terça-feira, 22 de setembro de 2026
DÍVIDA EXTERNA

Congresso argentino debate revogação de leis para negociar fundos abutres

No momento, duas leus impedem a renegociação da dívida externa, em moratória desde 2001

Redaçãopor em
Congresso argentino debate revogação de leis para negociar fundos abutres
No momento

O Congresso argentino começou a debater, nesta terça-feira (15), a revogação de duas leis que hoje impedem o governo de concluir a renegociação da dívida externa, em moratória desde 2001. “Para a Argentina, sair do calote significa ter acesso ao mercado financeiro internacional depois de quinze anos e voltar a emitir títulos da divida a juros mais baixos”, disse o economista Gaston Rossi. Mas, para muitos argentinos, isso quer dizer que o país vai se endividar novamente e ficar à mercê das politicas econômicas ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Enquanto o governo costurava alianças no Congresso, onde a oposição é maioria, um grupo de artistas divulgava um vídeo, exibindo cartazes com a frase: “Não voltemos ao Fundo”. Mal começou a superar a crise de 2001, graças, em parte, à alta nos preços das commodities,  a Argentina pagou o que devia ao FMI e renegociou a dívida com o Clube de Paris e com 93% dos credores, que aceitaram descontos de mais de 60%.

Um dos argumentos do governo argentino, para convencer a maioria dos credores a aceitar os termos da renegociação, foi a garantia de que não haveria outra proposta melhor no futuro. Duas leis impedem a Argentina de fazer uma oferta mais favorável à minoria que não aderiu as propostas de reestruturação, feitas em 2005 e 2010.

A situação mudou com a vitória, na Justiça norte-americana dos chamados “fundos abutres” – aqueles que aproveitaram o calote para comprar títulos da divida argentina a preços baratos e recorreram aos tribunais dos Estados Unidos para cobrar o valor nominal e os juros, sem desconto. O governo da presidenta Cristina Kirchner (que concluiu seu segundo mandato em dezembro de 2015) argumentou que não podia cumprir a sentença sem violar a legislação nacional e iniciou uma campanha internacional, para limitar o poder de fundos especuladores nas negociações de dividas soberanas.

Em resposta, o juiz Thomas Griesa de Nova York proibiu os bancos norte-americanos de executarem o pagamento da dívida reestruturada argentina, até que o país cumprissse a sua sentença favorável aos “abutres”. Isso levou a Argentina a entrar, em 2014, em “default técnico”: o país pode e quer pagar aos credores que renegociaram a dívida, mas foi impedido por uma ordem judicial.

“A única saída é cumprir a sentença de Griesa”, disse o economista Guillermo Nielsen. A Argentina, afirmou Nielsen, emitiu papéis da dívida, que estão sujeitos à legislação norte-americana, e fez isso para que tivessem maior credibilidade e atraíssem mais investidores. “Os abutres recorreram à Justiça norte-americana e ganharam. A Argentina apelou e perdeu. Não há outra alternativa”, disse.

A negociação, segundo Rossi, é complicada, porque nem todos os credores compraram os mesmos papéis – alguns credores, que estão reclamando o pagamento da divida, são europeus. “Cada caso é um caso e tem juros e multas diferentes”, ressltou. A oposição quer que o governo garanta que, ao revogar as leis, o país possa fechar um acordo definitivo com todos os credores – e que ninguém possa recorrer à Justiça, no futuro, para reclamar mais.

Mesmo que feche o capítulo da dívida externa, o governo argentino não tem como garantir a chegada de investidores estrangeiros, em contexto internacional menos favorável. (Agência Brasil) 

Foto: reprodução

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

TVs dos EUA suspendem cobertura de Trump após veto a jornalistas

REAÇÃO CONJUNTA

TVs dos EUA suspendem cobertura de Trump após veto a jornalistas

ABC, CBS, NBC e Fox News decidiram não substituir a CNN no sistema que compartilha imagens dos comp...
Ucrânia lança ofensiva recorde de drones contra Moscou durante eleição russa

GUERRA

Ucrânia lança ofensiva recorde de drones contra Moscou durante eleição russa

Ataques atingiram instalações de petróleo e áreas residenciais; autoridades russas dizem que mai...
ucrânia

CONFLITO RÚSSIA-UCRÂNIA

Ataque de drones da Ucrânia atinge Moscou durante eleição russa

Ofensiva atingiu a região da capital, danificou uma refinaria de petróleo e provocou evacuações ...
Abin

ELEIÇÕES 2026

Abin classifica como “crítico” risco de interferência dos EUA nas eleições de 2026

Relatório reservado foi enviado ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça e aponta escalada d...
Alemanha

ELEIÇÕES | ALEMANHA

Eleições na Alemanha colocam governo de Merz sob pressão

Votação em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ocorre em meio ao crescimento da AfD e à qu...
Zelensky

GUERRA NA UCRÂNIA

Zelensky aprova novas operações de longo alcance contra a Rússia

Presidente ucraniano afirmou que medida é uma resposta aos ataques russos e disse que país pretend...
Terremoto de magnitude 4,8 atinge região próxima a Santiago, no Chile

ABALO SÍSMICO

Terremoto de magnitude 4,8 atinge região próxima a Santiago, no Chile

Tremor ocorreu a 33 quilômetros da capital chilena e não deixou mortos, feridos ou danos à infrae...
Conselho de Segurança da ONU realiza terceira rodada para escolher sucessor de Guterres

ONU

Conselho de Segurança da ONU realiza terceira rodada para escolher sucessor de Guterres

Oito nomes seguem na disputa pelo comando da organização; resultado da votação secreta desta sex...