terça-feira, 15 de setembro de 2026
Judiciário

Cármen Lúcia diz estar em “profunda tristeza” com crise no STF

Cármen Lúcia pede desculpas ao povo durante sessão sobre Moraes

Otavio Augustopor em
Cármen Lúcia diz estar em “profunda tristeza” com crise no STF
Foto: Rosinei Coutinho/ STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) estar em “estado de profunda tristeza” diante da crise que envolve a Corte. A declaração ocorreu durante a sessão extraordinária que analisa um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Durante a manifestação, Cármen Lúcia afirmou que o momento ultrapassa o conteúdo específico analisado pelo plenário. Segundo ela, os acontecimentos dos últimos dias provocaram um “mal-estar cívico” entre os brasileiros.

A ministra também disse estar “envergonhada” com a situação. Além disso, pediu desculpas aos colegas, ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao povo brasileiro por considerar que poderia ter contribuído mais para reduzir as tensões dentro da Corte.

 

 

 

Ministra diz que crise desviou atenção no período eleitoral

Cármen Lúcia também mencionou a proximidade das eleições. Segundo a ministra, o país está a menos de 20 dias do primeiro turno, enquanto parte da atenção pública se voltou para disputas internas e questões processuais envolvendo o Supremo.

Ela afirmou que esperava ter adotado uma postura capaz de ajudar na busca por uma solução para os conflitos. No entanto, reconheceu que não conseguiu contribuir da maneira que gostaria.

STF
Foto: Divulgação

A declaração ocorreu durante uma sessão que o próprio STF classificou como inédita. Pela primeira vez, o plenário analisa se deve ser aberta uma investigação criminal contra um de seus próprios ministros.

STF analisa relatório da Polícia Federal

O julgamento envolve um relatório elaborado pela PF a partir de dados obtidos durante investigações relacionadas ao antigo Banco Master. O documento reúne mensagens que os investigadores atribuem a Vorcaro e que fazem referência a Moraes.

Antes de analisar o conteúdo das mensagens, porém, o Supremo precisa discutir questões processuais relacionadas à validade do relatório.

 

 

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona a forma como o documento foi produzido e sustenta que o ministro André Mendonça teria determinado o avanço da apuração sem uma solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal. Essa é uma das questões que estão sendo analisadas pelo plenário.

Foto: Divulgação

O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou durante a sessão que os ministros devem analisar fatos e questões jurídicas antes de antecipar conclusões sobre o mérito.

Ministros divergem sobre condução do caso

A sessão também expôs divergências entre integrantes da Corte sobre a condução das investigações. Durante os debates, ministros questionaram decisões tomadas por Fachin e a atuação de Mendonça no caso.

O julgamento chegou a ser interrompido após a primeira parte da sessão. Entre os temas discutidos estão a possibilidade de suspender os trabalhos e a eventual reunião de processos relacionados ao Banco Master em uma sessão marcada para 23 de setembro.

Além disso, os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques declararam impedimento para participar da análise, segundo informações divulgadas durante a sessão.

Na véspera do julgamento, a Polícia Federal informou ter entregado aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Mendonça também retirou o sigilo de um processo relacionado à rede de pagamentos do ex-banqueiro e do Banco Master.

O plenário ainda precisa decidir sobre as questões processuais antes de avançar sobre a possibilidade de investigação de Moraes. As alegações apresentadas no caso continuam sob análise da Corte.

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Alexandre de Moraes André Mendonça banco Master Carmen Lucia Daniel Vorcaro Edson Fachin PGR Policia Federal STF Supremo Tribunal Federal

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