quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Economia

Mercado reduz previsão de inflação para 5% e eleva projeção do PIB em 2026

Inflação cai na previsão do mercado, enquanto PIB deve crescer 1,93%

Otavio Augustopor em
Mercado reduz previsão de inflação para 5% e eleva projeção do PIB em 2026

O mercado financeiro reduziu a previsão para a inflação de 2026 e, ao mesmo tempo, elevou a estimativa para o crescimento da economia brasileira. Os dados aparecem no Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central (BC).

A pesquisa reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras. O levantamento considera as expectativas dos analistas para os principais indicadores da economia.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, a estimativa passou de 5,01% para 5% neste ano.

A revisão ocorreu mesmo diante da alta do preço do petróleo provocada pela retomada dos conflitos no Oriente Médio. O movimento pode pressionar os preços dos combustíveis e, consequentemente, afetar outros setores da economia.

Para 2027, entretanto, os economistas elevaram a previsão de inflação de 4,28% para 4,29%. Já para 2028, a estimativa permaneceu em 3,80%. Para 2029, ficou em 3,50%.

Inflação ainda está acima da meta

A projeção de 5% para 2026 permanece acima da meta de inflação definida pelo Banco Central. Desde 2025, o país adota o sistema de meta contínua, com objetivo de manter o IPCA em 3%.

O intervalo considerado compatível com a meta vai de 1,50% a 4,50%. Portanto, a previsão atual do mercado supera o limite máximo estabelecido pelo BC.

Além disso, a inflação afeta diretamente o poder de compra. Quando os preços avançam em ritmo superior aos salários, os consumidores conseguem adquirir uma quantidade menor de produtos e serviços com a mesma renda.

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Foto: Divulgação

Apesar disso, o mercado financeiro revisou para cima a previsão de crescimento da economia.

PIB tem nova projeção para 2026

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,92% para 1,93% em 2026. O indicador mede o valor de todos os bens e serviços produzidos no país durante determinado período.

 

 

 

Mesmo com a revisão, a previsão aponta para uma desaceleração da economia em relação ao ano passado. Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2027, o mercado manteve a projeção de crescimento em 1,5%.

A desaceleração também aparece nas expectativas para os próximos anos. O Banco Central tem sinalizado que um ritmo menor da atividade econômica pode contribuir para reduzir as pressões sobre os preços.

Por outro lado, medidas de estímulo à economia podem aumentar a demanda por produtos e serviços. Em 2026, ano de eleições, o governo também tem adotado ações voltadas à redução do endividamento e ao estímulo ao consumo.

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Foto: Divulgação

Mercado mantém previsão de corte da Selic

As instituições financeiras também mantiveram a expectativa de redução da taxa básica de juros, a Selic, ainda em 2026.

Atualmente, a taxa está em 14% ao ano, após quatro cortes realizados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano.

Para dezembro de 2026, a previsão do mercado permaneceu em 13,75% ao ano. Dessa forma, os analistas projetam mais uma redução da Selic até o fim do ano.

Para 2027, a estimativa continua em 12% ao ano. Já para 2028, o mercado prevê uma taxa de 10,50%.

 

 

 

A Selic influencia o custo dos empréstimos, financiamentos e investimentos. Além disso, o Banco Central utiliza a taxa como principal instrumento para controlar a inflação.

Dólar permanece em R$ 5,20

O mercado financeiro também manteve as projeções para o câmbio.

Para o fim de 2026, os analistas continuam esperando o dólar em R$ 5,20. Para dezembro de 2027, a previsão permanece em R$ 5,30.

Assim, o Boletim Focus desta semana mostra uma combinação de revisão para baixo na inflação e uma pequena melhora na expectativa para o crescimento econômico. Ao mesmo tempo, o mercado mantém a previsão de queda dos juros nos próximos meses.

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