STF em foco: cinco filmes sobre conflitos nos tribunais
Clássicos e produções recentes usam julgamentos para discutir poder, preconceito, ética e os limites da Justiça
Com o Supremo Tribunal Federal (STF) sob atenção nesta terça-feira (15), durante uma sessão extraordinária que analisa se deve ser aberta investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, o ambiente dos tribunais volta ao centro do noticiário. No cinema, esse espaço há décadas serve a histórias em que uma sentença raramente é apenas o resultado de provas apresentadas diante de um juiz.
Júris divididos, interesses agindo nos bastidores, perseguição política e preconceito atravessam alguns dos dramas jurídicos mais conhecidos das telas. Em comum, os filmes abaixo usam o processo judicial para observar quem decide, quem é ouvido e o que acontece quando a ideia de Justiça encontra conflitos sociais e morais.
“Doze Homens e uma Sentença” (1957)
Sidney Lumet concentra quase toda a tensão do filme em uma sala onde 12 jurados precisam decidir se um jovem acusado de matar o pai é culpado. Onze estão inclinados à condenação. Um deles, interpretado por Henry Fonda, pede que o caso seja examinado com mais cuidado. A partir daí, certezas dão lugar a dúvidas, preconceitos e contradições. O longa recebeu indicações ao Oscar de melhor filme, direção e roteiro adaptado.
“Filadélfia” (1993)
O tribunal assume outra dimensão no drama protagonizado por Tom Hanks e Denzel Washington. Hanks interpreta um advogado demitido após os superiores descobrirem que ele vive com HIV. Ao processar o escritório, o personagem precisa enfrentar também a discriminação relacionada à doença e à sua orientação sexual.
“Os Sete de Chicago” (2020)
Baseado em acontecimentos reais, o filme acompanha ativistas levados a julgamento após protestos contra a Guerra do Vietnã, em 1968. Acusados de conspiração e incitação ao tumulto, eles enfrentam um processo atravessado pelo conflito político da época. A produção, com Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne, recebeu seis indicações ao Oscar.
“O Júri” (2003)
Nem toda disputa acontece diante do juiz. Em “O Júri”, uma viúva processa uma indústria de armas após a morte do marido, enquanto personagens tentam interferir no resultado do lado de fora do tribunal. Gene Hackman, Dustin Hoffman e John Cusack integram uma trama em que a escolha dos jurados se transforma em alvo de manipulação e chantagem.
“Nuremberg” (2026)
O longa com Russell Crowe e Rami Malek retorna aos julgamentos de integrantes do regime nazista após a Segunda Guerra Mundial. Baseada no livro “O Nazista e o Psiquiatra”, de Jack El-Hai, a história acompanha um psiquiatra do Exército norte-americano encarregado de avaliar um dos líderes nazistas num período em que ainda não havia um modelo consolidado para um tribunal penal internacional.
Separados por décadas e contextos históricos distintos, os cinco filmes partem de uma mesma tensão: no tribunal, a disputa jurídica também revela as forças políticas, sociais e pessoais que cercam uma decisão.
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