sentiu novamente violada. “Naquele momento do exame, me senti novamente violada, novamente culpada. Em uma consulta médica contei ter sido estuprada, expliquei tudo o que aconteceu”, disse.

“O médico não teve nenhuma empatia por mim. Eu não era uma mulher que estava grávida por vontade e desejo, eu tinha sofrido uma violência. E mesmo assim, o profissional me obrigou a ouvir o coração da criança, disse que 50% do DNA eram meus e que eu seria obrigada a amá-lo.”, completou.

Após compartilhar a história, diversos artistas prestaram apoio a atriz, como: Paolla Oliveira, Taís Araújo, Bianca Andrade, Maísa, Giovana Antonelli, Camila Pitanga, Giovanna Ewbank, entre outros. Confira a publicação:

Veja Também