139 milhões de brasileiros compram pela internet e mercado digital cresce
Número de consumidores online aumentou em 20 milhões, enquanto redes sociais e aplicativos ganham espaço nas vendas
O comércio eletrônico ampliou de forma significativa sua presença entre os consumidores brasileiros e abriu novas possibilidades para pequenos negócios. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, estima que 139 milhões de pessoas compraram pela internet nos últimos 12 meses, 20 milhões a mais que no levantamento anterior. O número equivale a 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais.
A frequência das compras também aumentou. A parcela de consumidores que havia comprado pela internet no último mês passou de 54% para 66%, enquanto a média mensal subiu de 4,6 para 5,1 pedidos. O cenário amplia o mercado potencial para empreendedores que conseguem estruturar canais digitais de venda e atendimento.
O avanço ocorre em um ambiente de expansão do próprio setor. Levantamento com base em dados do comércio eletrônico aponta que o e-commerce brasileiro movimentou R$ 295,6 bilhões em 2025, alta de 20% em relação ao ano anterior. Em dez anos, o faturamento cresceu 429%, passando de R$ 55,9 bilhões em 2016 para o patamar registrado no ano passado.
Consumidor está mais presente no ambiente digital
A expansão do comércio eletrônico acompanha o aumento do acesso à internet. Segundo o IBGE, 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais utilizou a internet em 2025, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas. Na região Centro-Oeste, o índice chegou a 93,6%, o maior entre as grandes regiões do país.
O levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que as redes sociais também ganharam espaço na jornada de compra. 54% dos consumidores fizeram compras por esses canais nos últimos 12 meses. O WhatsApp aparece como uma das principais ferramentas de contato e comercialização, com 73% dos entrevistados afirmando ter realizado pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês.

Para os pequenos negócios, a mudança significa que a presença digital passou a integrar etapas que vão desde a descoberta de um produto até o atendimento e o pós-venda. Em vez de depender apenas do movimento de uma loja física, o empreendedor pode alcançar consumidores de outras regiões.
Pequenos negócios enfrentam desafio operacional
A expansão, porém, não significa que vender pela internet seja suficiente para garantir resultado. Pesquisa Radar Mercado Digital 2026, realizada pelo Sebrae em parceria com o E-Commerce Brasil, ouviu 3.081 empresários de todas as regiões do país e identificou que a operação digital está concentrada em uma única pessoa em 59,2% dos pequenos negócios que vendem pela internet. Entre os microempreendedores individuais, o percentual chega a 76,2%.
O dado mostra um dos principais desafios para quem pretende ampliar as vendas: conciliar divulgação, atendimento, estoque, pagamentos, embalagem, entrega e controle financeiro. Com uma estrutura reduzida, o crescimento dos pedidos pode aumentar também a pressão sobre a operação.
Outro ponto é a presença em diferentes canais. O levantamento do Sebrae aponta que apenas 28% dos pequenos negócios que vendem online estão em plataformas de marketplace, indicando que parte dos empreendedores ainda trabalha com estruturas mais simples de comercialização.
Venda maior não significa lucro maior
O aumento das vendas também exige atenção à formação do preço. Custos com frete, embalagem, taxas, divulgação, devoluções e atendimento precisam entrar na conta antes da definição do valor cobrado pelo produto.
Esse cuidado ganha importância diante do comportamento recente do consumidor. No primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 208,4 bilhões, alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Foram 756,7 milhões de pedidos, crescimento de 34,8%. Ao mesmo tempo, o tíquete médio caiu 13,3%, para R$ 275,50.

Os números mostram que o mercado pode crescer em volume mesmo com compras de menor valor médio. Para o pequeno negócio, isso reforça a necessidade de acompanhar não apenas o faturamento, mas também o custo de cada venda e a margem efetivamente obtida.
Digitalização amplia alcance dos empreendedores
O avanço do comércio eletrônico também tem sido acompanhado por iniciativas de apoio à digitalização. Em 2025, o Sebrae informou ter ajudado cerca de 728 mil empresas a se destacarem no mercado digital. A instituição oferece capacitações, mentorias, consultorias, cursos e conteúdos voltados à gestão de negócios pela internet.
Na esfera federal, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mantém o Observatório do Comércio Eletrônico, construído a partir de notas fiscais eletrônicas consolidadas pela Receita Federal. A ferramenta reúne dados sobre transações realizadas pela internet, valores e unidades da Federação.
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