Café solúvel cresce 12,8% nas exportações e mira recorde em 2026
Consumo interno avançou 11,9% entre janeiro e agosto, enquanto embarques ao exterior chegaram a 65,3 mil toneladas
O mercado brasileiro de café solúvel registra crescimento nas vendas internas e nas exportações em 2026, com avanço da demanda internacional e mudanças no consumo doméstico. Entre janeiro e agosto, os embarques do produto alcançaram 65,3 mil toneladas, alta de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025. No mercado interno, o consumo chegou a 19,7 mil toneladas, crescimento de 11,9%. Os resultados aumentam a expectativa de que o setor encerre o ano com recordes nos dois indicadores.
Os dados são do relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), divulgado em setembro. O desempenho ocorre em meio a mudanças nas relações comerciais com mercados importantes, investimentos industriais e perspectivas de alteração na estrutura tributária a partir de 2027. Embora a expansão abra oportunidades para a cadeia produtiva, a possível elevação dos custos de fabricação está entre as preocupações do setor.
Exportações avançam e mercado externo ganha importância
Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 65,3 mil toneladas de café solúvel, equivalentes a aproximadamente 2,83 milhões de sacas de 60 quilos. No mesmo intervalo de 2025, os embarques somaram 57,9 mil toneladas, ou 2,51 milhões de sacas. A diferença representa um aumento de 7,4 mil toneladas em um ano.
Somente em agosto, as exportações atingiram 7,7 mil toneladas, equivalentes a 333,7 mil sacas, volume 24,9% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Segundo a Abics, o crescimento foi distribuído ao longo de boa parte de 2026. Com exceção de janeiro, os demais meses igualaram ou superaram os resultados de 2025, com alta de 38,9% em junho.

Consumo interno cresce e indústria amplia oportunidades
No mercado doméstico, o consumo de café solúvel totalizou 19,7 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026, ante aproximadamente 17,6 mil toneladas no mesmo período de 2025. O avanço foi registrado nas duas principais categorias do produto: o spray dried, café solúvel em pó obtido por secagem por pulverização, cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried, produzido por liofilização e associado a produtos de maior valor agregado, avançou 13,3%.
O resultado dá continuidade ao crescimento registrado no ano passado. Em 2025, o consumo brasileiro chegou a 27 mil toneladas, alta de 9,5% em relação a 2024, segundo a Abics. Naquele ano, o mercado interno atingiu um recorde histórico, em um movimento atribuído pela entidade à ampliação da oferta, aos investimentos industriais e à diversificação dos produtos disponíveis.
Reforma tributária preocupa setor a partir de 2027
Apesar da evolução recente, a indústria acompanha as mudanças previstas na reforma tributária. Um dos principais pontos de atenção é a extinção, a partir de 1º de janeiro de 2027, do crédito presumido de PIS/Cofins calculado sobre a aquisição de café verde utilizado na industrialização para exportação.
Segundo a Abics, o mecanismo equivale a 7,4% do valor da matéria-prima e foi reduzido para 6,66% em 2026, antes da extinção prevista. A entidade argumenta que a retirada do benefício elevará os custos da indústria brasileira e poderá afetar a competitividade do produto nacional no exterior.

O setor também destaca que a inclusão do café na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero para os novos tributos sobre o consumo, não substitui necessariamente o efeito econômico do crédito presumido anteriormente utilizado. A discussão envolve, portanto, a diferença entre a tributação sobre o produto e os mecanismos que influenciam o custo industrial e a exportação.
A Abics mantém interlocução com o governo federal e o Congresso Nacional para discutir alternativas de transição ou compensação. Até o momento, conforme as informações divulgadas pela entidade em setembro, não havia indicação de reversão da medida.
A perspectiva de recordes em 2026 convive, assim, com uma questão estrutural para os anos seguintes. O desempenho dependerá da manutenção da demanda doméstica, da recuperação e expansão dos mercados externos e da capacidade da indústria de absorver mudanças nos custos. Para o Brasil, que já registra receita bilionária com as exportações de café solúvel, preservar a competitividade será importante para sustentar o crescimento e ampliar a participação do produto no comércio internacional.
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