segunda-feira, 5 de outubro de 2026
SELIC

El Niño e petróleo podem influenciar queda dos juros e pressionar Goiás em 2027

Alta dos combustíveis, riscos climáticos e incerteza fiscal podem dificultar novos cortes da Selic e afetar consumo e crescimento da economia goiana

João César Almeidapor em
Juros
Foto: Antonio Cruz/ABr

A combinação entre El Niño, petróleo em alta e cenário fiscal pode limitar o ritmo de queda da taxa Selic e aumentar as pressões sobre a economia goiana em 2027. O mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros em 0,25 ponto percentual na reunião desta semana, chegando a 13,75% ao ano. O Boletim Focus projeta manutenção desse patamar até o fim de 2026.

Para 2027, o mercado estima crescimento de 1,45% da economia brasileira e inflação de 4,30%. Apesar da desaceleração recente dos preços, o cenário permanece cercado de riscos. A guerra no Oriente Médio já elevou os custos de combustíveis e alimentos e aparece como um obstáculo para uma redução mais rápida dos juros.

Segundo a economista Greice Guerra, a alta do petróleo pode influenciar diretamente as próximas decisões do Banco Central, uma vez que o encarecimento da commodity aumenta custos e pressiona os preços dos produtos finais. “Isso provoca aumento nos insumos nas matérias primas para a produção dos bens finais e serviços também. Então, o produtor e a indústria têm que repassar esses aumentos para os preços dos produtos finais, o que acarreta na inflação e dificulta a vida do Banco Central em cortar a Selic”, afirma.

El Niño

A probabilidade de um El Niño forte chegou a 97%, com potencial para pressionar especialmente hortaliças e produções de ciclo curto. Esse cenário aumenta a incerteza e pode contribuir para uma postura mais cautelosa na redução das taxas de juros, já que a diminuição da oferta provocada por secas prolongadas ou excesso de chuvas pode atingir também grãos, como soja e milho.

Nesse cenário, a economia goiana pode ser impactada pela relevância da produção agrícola e pecuária. Greice aponta que uma eventual redução na oferta de grãos pode encarecer insumos utilizados na agricultura e na pecuária. “Isso fortalece a inflação, porque os produtores rurais vão ter que repassar o custo disso para a oferta dos seus produtos”, avalia. Na visão da especialista, a combinação entre clima adverso e petróleo mais caro pode dificultar a queda dos juros no médio e no longo prazo.

Na avaliação do economista Luiz Carlos Ongaratto, o fenômeno pode prejudicar a produção de grãos, especialmente no plantio previsto para outubro e novembro. Nesse caso, se a produtividade ficar abaixo do esperado, Goiás poderá sofrer impactos no crescimento do Produto Interno Bruto em 2027.

Mesmo assim, Ongaratto pondera que os efeitos do El Niño não serão iguais em todas as regiões ou atividades e ressalta que não é possível atribuir antecipadamente uma inflação maior apenas ao fenômeno climático.

Os preços de soja e milho dependem das cotações de mercado e, até o momento considerado na análise, não apresentavam alta expressiva. Além disso, o aumento do endividamento e a redução do consumo das famílias diminuem a capacidade de repasse de preços pelas empresas.

Consumo e política fiscal

Os juros elevados também podem prolongar os efeitos da desaceleração sobre consumidores e empresas. Greice Guerra avalia que, se a Selic cair de forma lenta, a recuperação do consumo das famílias e do setor produtivo também tende a ocorrer gradualmente. Crédito mais caro limita compras financiadas, investimentos empresariais e decisões de expansão, cenário que pode afetar comércio, serviços, indústria e agropecuária em Goiás.

Outro componente a ser levado em consideração será a política fiscal. Ongaratto considera que o principal risco para o ambiente econômico é a falta de controle dos gastos públicos, que pode alimentar a inflação e piorar as condições para investimentos. Greice também relaciona um cenário fiscal mais equilibrado a uma maior possibilidade de redução dos juros pelo Banco Central.

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Tags:
banco central Goiás Juros Selic

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