Sete mercados municipais preservam história e tradição de Goiânia
Criados a partir da expansão de Goiânia, os espaços reúnem comércio, gastronomia, artesanato, manifestações culturais e preservam práticas transmitidas entre gerações
Os mercados municipais de Goiânia passaram por transformações desde a criação da Capital, em 1933, e acompanharam mudanças no abastecimento, nos hábitos de consumo e na ocupação urbana. Distribuídos por diferentes regiões da cidade, os sete estabelecimentos reúnem atividades comerciais, produtos regionais, gastronomia, artesanato e manifestações culturais. A trajetória dos espaços também está relacionada à formação histórica da Capital e à preservação de práticas transmitidas entre gerações.
Fundada para substituir a antiga Cidade de Goiás como sede administrativa do Estado, Goiânia foi planejada como uma cidade moderna. O crescimento populacional, no entanto, exigiu a criação de estruturas públicas destinadas ao abastecimento de alimentos e ao atendimento da comunidade. Entre o início da década de 1940 e o final da década de 1980, os mercados passaram a integrar a estrutura comercial da Capital, com diferentes períodos de construção, inauguração e transferência de sede.
Para a pesquisadora Azenaide Lopes Pereira, da Universidade de Brasília (UnB), os mercados públicos desempenham um papel que vai além do abastecimento e da comercialização de produtos, pois também contribuem para a preservação do patrimônio cultural coletivo. Esses espaços reúnem práticas comerciais, artesanato, culinária e manifestações cotidianas que fazem parte da história e da identidade das comunidades. A convivência entre comerciantes e frequentadores, marcada pelas trocas sociais e pelo compartilhamento de experiências, participa da construção da memória coletiva das cidades.
O surgimento dos mercados públicos de Goiânia está relacionado ao movimento político-econômico da Marcha para o Oeste, na década de 1930, e ao plano urbanístico inicial elaborado por Atílio Corrêa Lima durante a gestão do interventor Pedro Ludovico Teixeira. De acordo com o estudo, antes da implantação de estruturas permanentes, o abastecimento ocorria de maneira improvisada em feiras livres e ranchos, com transporte de alimentos em carros de bois cobertos com couro. A criação dos mercados acompanhou a necessidade de organizar e centralizar o comércio de gêneros alimentícios na nova Capital.

Conheça a trajetória dos sete mercados municipais
A rede de mercados públicos de Goiânia é formada por sete estabelecimentos com histórias e características distintas. Ao longo das décadas, os espaços passaram por reformas, mudanças de denominação e adaptações nas atividades comerciais.
Mercado Central de Goiânia
O Mercado Central é o primeiro mercado público da Capital. A atividade começou no início da década de 1940, na Rua 4, no Setor Central, em uma área onde posteriormente foi construído o Edifício Parthenon Center. Após funcionar provisoriamente no Centro Comercial Popular, o mercado foi instalado definitivamente em 24 de outubro de 1986, na Rua 3, nº 322.
Com 6.787 metros quadrados distribuídos em três pavimentos, o estabelecimento abriga 101 permissionários nos dois primeiros andares. Entre os produtos comercializados estão queijos, farináceos, artesanatos em palha e couro, doces caseiros e xaropes medicinais. No terceiro piso funciona o Restaurante do Trabalhador, destinado à oferta de refeições populares.
A gastronomia é uma das principais atividades do local, com destaque para a empada goiana, tradicional da culinária regional e associada ao turismo gastronômico da Capital.
Mercado do Bairro Popular
Construído em 1952, durante a gestão do prefeito Venerando de Freitas Borges, e entregue ao público em 1953, o Mercado do Bairro Popular está localizado na Rua 74, no Setor Central. O espaço foi projetado para abastecer a comunidade com produtos de necessidade básica e passou por restaurações e reformas ao longo das décadas.
Tombado como patrimônio cultural de Goiânia, o mercado também recebe atividades culturais. A área interna conta com palco permanente para apresentações artísticas e musicais gratuitas, que integram a programação do estabelecimento às atividades gastronômicas e comerciais.
Mercado de Campinas
As obras do Mercado de Campinas começaram em setembro de 1954, e a inauguração ocorreu em 29 de janeiro de 1955. Localizado na esquina da Rua Benjamin Constant com a Avenida São Paulo, no bairro de Campinas, o estabelecimento foi, durante décadas, um dos principais centros de abastecimento de hortifrutigranjeiros e carnes da região oeste.
Com a expansão dos supermercados, os comerciantes adaptaram as atividades e ampliaram a oferta de serviços especializados e produtos regionais. Reinaugurado em junho de 2008, o mercado reúne 79 permissionários em lojas com sobreloja e dispõe de área para eventos culturais.
Entre as atividades comerciais estão consertos de utensílios domésticos, lanchonetes, sapatarias, açougues especializados em carne de sol e bancas de ervas medicinais.
Mercado Municipal da Vila Nova
Inaugurado em 1957, o Mercado Municipal da Vila Nova está localizado na 5ª Avenida, no Setor Vila Nova, em uma área pública pertencente à Praça Boaventura Moreira de Andrade.
A construção ocorreu no formato de condomínio, em parceria com a Construtora Enac (Empresa Nacional de Mercados Ltda.). O acordo permitiu à empresa alienar salas no anel externo, enquanto a Prefeitura manteve o anel central. A estrutura resultou na convivência entre locatários privados e permissionários públicos.
A história do mercado está ligada à formação do Setor Vila Nova e à presença de imigrantes nordestinos que trabalharam na construção da Capital. Atualmente, o estabelecimento concentra atividades relacionadas à comercialização de ervas e raízes medicinais, além de receber eventos culturais comunitários.
Mercado Centro-Oeste
Construído em 1958, durante a gestão do prefeito Iris Rezende Machado, o estabelecimento começou a funcionar com o nome de Mercado Municipal da Vila Operária. Localizado na Rua P-25, no Setor Centro-Oeste, passou por reformas na década de 1990 e adotou oficialmente a denominação Mercado Centro-Oeste em 2000.
Mercado do Setor Pedro Ludovico
Fundado em 1963, durante a administração do prefeito Hélio Seixo de Brito, o Mercado do Setor Pedro Ludovico funcionava inicialmente em uma estrutura de madeira. O prédio foi reconstruído em alvenaria em 1968 e passou por reformas em 1996, 2004 e 2008.
Localizado na Avenida Circular, no Setor Pedro Ludovico, o mercado teve as antigas bancas transformadas em salas com mezanino. Atualmente, reúne estabelecimentos comerciais e serviços variados, como correspondente bancário, açougues, lojas de vestuário e eletrônicos, além de espaço para eventos culturais.
Mercado Centro Comercial Popular
Conhecido como Camelódromo do Centro, o Mercado Centro Comercial Popular foi fundado em 1986, durante a gestão do prefeito Daniel Antônio de Oliveira. Localizado na Rua 4-A, no Setor Central, o estabelecimento foi criado para abrigar e regularizar comerciantes informais e ambulantes da região central.
O espaço reúne centenas de permissionários e passou por reestruturações relacionadas à segurança. Por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público e órgãos municipais, foram implantados sistemas de prevenção contra incêndios e medidas voltadas à organização do comércio.
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