Delivery e canetas emagrecedoras mudam o mercado de alimentação no Brasil
Setor faturou R$ 495 bilhões em 2025 e projeta R$ 540 bilhões em 2026, enquanto novos hábitos exigem mudanças nos cardápios e na gestão dos negócios
O mercado de alimentação enfrenta mudanças no comportamento dos consumidores, que dividem suas escolhas entre restaurantes, delivery, refeições prontas e comida feita em casa. Além da busca por praticidade e preços acessíveis, o setor precisa considerar novos hábitos alimentares e a pressão sobre o orçamento das famílias.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor faturou R$ 495 bilhões em 2025, ante R$ 455 bilhões em 2024. Para 2026, a projeção é de R$ 540 bilhões. O crescimento, porém, ocorre em um cenário de custos elevados com ingredientes, mão de obra, aluguel e energia, o que exige atenção às margens de lucro.
Concorrência vai além dos restaurantes
A disputa não se limita aos estabelecimentos tradicionais. Supermercados, rotisserias, refeições prontas e serviços de entrega também atendem consumidores que buscam economizar tempo e dinheiro. Pesquisa da Galunion com 1.020 pessoas, realizada em abril de 2026, aponta que apenas 11% raramente ou nunca comem presencialmente em estabelecimentos de alimentação. Além disso, sete em cada dez pedem delivery ou retiram pedidos pelo menos duas a três vezes por mês.
Nesse cenário, preço, qualidade, tamanho das porções e conveniência influenciam as escolhas. Para os negócios, ampliar o cardápio sem planejamento pode elevar os gastos com estoque, preparo e desperdício.

Canetas emagrecedoras alteram hábitos de consumo
Medicamentos à base de GLP-1 também aparecem entre os fatores que influenciam a alimentação. Na pesquisa da Galunion, 16% dos entrevistados disseram já ter usado ou usar esses medicamentos. O índice chega a 25% entre pessoas de 18 a 24 anos e a 45% na classe A.
Entre quem usou ou usa os medicamentos, 91% afirmaram ter mudado hábitos ao comer fora. Desse grupo, 51% passaram a pedir porções menores ou comer menos; 50% evitam alimentos muito gordurosos; 41% procuram opções mais leves; 40% evitam doces; e 35% priorizam proteínas.
Os dados indicam mudanças nas preferências de parte dos consumidores, mas não significam que todos os estabelecimentos terão a mesma resposta. Ajustar porções e oferecer alternativas pode ajudar os negócios a atender diferentes necessidades sem ampliar excessivamente os custos.
Delivery e gestão pressionam a rentabilidade
A entrega em domicílio amplia o alcance dos estabelecimentos, mas exige atenção às despesas de operação. Levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF), em parceria com a Galunion, aponta que o delivery representa, em média, 22,5% do faturamento das redes de alimentação pesquisadas. A participação nas vendas, entretanto, não corresponde necessariamente ao lucro obtido com os pedidos.
O aumento da receita também não elimina os desafios de gestão. Pesquisa setorial citada pela Galunion aponta que 67% dos operadores consideram a gestão de pessoas um dos principais problemas do negócio. Planejar compras, controlar estoques, acompanhar desperdícios e prever a demanda são medidas que ajudam a proteger as margens. Ferramentas de inteligência artificial podem apoiar esse trabalho, desde que sejam alimentadas por dados confiáveis.

Empresas precisam rever a proposta de valor
Para acompanhar as mudanças, os negócios podem revisar preços, tamanhos de porções, combinações de pratos e opções individuais ou compartilháveis. A estratégia depende do público atendido e precisa considerar os custos de produção e a rentabilidade de cada item.
A experiência presencial continua relevante para encontros e comemorações, enquanto a conveniência pesa nas decisões de quem prefere pedir comida ou comprar refeições prontas. Por isso, acompanhar indicadores como tíquete médio, desperdício, margem e frequência de compra é fundamental para avaliar os resultados.
Com o setor projetando faturamento de R$ 540 bilhões em 2026, o desafio não é apenas vender mais, mas adaptar a operação a diferentes hábitos de consumo e manter a rentabilidade em um mercado cada vez mais disputado.
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