Dor, calor e inchaço podem indicar trombose; saiba os sinais de alerta
No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, especialista explica fatores de risco, formas de prevenção e situações que exigem atendimento imediato
Se uma das pernas começa a inchar sem motivo aparente, acompanhada de dor, sensação de calor ou mudança na cor da pele, vale prestar atenção. Esses sinais podem estar associados à trombose, embora a doença também possa se desenvolver sem sintomas perceptíveis.
A trombose ocorre quando coágulos, chamados de trombos, dificultam ou interrompem o fluxo sanguíneo em veias ou artérias. Uma das formas mais frequentes é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente atinge as veias profundas das pernas.
Dados do Ministério da Saúde apontam mais de 75 mil registros da doença no Brasil em 2024. No primeiro semestre de 2025, foram mais de 36 mil. Nesta quarta-feira (16), Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, a data chama atenção para sintomas que podem passar despercebidos e para condições que aumentam a chance de formação de coágulos.
O cirurgião vascular Fábio Cypreste explica que o quadro exige atenção principalmente quando surgem sinais respiratórios de forma repentina. “Se uma pessoa apresenta falta de ar súbito, dor no peito, coração acelerado, tontura, principalmente se isso vier de repente, precisamos pensar na embolia pulmonar, nesse caso é necessário procurar uma emergência. A trombose da perna pode ser silenciosa, o problema é quando o coágulo se desprende e chega ao pulmão”.
Cirurgias ou internações recentes, períodos prolongados de imobilização, fraturas nas pernas, tratamento contra o câncer, gravidez e pós-parto estão entre as situações que elevam o risco. Há ainda a trombofilia, predisposição genética que favorece a coagulação.
A prevenção varia conforme o perfil de cada pessoa. Após cirurgias ou internações, movimentar-se assim que houver segurança é uma das recomendações. Em viagens longas, levantar e caminhar periodicamente ajuda a reduzir o tempo de imobilidade. Nos casos de maior risco, o médico pode indicar anticoagulantes, meias elásticas ou compressão pneumática.
Anticoncepcional, cirurgia e testosterona
A idade, por si só, não afasta a possibilidade de trombose. Pessoas jovens também podem desenvolver a doença quando existem fatores associados, entre eles obesidade, gravidez, imobilização, câncer ou alterações genéticas.
Outra dúvida frequente envolve os anticoncepcionais combinados, que contêm estrógeno e progestágeno. Eles podem elevar a chance de trombose, sobretudo quando o uso se soma a tabagismo, obesidade, histórico pessoal ou familiar da doença ou trombofilia. “Em resumo, o anticoncepcional não é o vilão, o problema é usar um método que não seja adequado ao seu perfil”, explica o médico.
Cirurgias também não significam, automaticamente, que haverá formação de trombos. O risco varia de acordo com o procedimento, as condições clínicas do paciente e o período de imobilização durante a recuperação.
No caso da testosterona, a relação exige outra distinção. O hormônio pode aumentar a produção de glóbulos vermelhos e, em determinadas circunstâncias, favorecer eventos trombóticos. “A testosterona não deve ser usada simplesmente para melhorar a disposição ou como tratamento anti-envelhecimento, quando realmente indicada deve ser prescrita na dose adequada e com acompanhamento médico, principalmente a avaliação desse aumento dos glóbulos vermelhos no sangue. O problema não é simplesmente usar, é usar testosterona sem indicação, em doses inadequadas ou sem acompanhar os efeitos que ela produz no sangue”, afirma Cypreste.
Tabagismo, sedentarismo e sobrepeso completam o conjunto de fatores modificáveis. O cigarro interfere nos vasos e no sistema de coagulação, enquanto permanecer muitas horas sem se movimentar favorece a estagnação do sangue nas pernas. Manter atividade física, controlar o peso e abandonar o cigarro também contribuem para reduzir o risco de outras doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.
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