Exportação de carne goiana cresce 16,9% impulsionada por salto nas vendas aos EUA
Proteína animal atinge receita de US$ 2,27 bilhões até setembro e amplia participação na balança comercial do Estado
A produção de proteína animal em Goiás consolida, pelo terceiro ano consecutivo, um cenário de expansão no mercado internacional. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações de carnes do Estado somaram US$ 2,27 bilhões, representando um crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o setor já havia registrado alta de 18,7% frente a 2024. O movimento fez com que a participação do segmento na balança do agronegócio goiano saltasse de 21,8% para 26%.
De acordo com dados do Comex Stat, presentes no Painel de Comércio Exterior da Plataforma Aroeira, gerida pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), as proteínas animais de Goiás já alcançam 131 países. Neste ano, Estados Unidos e China lideram de forma conjunta as importações do produto goiano.
A demanda norte-americana por carne bovina teve um salto expressivo de 67,3% em 2026, chegando a US$ 458,8 milhões, enquanto a China consumiu US$ 420,9 milhões. O México aparece na terceira posição com compras totais de US$ 173,3 milhões (sendo 92,8% relativos à carne bovina).
Para a gerente de Inteligência de Mercado da Seapa, Christiane de Amorim, o avanço reflete a estruturação do setor. “Esse crescimento é resultado de uma combinação de fatores, principalmente da qualidade da produção, da sanidade e da busca pela abertura de novos mercados. O Estado conta com um sistema de defesa agropecuária que atua na prevenção e no controle de doenças, contribuindo para a segurança sanitária”, explica.
A gerente destaca que a maior parte da carne bovina exportada pelo Estado é do tipo in natura.
Christiane aponta que o sucesso nos Estados Unidos comprova a competitividade do produtor local. “Esse avanço mostra a capacidade da nossa carne bovina em conquistar espaços, inclusive nos mercados mais exigentes. Esse movimento está relacionado à forte demanda norte-americana, aliada às condições de oferta do Brasil e aos nossos preços, que são muito competitivos no cenário internacional”, avalia.
Estratégia de pulverização
Apesar de recentes restrições impostas pela União Europeia (UE) a produtos brasileiros, o ritmo de exportações de Goiás não foi abalado. A estratégia do Estado é apostar na diversificação para não depender de um único comprador. Porém, Christiane ressalta a importância diplomática e comercial do bloco europeu.
“A União Europeia é um mercado estratégico principalmente por ser uma vitrine. Quem vende para lá está habilitado a vender para qualquer outro país, pois existe uma tendência de as outras nações usarem a UE como referência de exigência sanitária. Mas, ao chegarmos a 131 países, reduzimos a dependência de mercados específicos e compensamos eventuais dificuldades operacionais”, detalha.
Abastecimento interno
Um ponto é o mercado doméstico, que mesmo com o aumento nas exportações, não é reduzido. O titular da Seapa, Ademar Leal, ressalta o equilíbrio da matriz produtiva de Goiás. “Temos condições de ampliar cada vez mais nossa presença lá fora e atender à demanda internacional sem deixar de atender às necessidades do mercado interno”, garante o secretário.
Christiane explica que a estruturação pecuária suporta os dois focos. “Esse crescimento das exportações não representa necessariamente uma redução de oferta no mercado interno. A cadeia tem capacidade de atender diferentes frentes. O objetivo é fortalecer a atividade, que gera muita renda, sem perder de vista o abastecimento da população goiana”, conclui.
Complexo Soja
Embora as carnes tenham ganhado fatias maiores nas exportações, o “complexo soja” (grão, farelo e óleo) segue liderando a balança comercial do agronegócio goiano, respondendo por 61,9% das vendas externas. O segmento somou US$ 5,41 bilhões de janeiro a setembro, mantendo estabilidade financeira (alta de 0,2%), favorecida por uma valorização de 7,4% no preço médio da tonelada, cotada a US$ 426,89. A China continua como o grande parceiro neste segmento, absorvendo 83,8% da soja exportada por Goiás.
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