Produção de vinhos orgânicos cresce no Brasil

Bebidas produzidas a partir de uvas cultivadas sem o uso de agrotóxicos é a nova aposta dos produtores brasileiros

Postado em: 19-07-2019 às 14h00
Por: Leandro de Castro Oliveira
Bebidas produzidas a partir de uvas cultivadas sem o uso de agrotóxicos é a nova aposta dos produtores brasileiros

Ingryd
Bastos

Segundo o Instituto Brasileiro
do Vinho (Ibravin), o Estado de Goiás está sendo fundamental para a expansão do
mercado de vinhos no Brasil. Com relação ao consumo, a Ibravin constatou que os
goianos estão apreciando mais a bebida e que entre 2013 e 2019 o consumo
aumentou 50%, cerca de 0,75 litros por habitante. Outra novidade deste estudo é
o aumento da procura por vinhos orgânicos no país.

Nos primeiros seis meses
deste ano, a procura pelas bebidas extraídas da uva orgânica no Brasil teve um
aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. No mundo todo, a
procura pelos vinhos orgânicos representou um aumento anual de 20%, nos últimos
cinco anos, segundo dados da Wine South America.

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Apesar das definições exatas
sobre vinhos orgânicos variarem, eles são geralmente produzido a partir de uvas
cultivadas sem o uso de pesticidas e outros materiais sintéticos, além seguirem
as regras e regulamentos de algum organismo de certificação orgânica sobre os
métodos de vinificação. Os tipos de vinho orgânico também variam – os vinhos
100% orgânicos, os vinhos orgânicos (95% dos ingredientes são de fontes
orgânicas certificadas, mas podem conter certo limite de aditivos) e os vinhos
produzidos a partir de uvas orgânicas (70% das uvas são de origem orgânica
certificada).

De acordo com o presidente
da Associação Brasileira de Sommeliers de Goiás (ABS/GO), a procura pela bebida
tem apresentado um aumento significativo e que o preconceito com relação aos
vinhos nacionais está sendo quebrado. “Em 15 anos de mercado vejo um
crescimento na procura por vários tipos de vinhos, principalmente dos jovens”
diz, afirmando que o tipo mais procurado em Goiás é o vinho rosé, bebida que é
servida gelada. Ele acredita o clima quente do centro-oeste colabora para essa
escolha.

O arquiteto e urbanista, Gabriel
Albernaz, de 22 anos, consome vinhos regularmente e diz que já ouviu falar dos
orgânicos, apesar de nunca ter tido a oportunidade de experimentar. Ele conta
que gosta de ler os rótulos e conhecer a história da origem do vinho antes de
comprar, além de observar aspectos como teor de álcool, acidez, frescor, safra
do vinho, região de fabricação e leva em consideração até o design da
embalagem. “Muita gente compra pelo álcool, eu já prefiro os suaves. Gosto de
experimentar e testar os sabores e degustar vinhos que já receberam
premiações”, destaca.

A culinária é uma segunda
paixão de Gabriel, além de arquiteto e urbanista ele também se arrisca na
cozinha e utiliza diversos tipos de vinhos em seus pratos. “Geralmente para
beber procuro os vinhos com teor alcoólico abaixo de 12%, já para cozinhar
prefiro os vinhos secos. O branco para carnes brancas e o tinto para carnes
vermelhas”, e acrescenta, “sempre dou preferência aos vinhos de embalagens
escuras, que absorve menos luz externa, interferência que pode prejudicar na
qualidade do produto”, explica.

Mercado

O Brasil está começando a
entrar no mercado de bebidas orgânicas, 2019 foi o primeiro ano-safra em que
foi possível diferenciar a produção padrão da orgânica devido à mudança no
sistema de cadastro das vinícolas (Sisdevin), da Secretaria Estadual da
Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR).

A instituição divulgou
também que o Rio Grande do Sul é a única federação brasileira que tem o
cadastro com os dados de produção e comercialização dos orgânicos, que
correspondem cerca de 90% da produção do país. Só este ano, o estado produziu
42,9 mil litros de vinhos orgânicos e mais de 600 mil litros de suco de uva,
também orgânicos.

 

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