quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Economia

Desenrola 3.0 prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas, diz Fazenda

Desenrola 3.0: bancos poderão participar de leilão de dívidas a partir desta semana

Otavio Augustopor em
Desenrola 3.0 prevê renegociar R$ 90 bilhões em dívidas, diz Fazenda
Foto: Divulgação

O governo federal estima que o Desenrola 3.0 permita renegociar inicialmente R$ 90 bilhões em dívidas de brasileiros. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que as instituições financeiras poderão manifestar interesse em participar do leilão previsto no programa a partir de quinta-feira (21).

Apesar do volume estimado de débitos, o custo máximo dessa etapa deve chegar a R$ 9 bilhões, considerando o deságio de 90% previsto na medida provisória que instituiu o programa. O mecanismo permite que a União adquira carteiras de crédito por um valor inferior ao total das dívidas.

Segundo Durigan, os bancos deverão apresentar as dívidas separadas por faixas de renda. Dessa forma, o governo pretende estruturar o leilão para atender prioritariamente pessoas com menor renda e microempreendedores individuais (MEIs).

“Estamos fazendo uma chamada aos bancos para que eles se organizem e apresentem o exato volume pelas diferentes faixas dos credores. Nessa chamada de interesse vamos permitir que várias faixas de renda sejam apresentadas, mas nosso foco são faixas de renda menores”, afirmou o ministro a jornalistas.

O chamamento público será direcionado às instituições financeiras. De acordo com Durigan, o programa não prevê uma renegociação direta entre pessoas físicas e os bancos nessa etapa.

 

 

 

Como vai funcionar o leilão de dívidas?

A previsão do Ministério da Fazenda é realizar o leilão em meados de novembro. O procedimento permitirá que as instituições financeiras apresentem as carteiras de crédito que poderão integrar o programa, de acordo com os critérios estabelecidos pelo governo.

O modelo prevê a aquisição de dívidas com deságio. Na prática, isso significa que a União poderá comprar os débitos dos bancos por uma fração do valor original. Posteriormente, os beneficiários terão acesso a condições específicas para quitar os compromissos financeiros.

O governo estima que a fase inicial envolva R$ 90 bilhões em dívidas. Como o programa prevê um desconto mínimo de 90% na aquisição desses débitos, o custo máximo estimado para essa etapa será de R$ 9 bilhões.

Entretanto, o valor final dependerá das carteiras apresentadas pelas instituições financeiras e das condições definidas para as operações.

Durigan também afirmou que o calendário do programa não depende do resultado das eleições presidenciais, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Desenrola
Foto: Divulgação

Quais dívidas poderão entrar no Desenrola 3.0?

Anunciado pelo governo no fim de setembro, o Desenrola 3.0 prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras. Para essa operação, a estimativa inicial é de um custo de até R$ 15 bilhões para os cofres públicos, considerando o deságio de 90%.

O programa deverá contemplar dívidas de até R$ 10 mil relacionadas a cartão de crédito, incluindo modalidades rotativas e parceladas, além de empréstimos pessoais sem desconto em folha de pagamento.

Para participar, os débitos deverão estar atrasados há pelo menos dois anos e até quatro anos e meio, conforme os critérios previstos na medida provisória.

A proposta estabelece que a União adquira as carteiras de crédito das instituições financeiras e, em seguida, promova a reestruturação das dívidas. O objetivo é reduzir o peso das parcelas no orçamento das famílias e contribuir para a diminuição do endividamento.

As operações deverão ser conduzidas pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira pública, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal.

 

 

 

Como os consumidores poderão pagar os débitos?

Após o leilão e a definição das condições de participação, os devedores poderão quitar as dívidas à vista ou de forma parcelada. Os descontos poderão chegar a 90%, conforme as regras aplicáveis a cada operação.

No caso do pagamento parcelado, haverá cobrança de juros. Os prazos, as taxas e as demais condições ainda deverão ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Portanto, embora o programa já tenha diretrizes estabelecidas pela medida provisória, os detalhes necessários para a adesão dos consumidores ainda dependem da regulamentação.

A expectativa é que a participação dos bancos no leilão ajude a determinar o volume de dívidas efetivamente incluído e as condições oferecidas aos beneficiários.

O que diz o governo sobre a proposta?

Durigan afirmou que o Desenrola 3.0 foi concebido como uma política de Estado. Ao comparar a iniciativa com uma proposta defendida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o ministro criticou a possibilidade de congelar dívidas de pessoas físicas por determinado período.

Segundo o ministro, a alternativa apresentada pela oposição poderia provocar um calote generalizado no sistema financeiro. A declaração foi feita ao comentar as diferenças entre as propostas para reduzir o endividamento da população.

A iniciativa do governo, por sua vez, prevê a compra de carteiras de crédito, a aplicação de descontos e a renegociação dos débitos dentro de regras específicas.

Com a abertura do chamamento às instituições financeiras, o próximo passo será organizar as carteiras de crédito e preparar o leilão previsto para novembro. Depois disso, a regulamentação deverá estabelecer as condições para que os consumidores possam renegociar os débitos contemplados pelo programa.

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