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sábado, 21 de fevereiro de 2026
Economia

Diplomacia brasileira mira alvo equivocado ao desprezar chineses

Alinhamento da diplomacia brasileira aos Estados Unidos pode prejudicar relações comerciais com a China – Foto: Reprodução

Sheyla Sousapor Sheyla Sousa em 6 de outubro de 2020
Dívida do mundo supera 355% do PIB e passa de US$ 281
Os dados do Instituto Internacional de Finanças (IIF)

Lauro Veiga 

O
alinhamento automático da diplomacia brasileira aos Estados Unidos, ou, para
ser mais preciso, ao governo de plantão naquele país, numa atitude inédita e
equivocada, poderá cobrar um preço elevado, especialmente quando se leva em
consideração os possíveis desdobramentos da guerra comercial, tecnológica e
geopolítica travada entre a equipe de Donald Trump e a China. Olhando exclusivamente
pelo lado comercial, a dependência crescente das exportações brasileiras em
relação ao mercado chinês, já recomendaria alguma dose de cautela aos descerebrados
que se apossaram do comando do Itamaraty desde o ano passado.

Entre
janeiro e setembro deste ano, a participação chinesa no saldo comercial
brasileiro (exportações menos importações) saltou para 71,1%, diante de uma
fatia muito próxima a 60,0% nos mesmos nove meses de 2019. Mas há mais: a
China, sozinha, assegurou com sobras o aumento no superávit comercial
brasileira. Aliás, sem a participação do mercado chinês, o superávit teria
encolhido neste ano. A balança comercial entre Brasil e EUA, ao contrário,
assinalou um aumento de quase oito vezes do déficit comercial bilateral,
resultado de uma forte retração das exportações, obviamente refletindo o
estrago causado pela pandemia sobre a economia
norte-americana.


um complicador a mais nessas estatísticas, para além da própria dependência em
si, o que já seria preocupante. Como já conhecido e reconhecido, o aumento das
exportações brasileiras para aquele mercado vem se sustentando às custas
exclusivamente de produtos primários, commodities de baixo valor agregado, com
amplo destaque para a soja em grão, minério de ferro e petróleo em bruto. Os
dados oficiais disponíveis até aqui mostram que aqueles três produtos
responderam por pouco mais de 76,0% de tudo o que o Brasil exportou para a
China (incluindo as regiões de Hong Kong e Macau) entre janeiro e agosto deste
ano, somando em torno de US$ 37,253 bilhões para vendas totais de US$ 48,978
bilhões.

Tudo e mais um
pouco

Os
números mais recentes mostram que as exportações brasileiras para a região
avançaram de US$ 48,670 bilhões no acumulado entre janeiro e setembro do ano
passado para US$ 55,244 bilhões em igual intervalo deste ano, numa alta de
13,5%. A fatia chinesa nas vendas brasileiras avançou de 28,7% para 35,2% entre
aqueles dois períodos, mas manteve-se ao redor de um quinto na ponta das
importações, que passaram de US$ 27,099 bilhões para US$ 25,060 bilhões (queda
de 7,5%). O saldo comercial, no entanto, experimentou um salto de quase 40,0%
na mesma comparação, elevando-se de US$ 21,571 bilhões para US$ 30,184 bilhões
(quer dizer, em torno de US$ 8,613 bilhões a mais). Mas o superávit comercial
do Brasil com todos os países anotou acréscimo de US$ 6,470 bilhões, em alta de
praticamente 18,0%. Ou seja, conforme já anotado, a China respondeu por todo o
aumento do superávit comercial do Brasil e mais alguma coisa.

Balanço

·  
Os
dados do Ministério da Economia mostram que o aumento no saldo comercial do
País nos nove meses iniciais deste ano deveu-se muito mais ao tombo sofrido
pelas importações, refletindo a retração da atividade econômica doméstica e
ainda a alta do dólar frente ao real, o que encareceu as compras externas.

·  
As
exportações baixaram de US$ 169,567 bilhões para US$ 156,780 bilhões, num
tropeço de 7,5% (quer dizer, US$ 12,787 bilhões a menos), diante de uma queda
de 14,4% observada para as importações, que encolheram de US$ 133,592 bilhões
para US$ 114,336 bilhões (ou seja, uma diminuição de US$ 19,256 bilhões). Isso
fez o saldo comercial passar de US$ 35,974 bilhões para US$ 42,445 bilhões, em
valores aproximados.

·  
Excluídos
China, Hong Kong e Macau, as exportações brasileiras demonstraram queda ainda
maior, na faixa de 16,0%, saindo de US$ 120,897 bilhões para US$ 101,536
bilhões, numa perda de US$ 19,361 bilhões, parcialmente compensada pela alta de
US$ 6,574 bilhões nas exportações para aquela região asiática.

·  
As
importações, também com exclusão daqueles três mercados, sofreram baixa
praticamente na mesma proporção, em queda de 16,2%, de US$ 106,493 bilhões para
US$ 89,276 bilhões (perto de US$ 17,217 bilhões a menos). Aqui, como a perda na
exportação foi um pouco mais intensa do que nas compras externas, o saldo
comercial experimentou redução de 14,9%, baixando de US$ 14,404 bilhões para
US$ 12,260 bilhões.

·  
Para
comparação, o “parceiro preferencial” escolhido pelo desgoverno brasileiro
reduziu suas compras de produtos brasileiros em quase um terço na comparação
entre janeiro e setembro deste ano e o mesmo período de 2019. As vendas do
Brasil para os Estados Unidos caíram de US$ 22,132 bilhões para US$ 15,165
bilhões e a participação daquele país na pauta brasileira de exportações encolheu
de 13,1% para 9,7%. A perda, portanto, foi de US$ 6,967 bilhões, num tombo de
31,5%. Mais da metade da redução das exportações brasileiras deveu-se ao tombo
nas vendas para os EUA (mais precisamente, a contribuição negativa da região
foi de 54,5%).

·  
As
compras brasileiras de produtos e bens norte-americanos também caíram, mas em
menor intensidade, marcando um recuo de 18,8%. No acumulado até setembro, o
Brasil importou US$ 18,284 bilhões dos EUA até setembro deste ano, diante de
US$ 22,530 bilhões no mesmo intervalo de 2019 (US$ 4,246 bilhões a menos). Isso
correspondeu a um salto de 683,7% no déficit comercial brasileiro em relação
àquele mercado. Traduzido em dólares, o saldo negativo avançou de apenas US$
398,0 milhões para US$ 3,119 bilhões.

 

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