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Máscaras de proteção se tornam acessórios indispensáveis aos goianos

Postado em: 23-05-2020 às 06h00
Descartáveis ou de tecido, as máscaras têm eficácia comprovada e são aliadas no combate à pandemia da Covid-19 - Foto: Wesley Costa.

Daniell Alves

Antes comum apenas em profissionais da saúde, as máscaras de proteção se tornaram um acessório rotineiro na vida dos goianos. O principal objetivo é prevenir o contágio do novo Coronavírus, já que promove uma barreira física e impede as pessoas de tocarem a boca e o nariz com as mãos sujas. A reportagem do O Hoje andou pelas ruas de Goiânia e verificou que a maioria das pessoas estava utilizando algum tipo de máscara. Também é comum que estabelecimentos comerciais fixem cartazes para que somente pessoas com máscaras entrem ao local.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) evidencia a eficácia do uso de máscaras e do distanciamento social. O relatório analisou de que forma as partículas de saliva podem viajar pelo ar entre duas pessoas. No experimento, com as pessoas de máscara, as gotículas até atravessam o acessório durante o espirro, mas a distância impede a contaminação.

O acessório é recomendado pelo Ministério da Saúde e por autoridades sanitárias do mundo inteiro. Professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcelo Rabahi, explica que a Covid-19 é uma doença respiratória transmitida por gotículas expelidas e a máscara é um método de proteção individual, mas também coletivo. “Ela protege a pessoa que usa de ter contato com partículas no ar e protege o outro no caso de uma pessoa assintomática, mas com o vírus”, explica.

Se proteger com a máscara em qualquer lugar virou rotina na vida da manicure Rosa Cândido, 41 anos. Com a pandemia, ela passou a trabalhar em menos dias da semana, mas ainda utiliza os ônibus, locais com mais aglomerações atualmente na Capital. “É uma recomendação que deve ser seguida por todos, porque não adianta eu usar e outras pessoas não, como eu já vi dentro dos ônibus”, destaca.

Ela tem três máscaras diferentes de tecido e toda vez que utiliza ela lava com água e sabão neutro. Entretanto, o professor Marcelo Rabahi explica que a máscara precisa ser lavada, preferencialmente deixando de molho em água sanitária (no caso de tecidos que permitam esse uso) e sabão, sendo depois lavada normalmente. Também é sugerido que o pano seja fervido para melhor higienização, o que é possível em tecidos de 100% algodão.

Para Marcelo, uma sugestão é que, para uma pessoa que trabalha o dia todo na rua, como é o caso de Rosas, sejam utilizadas uma pela manhã e uma na parte da tarde, sendo necessário mais trocas se ela estiver úmida. Ao trocar a máscara usada, a mesma deve ser guardada em um saco plástico para higienização posterior ao chegar em casa, explica ele. Embora tenha se protegido, a manicure utiliza apenas uma por dia.

Necessidade

Além disso, as máscaras devem ser utilizadas em situações em que há necessidade de deslocamento ou permanência em espaço com maior circulação de pessoas, quando as medidas de distanciamento social são difíceis de serem mantidas. Isto é o que destaca a professora Luana Ribeiro, da Faculdade de Enfermagem da UFG.

Por outro lado, o uso não substitui as demais ações necessárias de prevenção à Covid-19, tais como distanciamento social, a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel e etiqueta respiratória. É importante que a máscara siga algumas orientações gerais: ser feita de tecido que permita encaixe confortável, ser fixada por tiras ou elásticos e ter dupla camada de tecido, sendo higienizada corretamente ao final do uso para nova utilização.

Faça em casa

Se houver falta no mercado, a máscara caseira pode ser a preferência da população, deixando a descartável para pessoas da área de saúde que estão na linha de frente de trabalho. No caso de uma pessoa com sintomas, deve ser privilegiada também a máscara descartável. De acordo com o MS, para ser eficiente como uma barreira física, a máscara caseira deve ser feita em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos. Não pode ser dividida com ninguém.

“Você pode fazer uma máscara usando um tecido grosso, com duas faces. Não precisa de especificações técnicas. Ela faz uma barreira tão boa quanto as outras máscaras. A diferença é que ela tem que ser lavada pelo próprio indivíduo para que se possa manter o autocuidado. Se ficar úmida, tem que ser trocada. Pode lavar com sabão ou água sanitária, deixando de molho por cerca de 30 minutos”, explica o Ministério da Saúde.

Eficácia comprovada

Um estudo publicado pela revista internacional Nature Medicine indica que as máscaras cirúrgicas limitam de modo expressivo a propagação do novo Coronavírus por gotículas respiratórias e aerossóis (partículas minúsculas liberadas no ar pela respiração. A pesquisa foi realizada com 123 pessoas com pelo menos uma infecção respiratória confirmada. Estas foram divididas em dois grupos: os que usariam máscara e os que não usariam. Os participantes tiveram o ar expirado durante 30 minutos coletado por uma máquina.

Eles foram posicionados dentro de um local que tinha um tubo de abertura cônica, onde o ar foi armazenado para análise. No grupo dos voluntários sem máscaras, foram detectadas partículas virais do Coronavírus em gotículas respiratórias e aerossóis, respectivamente, em 30% e 40% das amostras. Já entre os que usaram máscara, o Coronavírus não foi detectado em gotículas ou aerossóis. Para os pesquisadores, nesta situação de pandemia, o uso das máscaras, é de extrema importância para evitar o contágio.

Projeto quer tornar uso de máscaras obrigatório  

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na última terça-feira (19) um projeto que exige o uso de máscara em todo o país enquanto durar a situação de emergência em saúde relacionada ao novo Coronavírus. As máscaras, artesanais ou industriais, serão obrigatórias para circulação em espaços públicos e privados acessíveis ao público, vias públicas e transportes públicos. A proposta segue para o Senado.

O substitutivo previa multa de até R$ 300 pelo descumprimento da regra, valor que poderia ser dobrado em caso de reincidência. Foi aprovada, no entanto, uma emenda de autoria do partido Democratas que transferiu para estados e municípios a definição do valor da multa. Os recursos arrecadados com as multas deverão ser utilizados no enfrentamento à pandemia.

Empregadores

De acordo com a Agência Câmara, os órgãos públicos e as empresas autorizadas a funcionar deverão fornecer máscaras aos funcionários caso houver atendimento ao público. Os estados também deverão fornecer máscaras para todos os trabalhadores dos estabelecimentos prisionais e de cumprimento de medidas socioeducativas. Essa medida foi incluída por meio de destaque de autoria do PT.

Na compra de máscaras para os funcionários, o poder público dará prioridade às produzidas artesanalmente, por costureiras ou outros produtores locais, de forma individual, associada ou por meio de cooperativas de produtores, observado sempre o preço de mercado.

Obrigatoriedade

Em alguns municípios de Goiás, as gestões municipais já publicaram decreto obrigando o uso de máscaras. A Prefeitura de Pirenópolis, tradicional cidade turística de Goiás localizada a 130 km de Goiânia, editou novo decreto com normas para evitar a disseminação do Coronavírus. Entre as medidas está a cobrança de multa no valor de R$ 100 para quem não utilizar máscaras de proteção facial em espaços públicos e comércios. O valor dobra em caso de reincidência. (Especial para O Hoje)

 

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