sábado, 24 de outubro de 2026
França

Protestos na França reúnem milhares de pessoas e levam a 135 detenções

Manifestações contra o custo de vida e em apoio a estudantes ocorreram sob forte esquema de segurança, após episódios de violência na semana anterior

Eduardo Silvapor em
França anuncia toques de recolher após protestos e não descarta estado de emergência
(Foto: Reprodução)

Milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado (24) em protestos convocados pelo movimento dos coletes amarelos e por estudantes. As manifestações ocorreram em meio à tensão provocada pelos distúrbios registrados uma semana antes, que levaram as autoridades a proibir concentrações em determinadas áreas. Até o início da tarde, 135 pessoas haviam sido detidas, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Em Lyon, policiais utilizaram granadas de gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 150 pessoas que tentavam bloquear o trânsito em uma área onde manifestações estavam proibidas. Nuñez afirmou que não havia registro de incidentes graves até aquele momento. Para reforçar a segurança, o governo mobilizou 70 mil agentes, unidades de elite, militares, veículos blindados e helicópteros. As autoridades atribuem os episódios anteriores a pequenos grupos de extrema esquerda e a pessoas que teriam aproveitado a situação para saquear estabelecimentos.

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Em Paris, Marselha e Lyon, foram autorizadas manifestações contra a alta do custo de vida e em apoio aos estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições nas escolas desde o fim de setembro. Na capital francesa, porém, o trajeto da marcha foi alterado pouco antes do início, afastando os participantes da Praça da Bastilha. A mudança provocou críticas de representantes estudantis, enquanto manifestantes exibiam cartazes contra o governo e gritavam palavras de ordem como “Macron, renúncia”. O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, pediu que os países afetados por protestos respeitem o direito de manifestação e priorizem a redução das tensões durante as operações policiais.

A mobilização ocorre após os atos da semana anterior, que reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas e foram marcados por episódios de violência. O movimento dos coletes amarelos, que ganhou força em 2018 e 2019, anunciou uma nova manifestação para o próximo sábado, em protesto contra o que considera uma “deriva autoritária”. Em Paris, veículos blindados protegeram o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional, enquanto museus e a Ópera de Paris fecharam excepcionalmente. Em Orléans, pelo menos 11 mil pessoas protestaram contra o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que realiza seu congresso neste fim de semana, a seis meses da eleição presidencial.

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