IBGE aponta aumento da ocupação na atividade econômica

Indústria teve participação na ocupação de mais 332 mil pessoas

Postado em: 30-07-2022 às 08h15
Por: Agência Brasil
Na comparação com o trimestre anterior, o comércio absorveu mais 617 mil pessoas | Foto: Agência Brasil

A expansão da ocupação no segundo trimestre deste ano foi disseminada entre diversas atividades econômicas como indicam os dados da Pnad Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os destaques foram comércio (3,4%), indústria (2,7%), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4,5%).

Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, no último grupo de atividades, a expansão de 739 mil pessoas foi influenciada pela educação básica, especialmente o ensino fundamental. Além do comportamento sazonal de expansão desse grupamento, a intensificação das atividades presenciais levou à absorção de profissionais no segmento da educação com contribuição ainda das contratações na área de saúde.

Adriana Beringuy informou que, de maneira geral, a série histórica mostra que tal grupamento costuma começar o ano com retração e apresentar crescimento a partir do segundo trimestre. Esse comportamento só não foi notado nos anos de 2020 e 2021, e embora tenha havido variação positiva da população ocupada no grupamento, não foi estatisticamente significativa. Mas, no segundo trimestre deste. ano voltou a ocorrer a sazonalidade.

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De acordo com Adriana, esse grupamento inclui vários segmentos, entre os quais, educação pública e privada e saúde, que mais tiveram expansão. “Pode ser que, em função desses dois anos [2020 e 2021], devido a uma certa suspensão parcial de atividades presenciais de educação, a expansão tenha sido mais tímida. Com a intensificação do retorno das atividades presenciais de educação, foi necessário mobilizar ou remontar a estrutura ou a infraestrutura dos estabelecimentos de ensino.”

Ela ressaltou que o avanço na educação não se restringiu aos professores, mas também aos profissionais de serviços auxiliares ao setor, além da movimentação dos serviços hospitalares. “Como a educação básica, fundamental, é provida essencialmente pela rede pública, são as prefeituras que provêm este serviço. E acaba sendo o setor público da educação um dos maiores responsáveis pelo crescimento da população ocupada nesta atividade.”

Indústria

Adriana destacou que a indústria teve participação importante na ocupação de mais 332 mil pessoas, com crescimento de 2,7% no trimestre e de 10% no ano. “A expansão vem da indústria de alimentos, da parte de confecções, e teve um pouco de indústria de máquinas e equipamentos. Foi um processo de absorção importante de trabalhadores ocupados na indústria, que tem como uma das suas características absorver trabalhadores por meio da carteira. Parte do crescimento da carteira de trabalho é puxada por essa expansão na indústria”, acrescentou.

Na comparação com o trimestre anterior, o comércio absorveu mais 617 mil pessoas, o que, segundo Adriana, também foi uma expansão significativa. “O comércio contribuiu tanto para absorção com carteira como sem carteira. Tivemos muito a parte do comércio tanto de hipermercados, supermercados, vestuário, então, o comércio também está aportando expansão de trabalhadores tanto no trimestre quanto no ano.”

A pesquisa revelou que houve crescimento significativo nos setores de construção (3,8%), com mais 274 mil pessoas; informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (3%), mais 336 mil pessoas; outros serviços (3,2%), mais 158 mil pessoas, e serviços domésticos (4%), ou mais 227 mil pessoas.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE lembrou que o setor de construção tinha recuado no primeiro trimestre e voltou a crescer, desta vez, 3,8%. “A construção tem o emprego sem carteira e por conta própria como característica mais marcada para esta atividade, que vem crescendo no trimestre e no ano.”

Força de trabalho

A força de trabalho, que reúne pessoas ocupadas e desocupadas, alcançou 108,3 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica da pesquisa. A alta é de 1% ou 1,1 milhão de pessoas, frente ao último trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, cresceu 4% ou 4,1 milhões de pessoas.

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Na contribuição para Instituto de Previdência Social, a Pnad do segundo trimestre identificou o maior contingente de contribuintes, com 62,1 milhões de pessoas ocupadas. “Em termos de percentual de contribuintes, embora seja o maior contingente, o percentual ainda não é. A gente está com 63% de pessoas ocupadas que contribuem para a previdência entre todos os ocupados.”

Indicador de Incerteza da Economia fica estável em julho

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 0,2 ponto em julho, para 120,8 pontos, maior nível desde março deste ano (121,3 pontos). Segundo a economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Anna Carolina Gouveia, o indicador ficou praticamente estável em julho, acima dos 120 pontos, um patamar historicamente elevado.

“O resultado continua sendo influenciado pela pressão inflacionária no Brasil e no mundo e à política de aperto monetário global, colocando em xeque o crescimento mundial nos próximos meses. No Brasil, adicionalmente, houve piora do cenário fiscal para 2023, e do cenário político, com a proximidade das eleições presidenciais. Diante deste cenário, é possível que o indicador continue a oscilar em níveis ainda elevados nos próximos meses”, afirmou a economista.

Segundo a FGV, os dois componentes do indicador caminharam em sentidos opostos em julho. O componente de Mídia subiu três pontos, para 117,7 pontos, contribuindo com 2,6 pontos para o índice agregado.

Já o componente de Expectativas, que mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 11,1 pontos, para 124,7 pontos, contribuindo negativamente com 2,4 pontos para a evolução na margem do IIE-Br.

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