terça-feira, 13 de outubro de 2026
CLT

Plenário do Senado aprova texto base da reforma trabalhista

Foram 50 votos favoráveis. Eunício Oliveira teve que reabrir a sessão sentado no canto da mesa diretora, após protesto da oposição

Guilherme Araújopor em
Plenário do Senado aprova texto base da reforma trabalhista
Foram 50 votos favoráveis. Eunício Oliveira teve que reabrir a sessão sentado no canto da mesa diretora

Após uma sessão tumultuada, o plenário do Senado Federal aprovou, por 50 votos favoráveis e 26 contrários, o texto base da reforma trabalhista. O presidente da Casa, Eunício Oliveira, teve que reabrir a sessão sentado no canto da mesa diretora, fora da cadeira principal, após senadoras da oposição terem ocupado os lugares às 11 horas da manhã e se recusado a sair. Elas só deixaram o posto às 18h44, quando Eunício já havia aberto a votação do projeto de lei.

O plenário deve analisar ainda hoje emendas e destaques que pretendem alterar o texto. Se não for modificado, ele segue para sanção presidencial. Um acordo firmado entre senadores e o Palácio do Planalto prevê alguns vetos e mudanças por meio de medida provisória (MP) para que o projeto não tenha que voltar para a Câmara dos Deputados.

Eunício chegou a ameaçar reabrir a sessão em outras dependências do Senado e “tratorar” a votação para que conseguisse retirar as senadoras das cadeiras. O vice-presidente da Casa, Cássio Cunha Lima (PSDB/PB), chegou a recolher assinaturas para que a reunião ocorresse em outro local que não no plenário, mas isso não foi necessário.

O presidente, contudo, teve dificuldades mesmo após abrir a sessão. Ele teve que se sentar em uma cadeira de canto e utilizar um microfone sem fio porque a senadora Fátima Bezerra (PT/RN) ocupava o lugar principal. Mesmo assim, Eunício abriu a sessão e a votação. Os senadores da oposição protestaram com gritos e pediram a palavra para discutir e encaminhar os votos. O presidente foi irônico e disse que não poderia dar a palavra à oposição porque não estava em sua mesa para ter acesso aos microfones.

— As senhoras senadoras tomaram conta da mesa e eu não tenho como abrir o microfone. E eu não vou dar o meu. A senadora Fátima não me permite abrir o microfone para o senhor.

Eunício disse que os encaminhamentos teriam que ser feitos “no grito”. Diante da situação, a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) se colocou atrás do presidente e gritava em seu ouvido que ele precisava abrir o microfone da tribuna. Logo a cadeira da presidência foi liberada. Só então, o presidente permitiu que os líderes tivessem a palavra:

— Deus me deu esse sentimento da paciência porque todo democrata tem que ser paciente. Como eu disse, palavra eu cumpro, embora não estejam cumprindo comigo. Eu vou dar o encaminhamento de líderes e no destaques eu vou dar encaminhamento aos inscritos.

As senadoras ocuparam a mesa diretora por quase oito horas e comeram “quentinhas”, trazidas pelos assessores, sentadas nas cadeiras da presidência. A cadeira principal foi tomada pela senadora Fátima. Ao lado dela se sentaram Gleisi, Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) e Regina Souza (PT/PI).

— O que nós estamos fazendo é um ato de resistência, com toda a responsabilidade. É um protesto político legítimo. Até porque foi a única alternativa que nos restou para que a gente lutasse contra a aprovação de uma reforma trabalhista que nós consideramos nefasta — disse a senadora Fátima.

Os senadores da base reagiram com indignação e tentaram diversas táticas para retirá-las do local. Ainda de manhã, o presidente do Senado pediu o lugar às parlamentares, que recusaram. Irritado, ele suspendeu a sessão às 12h06 e disse que ela só seria retomada quando ele pudesse se sentar. Eunício desligou as luzes e o ar-condicionado do plenário e as deixou no escuro até o meio da tarde.

— É uma forma desrespeitosa de tratar o Senado. Mas cada um é responsável pelos seus atos — disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB/RR).

— Essa é uma atitude populista, deplorável — completou Cunha Lima.

O senador José Medeiros (PSD/MT) chegou a protocolar um pedido de denúncia em que solicita a “instauração de procedimento disciplinar para verificação de prática de ato incompatível com a ética e o decoro parlamentar, pelos senadores que impediram a continuidade regular da 100ª Sessão Deliberativa Extraordinária”. O documento foi assinado por 14 senadores.

Também houve tentativa de costurar um acordo. O governo concordou em abrir as galerias do plenário para a população e permitir que todos os senadores – não apenas os líderes – discutissem a matéria. As senadoras, contudo, queriam mudanças no mérito do projeto, para que ele retornasse à Câmara dos Deputados.

Um ponto apontado é a permissão para que gestantes e lactantes trabalhem em ambientes insalubres. O Palácio do Planalto, contudo, não estava disposto a aceitar esses termos, apesar das idas e vindas do senador Paulo Paim (PT/RS) ao gabinete da presidência e à mesa diretora onde estavam as senadoras. (O Globo)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Política

Veja também

datafolha

ELEIÇÕES 2026

Quaest: Celina Leão tem 53% e Leandro Grass, 33% no segundo turno do DF

Pesquisa encomendada pela Globo aponta vantagem de 20 pontos percentuais para Celina Leão na disput...
Celina Leão

ELEIÇÕES 2026

Celina Leão critica Lula e diz que não vai deixar o PT avançar no DF

Celina Leão critica o PT e Lula durante ato de campanha em Brasília, comemora novos apoios para o ...
“Estou ansioso para dar um abraço”, diz Flávio sobre reencontro com o pai

após 90 dias

“Estou ansioso para dar um abraço”, diz Flávio sobre reencontro com o pai

Candidato à Presidência criticou as restrições impostas a Jair Bolsonaro e disse estar ansioso p...
celina leão

Eleições 2026 | GDF

Celina Leão pede segundo turno sem violência e defende ampliação do esporte e da educação no DF

A governadora e candidata à reeleição fala sobre diálogo com aliados, melhorias nos espaços pú...
Moraes libera visitas de Flávio a Bolsonaro, mas mantém restrições políticas

DECISÃO DO STF

Moraes libera visitas de Flávio a Bolsonaro, mas mantém restrições políticas

Decisão desta segunda-feira (12) restabelece os encontros nas condições anteriores e proíbe a di...
Base vence com eleição de Thialu, que defende independência da Câmara de Goiânia

Legislativo Goianiense

Base vence com eleição de Thialu, que defende independência da Câmara de Goiânia

Eleito presidente da Câmara de Goiânia para o próximo biênio, vereador do Avante contou com apoi...
segundo turno

Eleições 2026

TRE-GO inicia preparação das urnas para segundo turno em Goiás

Procedimento inclui a preparação dos cartões de memória que serão usados na votação para pres...
pró-Lula

ATO EM APOIO

Manifestação pró-Lula reúne estudantes e apoiadores em Goiânia

Organizado por entidades estudantis, ato na Praça Universitária reuniu representantes de partidos,...