Centro de Goiânia recebe 4ª promessa de revitalização em dois anos
Prefeitura protocola plano para recuperar fachadas de 34 prédios na Rua 3, mas projeto ainda depende de aprovação do prefeito e de decreto de regulamentação
A Prefeitura de Goiânia protocolou um novo projeto para recuperar fachadas históricas no Centro. O plano começa pelos comércios da Rua 3 e prevê pintura das fachadas, reparos no reboco e a retirada de placas e letreiros que estão na frente das construções art déco e modernistas catalogadas pela Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico (Seplan). A proposta ainda depende de aprovação do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e será regulamentada por decreto.
A iniciativa se soma a outras ações da gestão para a região, como o programa Morar no Centro, que prevê subsídio de 50% no valor do aluguel e isenção de IPTU por até três anos para quem ocupar imóveis vazios há mais de dois anos.
O anúncio não é o primeiro sobre a revitalização do setor. Em 2024, Mabel prometeu calçadões nas ruas 3 e 4, modernização de edifícios art déco e a compra do Jockey Clube para lazer no Centro da cidade. Em abril de 2026, o prefeito retomou a ideia de revitalização e citou obras na Rua 8 e demolições de prédios abandonados. A atual proposta tem a Rua 3 como ponto de partida e conta com o levantamento técnico de 34 imóveis. A iniciativa faz parte das comemorações do aniversário de 92 anos de Goiânia, em 24 de outubro.
A professora, arquiteta e urbanista Maria Ester destaca a importância de concretizar essas políticas, para além da propaganda política. “Uma política de revitalização precisa ter objetivo claro, metodologia definida, recurso alocado e um programa com prazo e orçamento estabelecidos. Esse tipo de anúncio não tem relação com o projeto em si. É uma questão política, de modelo de gestão”, pontua.
O projeto se apoia na Lei Complementar n° 326/2020, aprovada há 6 anos e conhecida como a Lei das Fachadas. Etapas como aquisição de tintas e divulgação, previstas para agosto, ainda estão pendentes.
“Um projeto para o Centro precisa contemplar praticamente todas as áreas da região, não apenas um trecho. Se a intenção é fazer um piloto, isso deve ter um objetivo definido dentro do programa de revitalização. O recorte nunca é pequeno por acaso. […] Se essa for uma estratégia técnica, ela precisa estar escrita no projeto, porque a dificuldade de execução costuma ser financeira ou de pessoal, e não do projeto em si”, fecha.
Revitalização pela metade
A proposta de revitalização da Rua 3 prevê que a prefeitura pinte as fachadas até a altura da marquise dos prédios, cabendo ao proprietário decidir se investe na parte superior do imóvel. Sobre esse modelo, Maria Ester afirma que pintar fachadas não configura uma requalificação, mas deve fazer parte de uma ação mais ampla.
A urbanista avalia que a divisão de responsabilidade entre poder público e proprietários reflete um modelo de Estado mínimo, que não assume por completo a solução do problema. Segundo Ester, quando essa divisão ocorre por meio de parceria público-privada, o resultado costuma ficar inacabado, porque falta um programa bem definido e um horizonte de médio ou longo prazo.
Maria Ester pondera que o projeto de requalificação das fachadas integra um conjunto maior de ações, citando como exemplo o programa Morar no Centro, que prevê subsídio para pagamento de aluguel no Centro. Para a arquiteta, medidas como essa surgem com frequência e devem ser lidas em conjunto. A urbanista reconhece que apenas pintar e limpar fachadas não reverte o esvaziamento populacional da região, mas avalia que essa ação faz parte de um programa mais amplo.
Em nota, a Seplan informou que a proposta de revitalização das fachadas do Centro de Goiânia está em fase inicial de elaboração e que ainda não há definições sobre contrapartidas, incentivos ou outras medidas relacionadas à adesão de comerciantes e proprietários de imóveis. Segundo a pasta, as intervenções só serão definidas após discussão e observância das normas urbanísticas e de preservação aplicáveis à região, e os órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico e cultural também serão consultados.
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