Candidatos divergem sobre uso de câmeras nas fardas policiais em Goiás
Daniel e Wilder são contrários ao equipamento, enquanto Marconi defende discutir a medida com forças de segurança; Cesar Bueno é o único favorável e prevê implantação gradual
A adoção de câmeras corporais acopladas às fardas dos policiais divide os candidatos ao Governo de Goiás. Enquanto o governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Morais (PL) se posicionam contra o uso do equipamento, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) defende que o tema seja discutido com especialistas e integrantes das forças de segurança. O candidato do PT, Luis Cesar Bueno, incluiu a implantação gradual da tecnologia em seu plano de governo.
Daniel já afirmou ser “radicalmente contra” a instalação obrigatória das câmeras nas fardas. Em entrevistas recentes, o emedebista questionou os efeitos da medida sobre a segurança pública e defendeu que a decisão considere a avaliação dos próprios policiais.
O candidato à reeleição segue o posicionamento do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e já disse que em um eventual governo irá concentrar os investimentos na ampliação do programa IA Contra o Crime, que utiliza câmeras de monitoramento, inteligência artificial e cruzamento de dados para identificar veículos e pessoas relacionados a ocorrências.
Marconi ainda não definiu se adotaria ou não as câmeras nas fardas policiais e prometeu que, caso seja eleito em outubro, irá abordar o tema junto às forças de segurança antes de tomar qualquer decisão a respeito do tema.
O tucano foi questionado sobre o assunto no último dia 1º durante sabatina. “Quero discutir com cientistas, pesquisadores e com as forças policiais para ver se isso é prioritário e necessário, e como faremos”, afirmou Marconi ao portal Mais Goiás. Apesar da posição de cautela, o debate sobre segurança pública está entre as ofensivas da campanha do tucano contra o grupo governista, sobretudo nas discussões sobre o aumento do índice de feminicídios no Estado.
Wilder também se declarou contrário às câmeras corporais, após uma declaração dada à Rádio Sucesso ter sido interpretada como abertura para a adoção da tecnologia. Em nota divulgada nesta terça-feira (15), o candidato afirmou que sua posição é contrária ao equipamento e disse que a manifestação anterior se referia à disposição de ouvir a corporação antes de tomar decisões sobre a segurança pública.
“Eu confio no policial e, por esse motivo, acho desnecessário o uso de câmera corporal. É preciso dar aos policiais condições de trabalho e credibilidade. A segurança em Goiás precisa ser retomada e ampliada”, afirmou.
A declaração anterior de Wilder, no entanto, havia sido mais aberta. Na entrevista, o candidato do PL ao Palácio das Esmeraldas afirmou que, nos primeiros 100 dias de um eventual governo, pretende sentar com a Corregedoria da Polícia Militar e com os policiais para discutir o tema. “O que a nossa corporação entender que é bom para a sociedade e para a segurança pública, nós vamos ter. Como também se decidir não ter, eu também vou ficar com a corporação”, disse na ocasião.
Cesar Bueno é o único entre os principais candidatos que é favorável ao uso de câmeras. O candidato petista incluiu as câmeras corporais entre as propostas de segurança pública de seu plano de governo, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A previsão é começar com um projeto-piloto em unidades consideradas prioritárias, especialmente aquelas submetidas a ocorrências de alto contato, abordagens, uso da força, patrulhamento e operações.
A proposta estabelece avaliação independente do projeto após 12 meses, considerando fatores como segurança dos policiais, reclamações, uso da força, utilidade das imagens como prova, custos e percepção de agentes e população.
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