domingo, 25 de outubro de 2026
INCLUSÃO

Instituto promove campanhas para doações de pets a deficientes visuais

Quanto vale seu olhar

Sheyla Sousapor em
Instituto promove campanhas para doações de pets a deficientes visuais
Quanto vale seu olhar

Elisama Ximenes

Instituto promove campanhas para doações de pets a deficientes visuais

O melhor amigo da mulher e do homem também pode ser os olhos de deficientes visuais. Os cães-guias são uma alternativa e solução ideal para aqueles que requerem mais independência nas caminhadas pelas ruas da cidade. 

No caso de Thays Martinez, fundadora do Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (Iris), de São Paulo, o cão-guia foi um divisor de águas. Mas, até 2000, quando conseguiu seu primeiro guia, encontrar cães treinados ou mesmo treinar algum era mais difícil no Brasil. 

Bóris foi adquirido no curso oferecido pela ONG Leader Dogs for the Blind, de Michigan, Estados Unidos. “Na época, eu descobri que a Leader tinha acabado de fechar um treinamento para quatro brasileiros, um deles era o Moisés, atual instrutor do Iris”, diz Thays. Além dele, a própria Thays foi uma das selecionadas para fazer o curso. Quando voltou, resolveu criar o instituto brasileiro para treinar os cães e doá-los a outros cegos.

O processo de treinamento desses cães é complexo e demorado. Segundo a presidente, “muitos cães são treinados, mas poucos são aprovados ao final”. Primeiro é feita uma pré-seleção de filhotes. Nessa parte, são avaliados o temperamento do cão, a saúde, e as características físicas. Os filhotes são adquiridos com criadores, que também são avaliados. “Afinal, também influencia no temperamento do cão-guia a forma com que foi tratado na infância”, explica.

Depois da avaliação, os pets são levados a famílias socializadoras voluntárias. Eles passam cerca de um ano com essa família adaptando-se. Desde filhotinhos, eles precisam frequentar todos os tipos de lugares para que não estranhem os ambientes lotados. Dessa forma, os cães treinam em locais reais para que a adaptação seja mais natural. Só depois de um ano, ou mais, é que os pets começam a fazer o treinamento de guia.

“Aí eles vão aprender o que é guiar, os comandos de obediência, aprendem a andar em linha reta, virar para a direita ou para a esquerda, desviar de obstáculos, inclusive de obstáculos aéreos”, explica Thays Martinez, que completa: “Essa última capacidade é o grande diferencial dos cães-guias. Isso porque eles conseguem, a partir do treinamento, visualizar o que é um obstáculo para os amigos guiados”.

Quando aprovados, os cães vão para um banco de dados, que é cruzado com outro banco de pessoas cegas. Então é feita a identificação dos cães mais compatíveis. Depois disso, os usuários selecionados também passam por um treinamento para aprender a se comunicar com o guia e seguir seus movimentos.  

Dentre os cuidados que devem ser tomados, a pessoa deficiente visual deve levar o cão ao veterinário semestralmente e escovar seu pelo todos os dias. Esse último cuidado deve ser tomado para manter a higiene, mas, mais que isso, para fortalecer o vínculo entre o humano e o animal. É nesse processo, também, que o deficiente visual identifica e o cão apresenta algum problema físico, porque é na escovação que o dono acessa todo o corpo do pet.

“Eu descobri um tumor no meu segundo cão-guia, o Diesel, assim”, conta Thays. Segundo ela, enquanto escovava o amigo, sentiu um volume pequeno, mas estranho, em um dos dedos do cachorro. Levou ao veterinário e, assim, descobriu o tumor. O animal perdeu o dedo, mas, devido à tomada de providências rápidas, ele não sofreu maiores danos e nem foi impedido de continuar como cão-guia. “Os cuidados que se têm com um cão guia são aqueles que a gente esperava que todos tivessem com seus cães”, reitera Thays.

A fundadora diz que, depois que começou a andar nas ruas com o cão-guia a sua auto-estima aumentou. “É uma mudança muito grande. No aspecto técnico, eu passei a andar com maior velocidade e segurança”. Segundo ela, depois que adquiriu o amigo, conseguiu sair sozinha para comprar um chocolate, por exemplo. Thays mudou de carreira em função disso, deixou o Direito e o emprego no Ministério Público para se dedicar ao instituto sem fins lucrativos, que envia cães treinados para todo o País.

Campanha

Com o intuito de possibilitar a chance de ter os olhos em formato de cachorro a outros deficientes visuais, o Iris lançou a campanha Cão-Guia: Quanto Vale o Seu Olhar?. Lançada na internet, a campanha tem a meta de arrecadar R$ 140 mil para repor os cães que precisaram ser aposentados, via doações voluntarias pela internet. Depois que o primeiro objetivo for alcançado, o instituto pretende conseguir doações suficientes para tornar a Organização Não Governamental (ONG) autossustentável.  

Thays, por exemplo, está com seu segundo cão-guia porque o Bóris, adquirido em 2000, teve que aposentar. O investimento total envolvido no treinamento gira em torno de R$ 35 mil reais. Como os cães são doados aos deficientes visuais, o custo é todo do instituto. Por isso a campanha. As doações podem ser feitas pelo link:  http://www.kickante.com.br/campanhas/cao-guia-quanto-vale-o-seu-olhar  

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