Famílias sem recursos terão funeral e transporte de corpos gratuitos em Aparecida de Goiânia
Famílias em situação de vulnerabilidade poderão receber urna, itens para o velório e sepultamento público
Além da perda de um familiar, algumas famílias de Aparecida de Goiânia enfrentavam uma dificuldade: encontrar dinheiro para trazer o corpo de um hospital de Goiânia, por exemplo, e organizar o sepultamento. Uma nova regulamentação busca reduzir esse peso para quem não consegue pagar pelas despesas.
O Decreto Municipal nº 543, de 9 de outubro, estabelece os serviços funerários gratuitos destinados a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social. A lista inclui urna funerária, ornamentação, manto protetor, transporte para o velório e sepultamento em cemitérios públicos.
Também está previsto o traslado de corpos de pacientes que morreram em outros municípios. A medida atende a uma dificuldade levada à Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) e discutida com a prefeitura e o Ministério Público de Goiás (MPGO).
Transporte era uma das dificuldades
O problema chegou à Defensoria em 2023, por uma denúncia à Ouvidoria-Geral. O relato apontava a falta de transporte gratuito de corpos entre Goiânia e Aparecida, além do fornecimento do manto protetor, utilizado nos serviços funerários. Segundo o defensor Felipe Takayassu, muitas dessas famílias tinham parentes que procuraram atendimento na rede pública de Aparecida e precisaram ser transferidos pelo SUS para hospitais da capital. “Em regra, trata-se de pessoas que buscaram a rede pública municipal de saúde em Aparecida de Goiânia e, por necessidade médica, foram transferidas via SUS para hospitais da capital, onde faleceram”, explicou.
Quando o paciente morria, os familiares precisavam buscar recursos para levá-lo de volta. Sem dinheiro, recorriam à ajuda de parentes e amigos para pagar pelo transporte e pelo funeral.
O que será oferecido?
Para as famílias contempladas, os serviços incluem:
- Urna funerária;
- Ornamentação mortuária;
- Manto protetor;
- Transporte do corpo para o local do velório;
- Traslado de pacientes falecidos em outros municípios;
- Sepultamento em cemitério público.
As empresas responsáveis deverão prestar o atendimento em até 24 horas após receberem a requisição da Central de Óbitos.
O decreto também prevê assistência a pessoas indigentes ou não identificadas cujos corpos sejam recolhidos em Aparecida. Nesses casos, estão incluídos urna, manto, traslado e sepultamento público.
Atendimento sem depender de uma ação judicial
A Defensoria chegou a recorrer à Justiça para resolver uma situação individual. Depois, passou a buscar regras que pudessem atender outras famílias sem a necessidade de abrir um processo para cada caso.
As conversas com o município e o Ministério Público resultaram no decreto. A proposta é que os serviços tenham cobertura definida e prazo de atendimento, evitando que a falta de dinheiro impeça a realização do velório e do sepultamento.
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