Correção de cicatriz: como saber se o caso é cirúrgico

Em alguns casos de cicatrização, pode haver a necessidade de recorrer à correção cicatricial, que é a cirurgia plástica realizada para melhorar a condição de uma cicatriz

Postado em: 15-08-2022 às 19h00
Por: Ícaro Gonçalves
Em alguns casos de cicatrização, pode haver a necessidade de recorrer à correção cicatricial, que é a cirurgia plástica realizada para melhorar a condição de uma cicatriz | Foto: Reprodução

As cicatrizes são sinais de machucados, lesões ou de cirurgias. Porém, a cicatrização é um processo individual, ou seja, para alguns, uma simples ferida pode resultar numa aparência incômoda e até constrangedora. Nestes casos, pode haver a necessidade de recorrer à correção cicatricial, que é a cirurgia plástica realizada para melhorar a condição de uma cicatriz em qualquer parte do corpo.

De acordo com o último censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2019, foram registradas quase 60 mil revisões de cicatrizes, um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. As cicatrizes que mais passam por cirurgias têm as seguintes características:

Descoloração, irregularidades da superfície e demais cicatrizes mais sutis podem ser esteticamente melhoradas por cirurgia ou demais tratamentos recomendados pelo cirurgião plástico. Estes tipos de cicatrizes não prejudicam a função ou causam desconforto físico e incluem cicatrizes de acne, bem como cicatrizes decorrentes de ferimentos leves e de incisões cirúrgicas anteriores.

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Cicatrizes hipertróficas são aglomerados espessos de tecido cicatricial que se desenvolvem diretamente no local da cicatrização. Estas cicatrizes são, na maioria das vezes, altas, vermelhas e/ou desconfortáveis, e podem se tornar maiores ao longo do tempo. Elas podem ser hiperpigmentadas (de cor mais escura) ou hipopigmentadas (de cor mais clara).

Queloides são maiores que as cicatrizes hipertróficas. Estas cicatrizes podem ser dolorosas ou com prurido, e também podem enrugar. Elas se estendem para além das bordas de uma ferida ou incisão inicial, podendo ocorrer em qualquer parte do corpo, mas desenvolvem-se mais comumente onde há pouco tecido subjacente de gordura, como na face, no pescoço, nas orelhas, no peito e nos ombros.

Já as contraturas são cicatrizes que restringem o movimento devido à junção da pele e do tecido subjacente durante a cicatrização. As contraturas ocorrem quando há uma grande quantidade de perda de tecido, por exemplo, após uma queimadura. As contraturas também podem se formar onde a ferida se junta com a articulação, restringindo o movimento dos dedos, cotovelos, joelhos e pescoço.

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Segundo Luís Felipe Maatz, cirurgião plástico, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; o reparo cirúrgico das cicatrizes inestéticas (alargadas, elevadas, queloidianas ou hipertróficas) é recomendado por motivos estéticos ou quando há sintomas (coceira, dor, queimação).

“Também é necessário quando a cicatriz impede movimentação das regiões próximas (chamada contratura ou brida cicatricial) ou quando há formação de escoriações ou úlceras sobre a cicatriz”, reforça Maatz. O médico diz ainda que para saber se o procedimento é realmente necessário ou indicado para o paciente, é necessária a avaliação de um cirurgião plástico para avaliar adequadamente os aspectos da cicatriz e se há sintomas associados.

No pré-operatório, são necessários exames básicos como hemograma e coagulograma. Maatz conta que se houver sedação, há necessidade de exames complementares como eletrocardiograma e radiografia de tórax. De acordo com ele, as correções de cicatrizes costumam ter baixo risco de eventos graves. Dentre as complicações mais comuns estão: deiscências (abertura de pontos), acúmulo de líquidos (hematoma ou sétima) e infecção local.

Dependendo do tamanho da cicatriz, o procedimento pode ser realizado em consultório, clínica ou hospital, desde que haja estrutura adequada, com equipamentos e equipe treinada para qualquer intercorrência. Já o resultado, segundo Maatz, varia conforme a importância da cirurgia. “O paciente costuma retornar às suas atividades habituais em torno de 2 a 7 dias. Cirurgias maiores, em que houve necessidade de retalhos, por exemplo, podem requerer um período de repouso mais prolongado”, confirma o cirurgião.

“O paciente deve seguir atentamente todas as recomendações pós-operatórias dadas pelo seu cirurgião plástico, como evitar que as incisões cirúrgicas não estejam sujeitas à força excessiva, ao inchaço, à escoriação ou ao movimento durante o período de cicatrização. O paciente também deve evitar a exposição ao sol e, claro, tomar as medicações prescritas. Seguir as recomendações à risca é fundamental para garantir um melhor resultado final”, aconselha Luís Felipe Maatz.

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