Dólar cai mais de 4% e ações brasileiras disparam após primeiro turno
Moeda norte-americana voltou a ser negociada abaixo de R$ 5, enquanto fundo que reúne papéis de empresas brasileiras avançou em Nova York
O mercado financeiro iniciou esta segunda-feira (5) com forte valorização dos ativos brasileiros, após o resultado do primeiro turno das eleições. O dólar abriu em queda superior a 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5. No exterior, ações de empresas brasileiras também registraram altas expressivas.
Na abertura dos negócios, a moeda norte-americana era cotada a aproximadamente R$ 4,99, com recuo de 4,3%. Por volta das 9h09, o dólar à vista caía 4,44%, vendido a R$ 4,985. A cotação poderá sofrer novas alterações ao longo do pregão.
A movimentação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%. O desempenho do candidato do PL contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas durante a reta final da campanha.
Ações brasileiras sobem em Nova York
Antes mesmo da abertura do mercado brasileiro, os ativos do país já apresentavam valorização no exterior. O EWZ, principal fundo de índice que acompanha ações de grandes empresas brasileiras, chegou a subir quase 10% no mercado futuro dos Estados Unidos ainda na noite de domingo.
Na manhã desta segunda, o avanço do fundo chegou a aproximadamente 12,7% em Nova York. As ações da Petrobras negociadas nos Estados Unidos subiram quase 10% antes da abertura do mercado, enquanto os papéis da Vale também registraram alta.
O EWZ funciona como uma referência do comportamento dos ativos brasileiros no exterior. A alta indica aumento da procura de investidores estrangeiros por papéis ligados ao país.
Mercado avalia cenário político e fiscal
Analistas relacionam o movimento à avaliação de que o desempenho da oposição e a composição mais conservadora do Congresso podem reduzir, inicialmente, a percepção de risco sobre os investimentos brasileiros.
A expectativa de parte do mercado é de que uma eventual mudança de governo possa resultar em maior controle das contas públicas e facilitar a aprovação de reformas. Essa avaliação representa uma expectativa dos investidores e não uma garantia sobre o comportamento futuro da economia.
Em nota, a Eleven Financial Research afirmou esperar uma reação positiva do Ibovespa, especialmente entre empresas mais endividadas, companhias de menor porte e negócios com margens mais reduzidas.
A instituição também avaliou que o fortalecimento do real poderia diminuir a pressão sobre a inflação e favorecer a queda dos juros. Fundos imobiliários, de infraestrutura e do agronegócio também poderiam ser beneficiados nesse cenário.
“O desempenho do candidato da oposição e a mudança na composição do Congresso justificam uma redução inicial do prêmio de risco brasileiro, o que favorece Bolsa, real e redução das taxas futuras de juros”, afirmou Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
O Ibovespa já havia fechado a sessão anterior com alta de 2,63%, aos 192.114 pontos. Os números desta segunda-feira são parciais e poderão mudar até o encerramento do mercado.
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