Goiânia bate recorde de vendas de imóveis e avança em ranking nacional
Crescimento demográfico e aquecimento da economia impulsionam expansão urbana e imobiliária da Capital
Goiânia ultrapassou a marca de 1,5 milhão de habitantes, ao atingir 1.511.709 moradores, e registrou um crescimento populacional de 0,56% em um ano, o que a coloca como a nona capital que mais cresceu no País. Com isso, a capital goiana consolidou-se como a décima cidade mais populosa do Brasil e se aproxima de Recife, com potencial para ultrapassar a capital pernambucana no início da próxima década, caso o ritmo atual seja mantido.
Esse avanço demográfico vem acompanhado por um aumento na eficiência econômica e administrativa. No Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Goiânia subiu 27 posições e alcançou o 68º lugar entre as 5.570 cidades do País, o melhor resultado de sua série histórica.
O reflexo disso é a expansão do mercado imobiliário local, enquanto as vendas de unidades residenciais no Brasil cresceram 5,4% no primeiro semestre de 2026, Goiânia registrou uma expressiva alta de 42% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, foram comercializadas 7.219 unidades, marcando o maior volume semestral já registrado na série histórica e consolidando a cidade como a quarta capital que mais vendeu imóveis no País neste ano.
O Valor Geral de Vendas (VGV) no período foi de R$ 4,1 bilhões. Segundo o diretor de Pesquisas e Estatísticas da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Credson Batista, esse forte avanço impressiona por acontecer “mesmo em um cenário de juros elevados, que restringe a capacidade de financiamento das famílias”.
A alta procura impactou a valorização das propriedades, elevando o preço médio do metro quadrado residencial na Capital para R$ 11.681, o que representa uma alta de 7,4% apenas nos primeiros seis meses de 2026. O profissional do setor de imóveis Bruno Baiocchi explica que os compradores estão valorizando cada vez mais a qualidade de vida, priorizando morar perto do trabalho, de parques, escolas e serviços. Por conta dessa conveniência, bairros como Marista, Bueno, Jardim Goiás e Oeste concentram a maior demanda. Nesses setores consolidados, o preço médio atinge R$ 13.147 por metro quadrado, com destaque para o Marista, que chega próximo a R$ 14 mil.
Para compradores com outros perfis de orçamento, Baiocchi aponta o potencial de expansão do eixo sudoeste da cidade, englobando bairros como Eldorado e Faiçalville, que vêm atraindo moradores e estimulando a abertura de novos comércios. Além disso, o mercado de imóveis usados também possui grande relevância para a economia da Capital, ao movimentar mais de R$ 8 bilhões por ano.
Apesar do cenário de expansão no mercado de alto e médio padrão, o segmento de habitação popular enfrenta gargalos. O estoque de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) encolheu 33,2% em Goiânia em 2026, passando a representar apenas 17% do mercado imobiliário total da cidade.
Novas soluções
Na tentativa de criar novas soluções para a habitação e requalificar áreas urbanas ociosas, o poder público municipal tem implementado ações específicas. A Prefeitura de Goiânia sancionou a lei que cria o Programa Morar no Centro, uma iniciativa voltada a estimular a ocupação da região central ao subsidiar o pagamento de parte do aluguel para famílias.
O projeto permite a participação de inquilinos que ocuparem imóveis fechados há mais de 12 meses, antigas estruturas hoteleiras adaptadas para uso residencial ou novas construções.
O benefício será repassado diretamente aos proprietários por um período inicial de dois anos (prorrogável por mais um) e os imóveis locados pelo programa contarão com isenção de IPTU. A nova legislação também assegura que a prioridade de atendimento do auxílio será para mulheres chefes de família, idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças.
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