México suspende importações de frango brasileiro e Goiás reforça vigilância sanitária
Suspensão ocorreu após foco da doença de Newcastle em uma granja de Santa Catarina; Goiás não registra casos desde 2001
A suspensão das importações de produtos avícolas brasileiros pelo México acendeu um alerta para o setor de frango em Goiás. A medida foi anunciada após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, em Santa Catarina. Embora o caso não tenha sido registrado no Estado, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) intensificou as orientações aos produtores e mantém o monitoramento sanitário das criações.
Em resposta ao O HOJE, a Agrodefesa informou que Goiás possui cerca de 860 granjas comerciais de aves destinadas à produção de carne e ovos. A preocupação envolve não apenas a saúde dos animais, mas também a manutenção dos mercados internacionais. No primeiro semestre de 2026, o Estado exportou 156 mil toneladas de carne de frango, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025, quando os embarques somaram 131,1 mil toneladas.
Os dados são do Painel de Comércio Exterior da Plataforma Aroeira, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa). A receita com as vendas externas também aumentou: passou de US$ 258,5 milhões nos primeiros seis meses de 2025 para US$ 315,8 milhões no mesmo intervalo deste ano de 2026, crescimento de 22,2%.
Exportações goianas em alta
A China foi o principal destino da carne de frango goiana no primeiro semestre, responsável por 16,7% da receita obtida com as exportações. Na sequência, aparecem Japão (13,9%), Emirados Árabes Unidos (12,5%), Arábia Saudita (8%) e Coreia do Sul (4,8%).
O México foi o sétimo maior comprador da carne de frango brasileira em 2025, quando importou 244,4 mil toneladas, equivalentes a 4,73% das exportações nacionais do produto. A suspensão anunciada pelo país inclui carne de frango e outros produtos avícolas, como aves vivas e ovos férteis.
Fiscalização alcança 860 granjas
O acompanhamento das propriedades goianas é feito por meio do Programa Estadual de Sanidade Avícola (Pesa), que prevê fiscalização, monitoramento da saúde das aves, cadastramento dos estabelecimentos e controle do transporte dos animais.
Segundo a Agrodefesa, metade das granjas comerciais registradas recebe visitas presenciais das equipes anualmente. Os demais estabelecimentos passam por auditoria documental, com base nos registros de acompanhamento dos médicos-veterinários responsáveis. Todas as granjas também precisam renovar o cadastro a cada ano.
Durante as visitas, os fiscais verificam as instalações, a saúde e o bem-estar dos animais e o cumprimento das regras de biossegurança. A vigilância inclui ainda a coleta de amostras para investigar a circulação dos vírus causadores da doença de Newcastle e da influenza aviária. No ciclo de 2026 e 2027, a previsão é visitar e coletar amostras em mais de 240 propriedades goianas.
De acordo com Rafael Vieira, diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, o Estado não registra um foco da doença de Newcastle desde 2001. Naquele ano, houve uma ocorrência em uma propriedade de criação de aves para consumo próprio, em Nova Roma. Desde então, não foram confirmados novos focos em Goiás.
Estado reforça orientações aos produtores rurais
Após a confirmação do caso em Santa Catarina, a Agrodefesa ampliou a comunicação com produtores rurais, médicos-veterinários e integrantes da cadeia avícola. O órgão também mantém contato com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para acompanhar as medidas de controle.
A agência orienta que suspeitas sejam comunicadas pelo Disque-Denúncia, no telefone 0800 201 8555, pelo WhatsApp (62) 98164-1188 ou em um dos 237 escritórios locais. O objetivo é permitir que sinais de doenças respiratórias ou alterações nervosas nas aves sejam investigados rapidamente.
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Entre os sintomas estão problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, queda na produção de ovos e, nos casos graves, elevada mortalidade. A enfermidade não deve ser confundida com a influenza aviária, conhecida como gripe aviária.
Carne inspecionada continua segura
Apesar dos impactos sobre a saúde dos animais e o comércio internacional, a doença de Newcastle não representa risco significativo à saúde humana. De acordo com o Ministério da Agricultura, o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção oficial permanece seguro.
Em Santa Catarina, a propriedade afetada foi interditada e teve a movimentação de aves suspensa após a confirmação do foco em 18 de outubro. O Mapa informou que iniciou ações de contenção e erradicação e prevê o monitoramento de aproximadamente 133 propriedades na região.
As medidas seguem os protocolos sanitários previstos para controlar a doença e evitar sua disseminação.
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