terça-feira, 25 de agosto de 2026
NEGÓCIOS

Setor de eventos cria 186 mil empregos e movimentou R$ 140,9 bilhões em 2025

Core business cresce 81,7% em relação ao pré-pandemia e supera desempenho de construção, comércio e indústria

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Setor de eventos cria 186 mil empregos e movimentou R$ 140,9 bilhões em 2025
Foto: Divulgação

O setor de eventos encerrou 2025 consolidando sua recuperação e ampliando sua relevância na economia brasileira. Ao longo do ano, foram criados 186 mil empregos formais, entre vagas diretas e indiretas, e o consumo associado às atividades de recreação atingiu R$ 140,9 bilhões — o maior patamar da série histórica iniciada em 2019. Os dados são do Radar Econômico do Setor de Eventos, elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), IBGE e Receita Federal.

O desempenho reforça a posição estratégica do segmento dentro da cadeia de serviços, com impacto direto sobre turismo, hospedagem, alimentação, publicidade e infraestrutura.

Core business registra alta de 81,7% sobre período pré-pandemia

O chamado core business — que engloba organização de eventos, produções artísticas e culturais, espetáculos, recreação, lazer e competições esportivas — apresentou saldo positivo de 20.213 vagas formais em 2025. Com isso, o estoque total de empregos do segmento chegou a 202.393 postos ao final do ano.

Na comparação com 2024, quando havia 179.133 trabalhadores formais, o crescimento foi de 13% em apenas um ano. Em relação a 2019, período anterior à pandemia, o avanço é ainda mais expressivo: 81,7%. Trata-se do maior crescimento relativo entre os principais setores da economia no mesmo intervalo.

evento
Foto: Divulgação

Entre as atividades, a organização de eventos concentrou a maior geração de vagas em 2025, com 14.220 novos postos formais.

Cadeia ampliada soma 4,27 milhões de trabalhadores

O impacto do setor vai além das atividades diretamente ligadas à realização de eventos. O chamado hub setorial — composto por 52 atividades impactadas indiretamente — registrou a criação líquida de 165.756 vagas em 2025. Em 2024, já haviam sido abertas 190.605 vagas.

Com isso, o estoque total de trabalhadores no hub chegou a 4,27 milhões de pessoas, nível 23,9% superior ao registrado em 2019. Entre os segmentos mais impactados estão publicidade e propaganda, serviços gerais, hospedagem, bares e restaurantes e empresas de infraestrutura para eventos.

A expansão evidencia o efeito multiplicador do setor, especialmente sobre o turismo e o comércio de serviços, reforçando seu papel como motor de dinamização econômica regional.

Leia também: Goiás se consolida entre os oito maiores exportadores brasileiros

Consumo atinge recorde histórico

O avanço do emprego formal teve reflexo direto no consumo. Em dezembro de 2025, os gastos com recreação alcançaram R$ 12,5 bilhões, o maior valor mensal da série histórica. No acumulado do ano, o consumo somou R$ 140,9 bilhões, alta de 5% frente aos R$ 131,8 bilhões registrados em 2024.

O cálculo considera o peso do item “Recreação” no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a massa de rendimento real mensal apurada pela PNAD Contínua. O crescimento indica não apenas maior oferta de eventos, mas também recuperação do poder de consumo das famílias e maior formalização do setor.

Foto: Divulgação

Crescimento supera construção, comércio e indústria

Na comparação com outros segmentos da economia, o core business de eventos apresentou o maior crescimento relativo do emprego formal em relação ao período pré-pandemia. O estoque de vagas ficou 81,7% acima de 2019, superando construção civil (40,7%), serviços (22,5%), comércio (16,6%), indústria e também a média geral da economia brasileira, que registrou alta de 21% no mesmo intervalo.

Segundo o presidente da Abrape, Doreni Caramori Júnior, políticas públicas voltadas ao setor contribuíram para esse desempenho. Ele destaca o papel do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) na reorganização das empresas e na ampliação da formalização do trabalho. Historicamente marcado por elevada informalidade, o segmento passou a registrar de forma mais clara seus resultados nos indicadores oficiais de emprego e consumo.

Com níveis recordes de vagas e faturamento, o setor de eventos encerra 2025 consolidado como um dos mais dinâmicos da economia de serviços, demonstrando capacidade de recuperação, geração de renda e impacto transversal sobre diversas cadeias produtivas.

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