Importação de relógios cresce 41,9% e Suíça lidera mercado brasileiro
Compras internacionais somaram US$ 103,7 milhões até agosto, enquanto as importações de relógios automáticos avançaram 33,7% em um ano
O Brasil gastou US$ 103,7 milhões na importação de relógios de pulso entre janeiro e agosto de 2026, alta de 41,9% em relação aos US$ 73,1 milhões registrados no mesmo período de 2025. Os dados do Comex Stat, plataforma de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram a expansão do valor movimentado pelo setor e a liderança da Suíça no fornecimento desses produtos ao mercado brasileiro.
As compras de relógios suíços somaram US$ 58,5 milhões nos oito primeiros meses do ano, o equivalente a 56,4% do total importado pelo país. A participação suíça foi ainda mais expressiva entre os relógios automáticos, categoria que movimentou US$ 38,5 milhões, avanço de 33,7% em um ano. Nesse segmento, os fabricantes suíços responderam por 89% do valor importado, conforme os dados do levantamento.
O resultado evidencia a presença da indústria suíça no comércio brasileiro de relojoaria, especialmente em uma categoria que reúne produtos com diferentes faixas de preço e características técnicas. O aumento do valor das importações, entretanto, não significa necessariamente que o país tenha comprado uma quantidade proporcionalmente maior de relógios. Para avaliar essa diferença, é preciso considerar também o volume de unidades e o preço médio dos produtos.

Suíça lidera o fornecimento de relógios ao Brasil
A participação suíça se destaca no resultado acumulado entre janeiro e agosto. Dos US$ 103,7 milhões gastos pelo Brasil com relógios de pulso importados, US$ 58,5 milhões corresponderam a produtos provenientes desse país europeu. A fatia de 56,4% demonstra a concentração do mercado em um dos principais polos mundiais da indústria relojoeira.
Nos relógios automáticos, a presença suíça foi ainda maior. A categoria movimentou US$ 38,5 milhões no período, com crescimento de 33,7% na comparação com os oito primeiros meses de 2025. Os fornecedores suíços concentraram 89% do valor importado nesse segmento.
Exportações suíças mostram cenário internacional desigual
Apesar do avanço das importações brasileiras, a indústria relojoeira suíça enfrenta um cenário internacional de oscilações. Dados da Federação da Indústria Relojoeira Suíça (FH) mostram que as exportações do setor somaram 12,8 bilhões de francos suíços no primeiro semestre de 2026, queda de 0,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. As vendas externas de relógios de pulso totalizaram 12,2 bilhões de francos, recuo de 0,6%.
O volume exportado, por outro lado, cresceu. Mais de 7 milhões de relógios de pulso deixaram a Suíça entre janeiro e junho, aumento de 2,3% na comparação anual. Foram aproximadamente 162 mil unidades a mais do que no primeiro semestre do ano anterior.
A diferença entre os resultados de valor e quantidade indica que o desempenho financeiro não depende apenas do número de peças comercializadas. A composição dos produtos vendidos e os preços também influenciam o resultado. No período, os relógios mecânicos com preço de exportação inferior a 500 francos suíços registraram aumento de 23,8% em volume, enquanto a faixa entre 500 e 3 mil francos apresentou queda de 5,7% em valor.

Logística e tributação influenciam o custo da importação
A entrada de relógios estrangeiros no Brasil envolve despesas que vão além do preço de aquisição. Frete internacional, seguro, tributos, armazenagem e procedimentos aduaneiros integram a composição do custo final da mercadoria.
O transporte aéreo pode ser utilizado para cargas de alto valor que exigem deslocamento rápido. A escolha do modal, contudo, depende das características da operação, do prazo necessário e dos custos envolvidos. A segurança e a rastreabilidade também são relevantes para o acompanhamento da mercadoria durante o transporte.
A tributação depende da classificação fiscal do produto, do regime aplicável e das regras vigentes no momento da importação. Por isso, o valor registrado nas estatísticas de comércio exterior não deve ser confundido com o preço final pago pelo consumidor brasileiro.
Para o mercado de relógios, os números de janeiro a agosto de 2026 apontam aumento expressivo dos gastos brasileiros e concentração do fornecimento na Suíça. Os próximos resultados poderão mostrar se essa tendência continuará até o fim do ano e se o avanço financeiro será acompanhado por crescimento no volume de unidades importadas.
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