sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Passagens

Período de férias frusta expectativas do setor de turismo

Redução do preço da gasolina estimulou viagens de carro, o que prejudicou as vendas

Sabrina Vilelapor em

O setor de turismo e viagens tinha expectativa de alta movimentação no período das férias escolares. Entretanto, a alta dos preços das passagens aéreas e dos ônibus intermunicipais e interestaduais frustrou boa parte das agências de viagens. Outro fator que contribuiu para que o número de viagens não atingisse os patamares esperados foi a redução do preço da gasolina. Com o diesel nas alturas, as pessoas têm preferido viajar de carro para enfrentar uma viagem de ônibus.

Estudante, Laysa Silva Passos,18, diz que pagou mais caro na viagem para  a cidade de Campos Verdes. Ela desembolsou R$88 no trajeto até Santa Terezinha  de Goiás, mas de lá ela precisa pegar mais um ônibus para o destino final. “Está tudo muito caro. Eu moro em Pontalina e estou aproveitando as férias para ficar uma semana na cidade”. Normalmente a estudante prefere viajar de carro, mas por conta da gasolina tem se aventurado no ônibus mesmo.

Já Ana Clara França,20, prefere viajar de avião e retornou de Natal após passear por quatro dias. Ela foi junto com a mãe, que reclamou do preço mais alto das passagens. Para que elas conseguissem viajar acabaram usando o cartão de crédito como solução. “Foi muito bom ter viajado. Ficamos durante todo o período da pandemia sem fazer nenhum passeio, mas tivemos que dividir em várias vezes no cartão”.

Trabalho presencial atrapalhou

Por conta do período de férias escolares que vai até o dia 31 do mês de julho, a expectativa da administração do Terminal Rodoviário de Goiânia é que circulem cerca de 480 mil passageiros. 

Responsável por uma agência de turismo, Fábio Felipe Júnior, conta que o mês de dezembro teve um movimento melhor que julho. “Esse mês foi péssimo, esperava mais movimento”. Ele pontua que o preço das passagens estejam 25% mais caras que em relação ao ano passado, mas para alguns destinos a diferença chega a 50%. “Aqui o destino mais procurado foi o nordeste, e a passagem mais barata para lá é R$540”, aponta.

Já Waldemir José Gonçalves, acreditava que as vendas no mês de julho fossem “estourar”. Ele explica que com a redução do preço da gasolina, muitas famílias têm preferido viajar em carros próprios, já que o diesel não teve uma baixa significativa para conter o aumento das passagens. “Esse mês atendemos de 2 a 3 mil clientes, mas a expectativa era de mais de 6 mil”.

Leandro de Jesus Araújo acredita que outro motivo para a diminuição das viagens em julho é porque muitas pessoas conseguiram voltar para o mercado de trabalho após a pandemia e isso dificulta as viagens. “Aqui tem muitas viagens para Brasília, mas em sua maioria não é focado no turismo, mas sim a trabalho. Aqui é o lugar mais procurado. A passagem está agora R$80, mas antes era R$60. Enquanto no auge da pandemia chegou a ser R$5”.

Combustível é o vilão

Segundo o presidente do Procon Goiânia, Júnior Café, o mês de férias aumenta muito a venda de passagens e a quantidade de passageiros. “O aumento do mês de julho foi de uns 40% de passageiros. Tem até uma demanda maior na quantidade de veículos”.  Mas, nesse período muitas pessoas acabam se aproveitando e aumentando os valores ainda mais. Por causa do combustível o reajuste teve que ser repassado para os passageiros, visto que houve uma redução no valor da gasolina, mas o principal combustível usado pelos ônibus não apresentou redução, que é o diesel. “As viagens de curta quilometragem ou maior, tem um impacto muito grande nos custos das empresas”.

Na questão do transporte aéreo, o principal combustível que as aeronaves utilizam é a querosene – responsável por encarecer o preço do bilhete em até 50%. O presidente explica que o principal aditivo é o petróleo, no qual possui uma cotação internacional. Também outro fator que pesa são os commodities, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia. “Isso tem o impacto direto no preço das passagens gerando um valor mais substancial e bem mais salgado”, explica Café.

Reajuste para manter o equilíbrio financeiro das empresas

Coordenador de Fiscalização Regional da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Eduardo de Oliveira Silva, diz que o reajuste foi aprovado para que as empresas pudessem manter o equilíbrio fiscal “no intuito de fazer frente às despesas, para que não haja comprometimento dos serviços, principalmente no que tange, ao conforto e segurança dos passageiros”.

Silva acredita que além das empresas terem que manter veículos em perfeitas condições, elas devem garantir as gratuidades, bem como as contratações de seguro de responsabilidade civil. E que o reajuste do óleo diesel reflete até mesmo nos pneus do transporte.

Procon flagra irregularidades

A ‘Operação Férias’, que com foco nos atendimentos prestados aos passageiros que passam pelos terminais rodoviários e aeroporto da capital, identificou 49 irregularidades e 74 autos de infração lavrados. 

Nas visitas, as equipes de fiscalização verificam, entre outros pontos, a disponibilização, de forma visível e objetiva, das informações pertinentes ao preço dos bilhetes de viagem, bem como o cumprimento do Estatuto do Idoso, cujo texto garante gratuidade ou descontos nas passagens. Também, o desconto mínimo de 50% do valor das passagens para jovens de baixa renda.

Erlan explica ainda que, caso haja algum imprevisto no dia da viagem, o consumidor tem o direito de remarcar ou cancelar a passagem. A desistência deve ser comunicada pelo menos três horas antes do embarque para receber o dinheiro de volta. “A Agência Nacional de Transportes Terrestres esclarece que, do valor total, a empresa pode descontar 5% do valor do bilhete e, nas situações de reembolso, deve restituir o cliente em até 30 dias”, orienta.

Direito do idoso

A ação também fiscaliza o cumprimento do Estatuto do Idoso, cujo texto garante gratuidade ou descontos nas passagens. Ainda, nas visitas, é observada a distribuição do desconto mínimo de 50% do valor das passagens para jovens de baixa renda.

O presidente do Procon alerta que é essencial estar atento com relação aos direitos tais como: verificar os preços, a não divulgação de informações – deve ser explicita, bem visível – os horários devem seguir o que é pedido. Se o passageiro não conseguir embarcar até três horas, o passageiro pode avisar a empresa que ela tem que remarcar e pode fazer a devolução dos valores.

No aeroporto não foi diferente, houve crescimento no número de passageiros e em consequência o número de reclamações como a demora dos voos, conexões e a não divulgação de algumas informações no momento do embarque. Caso o passageiro constate algumas situações o órgão faz a notificação, o termo de constatação e em muitos casos pode ser feita uma multa que pode chegar a R$10 mi de reais.

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