Após pressão, Boris Johnson renúncia ao cargo de primeiro-ministro britânico

Ao Parlamento, Boris afirmou nesta quarta-feira (6) que não pretendia renunciar ao cargo, ao citar momentos difíceis na economia e a guerra na Ucrânia

Postado em: 07-07-2022 às 10h19
Por: Rodrigo Melo
Ao Parlamento, Boris afirmou nesta quarta-feira (6) que não pretendia renunciar ao cargo, ao citar momentos difíceis na economia e a guerra na Ucrânia | Foto: Peter Nicholls

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson anunciou nesta quinta-feira (7/7) sua renúncia à liderança do Partido Conservador, o que permite o partido fazer uma eleição interna para escolher um novo líder e, consequentemente, um novo primeiro-ministro.

De acordo com o premiê, a decisão foi atendendo aos pedidos de ministros e parlamentares do Partido Conservador. “Está clara agora a vontade do partido conservador para que haja um novo líder desse partido e, portanto, um novo primeiro-ministro”, disse Johnson em discurso.

Johnson permanecerá no cargo até a escolha do novo premiê. “O processo de escolha do novo líder deve começar agora”, disse Johnson à porta do número 10 da Downing Street, a residência oficial do governo.

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“E hoje eu nomeei um gabinete, como farei, até que um novo líder esteja no cargo”, apontou.

Ao Parlamento, Boris afirmou que não pretendia renunciar ao cargo. “É exatamente o momento em que se espera que um governo continue com seu trabalho, não que renuncie”, afirmou ao citar momentos difíceis na economia e a guerra na Ucrânia.

Pressão para derrubada

A renúncia ocorre após uma intensa crise no governo que fez com que mais de 50 membros, entre ministros, secretários e auxiliares, deixassem os cargos alegando “falta de confiança” na gestão de Boris Johnson.

Nesta terça-feira, um ex-funcionário graduado do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido acusou o gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de mentir sobre um funcionário do partido conservador com um histórico de acusações de abuso. Boris apresentou inúmeras desculpas ao admitir que cometeu um “erro” por ter nomeado Chris Pincher para um cargo parlamentar importante.

Pincher é um conservador que renunciou na semana passada e reconheceu ter apalpado, quando estava embriagado, dois homens, incluindo um deputado, em um clube privado do centro de Londres.

Após negar que não sabia sobre os fatos em primeiro momento, o governo britânico reconheceu na terça-feira (5) que o primeiro-ministro havia sido informado em 2019 sobre acusações anteriores contra Pincher, mas havia “esquecido”.

Muitos outros escândalos sexuais têm abalado o Executivo britânico nos últimos meses. O deputado conservador Imran Ahmad Khan foi acusado de abusar sexualmente de um rapaz de 15 anos. Em abril, um deputado do mesmo partido, Neil Parish, foi suspenso do cargo após ter visto pornografia no celular enquanto estava no Parlamento.

Houve ainda o caso de um integrante do Partido Conservador, detido em maio por suspeita de violação e assédio sexual. No último caso, a identidade do agressor não foi revelada para proteger a identidade da vítima.

Festa na pandemia

Boris havia sobrevivido ao voto de desconfiança movido pelo partido no mês passado em decorrência do processo que foi chamado de “partygate”. A investigação avaliou festas em Downing Street, sede do poder britânico, durante o lockdown nacional pela Covid-19.

Leia também: Premiê britânico admite que participou de festa durante lockdown em 2020 e pede desculpas

Por conta disso, Boris Johnson estava imune a um novo voto de desconfiança por mais um ano. No entanto, essa garantia não foi o suficiente.

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