Em Goiás, Caiado quer mudanças no STF e cobra investigação de Moraes
Caiado critica STF, cita Goiás e apresenta propostas para a Corte
Ronaldo Caiado afirmou nesta terça-feira (15), durante coletiva de imprensa em Aparecida de Goiânia, que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma “fase procrastinatória” diante da discussão sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O candidato à Presidência da República também defendeu mudanças nos critérios para escolha de ministros da Corte.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o STF analisava a possibilidade de investigar Moraes a partir de elementos reunidos pela Polícia Federal relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a sessão, os ministros também discutiram uma questão de ordem sobre a reunião dos processos relacionados ao caso para julgamento em 23 de setembro.
Segundo Caiado, a discussão preliminar estaria retardando a análise do caso. “Então, ainda está numa fase procrastinatória. Mas eu acredito que o Supremo Tribunal Federal dará ali o que toda a sociedade brasileira deseja neste momento, que é a autorização dada para que haja investigação ao ministro Alexandre Moraes”, afirmou.
Críticas à situação política do país
Durante a entrevista, Caiado ampliou as críticas para além do STF. O candidato afirmou que o Brasil passa por uma “degradação moral completa” e questionou a atuação das instituições políticas diante das denúncias e investigações envolvendo autoridades.

Na avaliação apresentada por Caiado, a crise institucional também afeta a percepção sobre a democracia. “Então, é um momento que você vê que o Brasil, por esse nível de responsabilidade, de moralidade que hoje alcança a vida política e também jurídica no país, está levando à deterioração da democracia brasileira”, declarou.
O candidato também citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro ao criticar o cenário político nacional. Em outro momento da entrevista, afirmou que o eleitor não deveria escolher entre os dois.
“Não é possível o Brasil ser governado por dois que estão envolvidos e que são tratados como os seus corruptos preferidos. O Brasil não pode escolher o seu corrupto preferido”, disse.

Propostas para mudar o STF
Questionado sobre as primeiras medidas que adotaria em relação ao Supremo caso fosse eleito, Caiado afirmou que pretende propor uma mudança na Constituição relacionada à composição da Corte.
“A primeira medida é exatamente a mudança da Constituição do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Segundo o candidato, a proposta estabeleceria novos critérios para a escolha dos ministros. Ele mencionou idade mínima de 60 anos, avaliação prévia de currículo e participação de órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e a Polícia Federal na análise dos nomes antes da indicação presidencial.

Caiado também afirmou, em declarações divulgadas nesta terça-feira, que pretende indicar quatro mulheres para o STF caso chegue à Presidência. Entre os nomes citados por ele está a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge. A proposta também foi registrada em manifestações públicas do candidato durante a campanha.
Caiado cita modelo de gestão em Goiás
Ao falar sobre sua experiência política, Caiado utilizou o governo de Goiás como referência. Ele afirmou que o Estado seria um exemplo de gestão e atribuiu os resultados à autoridade e à atuação administrativa.
“Vocês já prestaram atenção que Goiás é uma exceção no Brasil? Aqui basta você ter um governante com autoridade moral. Você viu o que nós fizemos no nosso Estado?”, declarou.
O candidato também afirmou ter orgulho da gestão estadual. “Goiás é um exemplo de governabilidade para o país”, disse.
Ainda durante a entrevista, Caiado pediu aos apoiadores que apresentassem a pessoas de outros estados os resultados que, segundo ele, foram alcançados durante seu governo em Goiás.

Saúde e propostas de gestão
Caiado também respondeu a perguntas sobre saúde. Ele defendeu o fortalecimento das unidades básicas, o uso de telemedicina e a aplicação de inteligência artificial na regulação do atendimento.
Segundo o candidato, a ordem de atendimento não deveria considerar apenas a ordem cronológica. Para ele, a gravidade de cada caso deve ser levada em conta.
Caiado também afirmou que o setor precisa de gestão e combate a desvios de recursos. “A medicina, eu sei, eu conheço, a medicina precisa não é de mais dinheiro, ela precisa é de gestão, é de combate à corrupção”, declarou.

Segurança e críticas a adversários
Durante a coletiva, Caiado também foi questionado sobre declarações do governador Marcos Ferreira relacionadas à segurança pública. Em resposta, afirmou: “Eu não converso com presidiários”.
Na sequência, disse que trataria o assunto com a mesma postura que, segundo ele, adota contra criminosos em Goiás.
Ao abordar novamente o cenário eleitoral, Caiado afirmou que a população estaria sendo prejudicada pela disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
“Quem é que está hoje tomando tiro dessa briga entre Lula e o Flávio? Quem? O cidadão comum, o cara que pega o ônibus, a mulher que faz a feira, a criança que não tem escola”, afirmou.
O candidato também utilizou uma comparação com a chamada Síndrome de Estocolmo para descrever, segundo sua interpretação, a relação de parte do eleitorado com os dois políticos.
Por fim, Caiado afirmou que acredita ter condições de vencer Lula em um eventual segundo turno. “Porque se você me colocar lá, eu bato o Lula no segundo turno. E vocês sabem que eu bato o Lula no segundo turno, ganho as eleições e coloco o Brasil nos eixos”, declarou.
A declaração sobre o STF ocorreu em um dia de sessão extraordinária da Corte marcada por discussões sobre a condução dos processos relacionados a Moraes e ao ministro André Mendonça. O STF também analisava uma proposta para reunir os julgamentos relacionados ao caso Banco Master em uma sessão futura.
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