Quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Cientistas acham vírus adormecido há 48 mil anos e fazem alerta

Mesmo congelados a 48.500 anos, os vírus foram capazes de replicarem

Postado em: 25-11-2022 às 15h32
Por: Cecília Epifânio
Mesmo congelados a 48.500 anos, os vírus foram capazes de replicarem | Foto: Divulgação/BioRxvi

Cientistas de várias universidades europeias descongelaram 13 vírus encontrados no permafrost, parte do solo que fica permanentemente congelada, na região da Síberia, na Rússia.

O estudo, que foi publicado na plataforma pre-prints BioRxiv, ainda não foi revisado por pares. Os pesquisadores relatam que esse tipo de trabalho é importante pois, “devido ao aquecimento global, o degelo irreversível do permafrost está liberando matéria orgânica congelada por até um milhão de anos”.

Os pesquisadores dizem que essa matéria orgânica de “vírus que permaneceram adormecidos desde os tempos pré-históricos”. Segundo eles, os 13 vírus pertencem a cinco classes diferentes e foram coletados de sete lugares.

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A partir da coleta desses patógenos, eles foram introduzidos uma cultura de amebas. O trabalho foi todo realizado em laboratório. Mesmo congelados a 48.500 anos, os vírus foram capazes de se replicarem. Ou seja, conseguem ser infecciosos.

“Acreditamos que nossos resultados com vírus que infectam Acanthamoeba (ameba) podem ser extrapolados para muitos outros vírus de DNA, capazes de infectar humanos ou animais. Portanto, é provável que o permafrost antigo (eventualmente com muito mais de 50 mil anos) libere esses vírus desconhecidos após o descongelamento”, escreveram os autores no estudo.

Segundo os pesquisadores, com o aumento do aquecimento global a exploração do ártico podem aumentar o descongelamento de vírus pré-históricos. “O risco tende a aumentar no contexto do aquecimento global, quando o degelo do permafrost continuará acelerando e mais pessoas estarão povoando o Ártico na sequência de empreendimentos industriais”, informou o artigo.

Riscos de contaminação?

Apesar de terem descongelado os vírus, os cientistas garantiram que não há riscos de algum dos patógenos escapar do laboratório e infectar humanos ou animais.

“O risco biológico associado à revivescência de vírus pré-históricos que infectam amebas é, portanto, totalmente insignificante. Inserí-los em amebas é a melhor proteção possível contra uma infecção acidental de trabalhadores de laboratório ou a disseminação de um vírus terrível”, adicionaram os autores.

Ainda de acordo com o estudo, alguns cientistas estão estudando sobre vírus pré-históricos que podem ser descongelados e infectar humanos. No entanto, essas pesquisas são feitas em centros de biossegurança elevadas.

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