Justiça marca audiência de caso envolvendo adolescente que atropelou casal em Goiânia
Sessão está marcada para 30 de setembro e terá a oitiva de uma testemunha; adolescente está internado provisoriamente
A Justiça marcou para 30 de setembro, às 14h, uma audiência de continuação do processo que apura o ato infracional atribuído ao adolescente de 17 anos investigado pela morte de Fábio Alves Barbosa e Neifa Freitas de Farias Alves, ambos de 50 anos. O casal foi atropelado em Goiânia enquanto o adolescente dirigia uma caminhonete sob efeito de álcool.
A informação foi confirmada com exclusividade ao jornal O HOJE pela sobrinha das vítimas, Amanda Freitas. Segundo ela, a família ainda enfrenta dificuldades para sentir que a Justiça está sendo feita.
Amanda afirmou que, apesar da passagem do tempo, a dor pela perda de Neifa e Fábio continua.
“A dor da perda continua sendo enorme, e nada vai trazer a Neifa e o Fábio de volta.”
Para a família, o principal objetivo agora é que todas as circunstâncias do caso sejam analisadas e que a responsabilidade seja reconhecida.
“O que esperamos agora é que todas as circunstâncias sejam analisadas com seriedade e que a responsabilidade seja reconhecida na proporção de tudo o que aconteceu.”
Amanda também reforçou que a família não busca vingança, mas responsabilização pelo que ocorreu.
“Não queremos vingança. Queremos justiça. Queremos que a vida deles tenha valor e que as escolhas feitas naquele dia não sejam minimizadas.”
Ela afirmou ainda que a família continuará acompanhando o caso enquanto houver questionamentos sobre o ocorrido.
“Enquanto houver dúvidas e enquanto lutarmos para que a verdade prevaleça, continuaremos buscando justiça por eles.”
Audiência
A sessão será realizada no Juizado da Infância e Juventude Infracional e terá a oitiva de uma testemunha.
A audiência dará continuidade ao procedimento de apuração do ato infracional, após a Polícia Civil concluir o inquérito e encaminhar o caso ao Poder Judiciário para manifestação do Ministério Público.
O adolescente está em internação provisória desde 24 de agosto, quando foi apreendido pela Polícia Civil. A medida tem prazo de 45 dias. Na data da audiência, em 30 de setembro, ele estará há 37 dias internado, oito dias antes do fim do prazo da internação provisória.
Investigação
O adolescente é investigado por ato infracional análogo ao crime de homicídio culposo pela morte de Fábio e Neifa.
Segundo a investigação, ele dirigia uma caminhonete sob efeito de álcool quando avançou um sinal vermelho e atropelou o casal.
O teste do etilômetro realizado após a colisão apontou 0,52 miligrama de álcool por litro de ar expelido. O adolescente permaneceu no local e, em depoimento à polícia, afirmou que havia pegado a caminhonete escondido para “esfriar a cabeça”.
Fábio e Neifa foram socorridos e encaminhados ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), mas não resistiram aos ferimentos.

Foto: Divulgação
O veículo pertencia a um amigo dos pais do adolescente, um policial militar aposentado, que havia emprestado a caminhonete para o transporte de mercadorias durante uma feira de moda.
Apreensão do adolescente
O adolescente foi apreendido pela Polícia Civil em 24 de agosto, após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Segundo o delegado Rômulo Matos, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depai), o jovem foi levado à unidade e posteriormente encaminhado à Case, onde passou por internação provisória.
Inicialmente, o caso era investigado como ato infracional análogo ao crime de lesão corporal culposa. Com a morte das duas vítimas, a investigação passou a apurar ato infracional análogo ao homicídio culposo, considerando as circunstâncias do acidente e a ingestão de álcool.
Inquérito concluído
A Polícia Civil informou que concluiu o inquérito após ouvir envolvidos e testemunhas, coletar imagens do local e realizar perícias.
Cópias dos autos também foram encaminhadas à Delegacia de Trânsito, para análise de eventual responsabilidade de adultos envolvidos no caso, e à Corregedoria da Polícia Militar, que deverá apurar a liberação dos veículos antes da realização da perícia.
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