Protestos na França reúnem milhares de pessoas e levam a 135 detenções
Manifestações contra o custo de vida e em apoio a estudantes ocorreram sob forte esquema de segurança, após episódios de violência na semana anterior
Milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado (24) em protestos convocados pelo movimento dos coletes amarelos e por estudantes. As manifestações ocorreram em meio à tensão provocada pelos distúrbios registrados uma semana antes, que levaram as autoridades a proibir concentrações em determinadas áreas. Até o início da tarde, 135 pessoas haviam sido detidas, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em Lyon, policiais utilizaram granadas de gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 150 pessoas que tentavam bloquear o trânsito em uma área onde manifestações estavam proibidas. Nuñez afirmou que não havia registro de incidentes graves até aquele momento. Para reforçar a segurança, o governo mobilizou 70 mil agentes, unidades de elite, militares, veículos blindados e helicópteros. As autoridades atribuem os episódios anteriores a pequenos grupos de extrema esquerda e a pessoas que teriam aproveitado a situação para saquear estabelecimentos.
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Em Paris, Marselha e Lyon, foram autorizadas manifestações contra a alta do custo de vida e em apoio aos estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições nas escolas desde o fim de setembro. Na capital francesa, porém, o trajeto da marcha foi alterado pouco antes do início, afastando os participantes da Praça da Bastilha. A mudança provocou críticas de representantes estudantis, enquanto manifestantes exibiam cartazes contra o governo e gritavam palavras de ordem como “Macron, renúncia”. O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, pediu que os países afetados por protestos respeitem o direito de manifestação e priorizem a redução das tensões durante as operações policiais.
A mobilização ocorre após os atos da semana anterior, que reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas e foram marcados por episódios de violência. O movimento dos coletes amarelos, que ganhou força em 2018 e 2019, anunciou uma nova manifestação para o próximo sábado, em protesto contra o que considera uma “deriva autoritária”. Em Paris, veículos blindados protegeram o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional, enquanto museus e a Ópera de Paris fecharam excepcionalmente. Em Orléans, pelo menos 11 mil pessoas protestaram contra o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que realiza seu congresso neste fim de semana, a seis meses da eleição presidencial.
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