Quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Tribunal escuta telefonema gravado secretamente entre Papa Francisco e cardeal

De acordo com os advogados, na ligação, o papa parecia perplexo e confuso com o motivo da ligação de Becciu

Postado em: 28-11-2022 às 09h48
Por: Mariana Fernandes
De acordo com os advogados, na ligação, o papa parecia perplexo e confuso com o motivo da ligação de Becciu | Foto: Guglielmo Mangiapane/REUTERS

Um tribunal em um julgamento de corrupção no Vaticano, ouviu nesta quinta-feira, uma ligação telefônica secretamente gravada entre o réu principal do processo, o cardeal Angelo Becciu, e o papa Francisco. Na ligação, o Cardeal pede ao Papa que confirme que autorizou pagamentos para ajudar a libertar uma freira sequestrada na África.

A gravação foi feita sem o conhecimento do papa por alguém em uma sala com Becciu em julho de 2021, pouco antes do início do julgamento e enquanto o papa ainda se recuperava de uma cirurgia intestinal, informou o tribunal.

De acordo com os advogados, na ligação, o papa parecia perplexo e confuso com o motivo da ligação de Becciu, e que o cardeal pedia repetidamente que lhe enviasse uma nota por escrito sobre o que ele queria.

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Becciu, durante ligação, pedia ao Papa que confirmasse que autorizou os pagamentos que o mesmo fez a consultora de segurança, Cecília Marogna – que também é acusada de peculato no julgamento – para pagar à empresa britânica Inkerman e garantir a libertação da freira que havia sido sequestrada por militantes islâmicos no Mali em 2017. Os valores pagos, segundo o cardeal Becciu, era de 350.000 euros (US$ 363.706) para a firma britânica e 500.000 euros (US$ 519.580) em resgate pela freira.

Cecília Marogna, é acusada de peculato e Becciu é acusado por peculato, corrupção e abuso de poder. Eles, como os outros oito réus, negaram qualquer irregularidade.

O cardeal Becciu, que foi demitido de seu cargo e destituído de quase todos os seus direitos pelo Papa Francisco em setembro de 2020, sempre afirmou que todas as transações financeiras que realizou foram totalmente aprovadas por seus superiores, incluindo o chefe do Vaticano.

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