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Cidades

Ajuda aos que não têm teto

Postado em: 26-03-2020 às 06h00
Para ajudar pessoas em situação de rua foram implantados pontos de acolhimento em locais públicos da cidade - Foto: Divulgação

Pedro Moura

Para auxiliar as pessoas em situação de rua, devido à Pandemia do Coronavírus, foi criado um gabinete de crise e montados pontos de apoio para atendimento a esse público, além de campanhas para estimular a população a doar alimentos e materiais de higiene pessoal. A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) de Goiânia também implantou pontos de acolhimento em locais públicos. 

Os locais escolhidos são o Cepal do Jardim América, Setor Sul, Setor Campinas e o Mercado Aberto, no Setor Central.  "Nestes locais serviremos refeições e distribuiremos kits de higiene pessoal. Também ficarão disponíveis banheiros itinerantes, com vaso sanitário, torneira e chuveiro, para que as pessoas possam se prevenir quanto a Covid-19", disse o secretário de Assistência Social, Mizair Lemes Junior. 

Segundo a Semas, para que sejam realizadas estas ações, a pasta criou um banco de doações para que a população doe roupas, calçados, alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal. As doações podem ser buscadas em casa, ou entregues na sede da Semas, no Setor Aeroporto, em Goiânia.

Distribuição de marmitas 

Uma parceria da prefeitura com a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) foi criada também em relação às pessoas em situação de rua. Segundo Mizair Lemes, os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) já estão com os atendimentos suspensos devido ao fluxo de idosos nestes locais.

Ele ressaltou que uma programação foi montada para atender as pessoas em situação de rua. “Nós fizemos a busca ativa dos acolhimentos nas nossas instituições, Casa da Família no setor Universitário, Casa da Acolhida 1 em Campinas e nossos abrigos. Aqueles que se despuseram, nós fizemos o acolhimento. Por hora, está suspenso novos acolhimentos até que se tenha uma orientação por parte da Secretaria de Saúde. Estamos trabalhando no sentindo de atender estas pessoas em locais abertos, como o Cepal no Setor Sul e o Mercado Aberto, no Centro”.

De acordo com o secretário, a Casa da Acolhida e a Casa da Família estão com quartos separados, caso seja necessário isolamento, disponibilizando álcool em gel, máscaras e luvas para os frequentadores e para todos os funcionários. O secretário afirmou também que haverá distribuição de alimentos. “Estamos ajustando a parte técnica para a execução deste trabalho junto a OVG. É apenas uma questão de ajuste para que possamos iniciar o quanto antes este atendimento” disse.

Anápolis adota medidas 

A prefeitura de Anápolis, por meio das secretarias de Desenvolvimento Social e Saúde, também resolveu adotar algumas medidas de assistência. A instituição Cepai Nupai, será o espaço que vai receber todas as pessoas em situação de rua. De acordo com a instituição, os moradores terão quartos isolados e toda alimentação necessária. 

Receberão orientações sobre a Covid-19, demonstrações de como lavar as mãos corretamente e de quais cuidados devem adotar. Ainda segundo a prefeitura, equipes do Centro Pop e da Saúde Mental estarão trabalhando conforme a recomendação de emergência de Saúde Pública de Importância Internacional a fim de controlar o contágio.

Para a secretária de Desenvolvimento Social, Trabalho, Emprego e Renda, Erizânia Lobo, as medidas são necessárias. “Sabemos que a população em situação de rua é mais vulnerável ao problema e nossa preocupação é de que esta esteja protegida em local arejado, com alimentação necessária e condições adequadas de higiene. Por isso, temos uma ação conjunta com a Saúde para acolhermos essas pessoas sensibilizando-as da importância do isolamento como forma de prevenção ao contágio”, destacou. 

População de pessoas em situação de rua dispara  

A população em situação de rua na Capital disparou no último ano. De acordo com os dados do relatório qualiquantitativo do Serviço Especializado de Abordagem Social feito pela Semas, o número de pessoas em situação de rua atendidas pela pasta no mês de dezembro de 2019 mais do que dobrou em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foram atendidas 314 pessoas que estavam morando na rua em dezembro do último ano. 

Segundo a Semas, o número ainda pode ser bem maior em Goiânia, pois a pasta não consegue atender a todos que estão nesta situação. Os dados permitem identificar alguns recortes do perfil das pessoas que moram na rua. Mais de 90% das pessoas atendidas pela Semas são homens adultos. Também é possível verificar que famílias inteiras estão em situação de rua em Goiânia. O número de famílias atendidas no acumulado de 2019 chegou a 222.

Levantamento

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), cerca de 75% da população de rua são homens negros e pardos e 43% possuem ensino fundamental incompleto. Além da população em situação de rua, a pesquisa apontou que aproximadamente 435 pessoas utilizam da rua como local de trabalho, exercendo funções como de catadores de material reciclável, vigias de veículos (flanelinhas), lavadores de veículos, aqueles que trabalham nos semáforos (malabaristas e limpadores de para-brisas), dentre outros.

Censo 

Em dezembro do último ano foi lançado o resultado do 2º Censo de População de Rua feito pela Prefeitura de Goiânia em parceria com a Universidade Federal de Goiás que indicou 353 pessoas em situação de rua na Capital. Para o coordenador do Movimento Nacional de População de Rua em Goiás, Eduardo Matos, o aumento da população de rua é resultado de vários fatores. “De onde eu vejo, é uma crise política, social, econômica e ambiental”. 

Ele afirma que esta crise reverbera no público de diversas culturas e níveis sociais podendo chegar ao nível da incapacidade de suprir as necessidades básicas, que levam uma pessoa a ter que viver na rua. “Na verdade, o Estado foca em outras questões que não é a social, muito menos nas classes inferiores”, afirma o coordenador do Movimento em Goiás. 

Eduardo atribui à educação como um fator fundamental para se conseguir trabalho e recursos que poderiam impedir que uma pessoa tivesse de viver na rua. “Se a gente pega pela questão do trabalho, o Estado não oferta educação de qualidade, educação financeira, qualificação profissional.  Inclusões sociais na questão de saúde mental são raríssimas”, explica.

Ele ainda afirma que a atual crise enfrentada pelo país faz com que a população de rua cresça. “Pessoas que viveram outros momentos do país em desenvolvimento, têm que enfrentar restrições de emprego, restrições previdenciárias com a fila do INSS, na saúde pública e no congelamento de gastos públicos”. Eduardo acredita que o Estado é o principal culpado por esse crescimento. (Pedro Moura é estagiário do Jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)

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