sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Inflação

Valor de cesta básica em Goiânia atinge R$ 642

Pesquisa aponta a oscilação dos valores pode chegar a 380% nos supermercados de Goiânia

Daniell Alvespor em

A cesta básica está custando R$ 50 mais cara em comparação ao último mês, chegando ao valor de R$ 642,35. Um levantamento feito pelo Programa de Defesa do Consumidor (Procon Goiânia) atesta aumento de 8,64% no preço da cesta básica. O valor passou de R$ R$ 591,27 para R$ 642,35. Em relação a maio (R$ 609,35), a variação foi de 5,42%.

A pesquisa realizada entre os dias 19 e 22 de julho, de 30 produtos da mesma marca, em 10 estabelecimentos da capital, constatou que a oscilação dos valores pode chegar a 380%. O preço do tomate comum apresentou maior variação. O produto pode ser encontrado de R$ 1,87 a R$ 8,99 o quilo.

Funcionária do lar, Thereza Glória, 45 anos, conta que sempre faz uma lista com os itens mais importantes em ordem de prioridades. Ela sempre vai ao supermercado nos dias de promoção para economizar o máximo possível. “Têm dias que não dá para comprar tudo ou precisa substituir uma marca pela outra”, explica. 

Segundo ela, a principal meta é economizar, já que os preços dos alimentos oscilam bastante. “Para quem ganha pouco não tem outra alternativa. Estamos trabalhando para poder comer e não sobra nada no final do mês”, aponta. 

Carne e leite

O levantamento também apurou que o preço da carne apresenta variação de quase 90%. O quilo do coxão mole pode ser comprado de R$ 35,90 a R$ 68,01. O leite teve variação de 41,63%, com oscilação entre R$6,99 e R$ 9,90. Já o preço do arroz tipo 1, teve a menor variação apontada na pesquisa, com diferença de até 22,85% (R$ 17,90 e R$ 21,99).

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os maiores valores da cesta básica estão na cidade de Florianópolis e São Paulo. Já os menores estão na cidade de Aracaju e Salvador. 

Aumento dos custos 

Para o economista Aurélio Trancoso, o aumento ocorreu devido ao aumento dos custos. “A alta pôde ser percebida em diversas áreas durante a pandemia e, consequentemente, os preços precisam ser repassados para os consumidores. Ele explica que, nos dois últimos anos, teve alta dos alimentos, energia elétrica e combustíveis. Tudo isso influenciou na alta dos produtos. “Tem sobrado produtos nas prateleiras, porém os consumidores não têm dinheiro”, revela. 

O cenário de hoje é o oposto do que ocorreu no início da pandemia, quando os consumidores estavam estocando alimentos com medo de faltar. Os supermercados tiveram que limitar a quantidade de produtos por cliente, já que os itens tinham data de validade curta. Quando a inflação começa a atingir os custos de produção, as pessoas vão ter dificuldades para manter as despesas apenas com um salário mínimo.

Variação 

As cinco maiores variações estão entre 380,75% e 100,29%, ou seja, uma diferença considerável. Com a pesquisa, o consumidor poderá economizar, pois, se realizar a compra pelo menor preço desses cinco itens, sua despesa será de R$ 14,00. Já se ele efetuar suas compras, e se deparar sempre com o maior preço, sua despesa será de R$ 37,55. Sendo assim, utilizando essa pesquisa como base para suas compras, o consumidor poderá economizar R$ 23,55, apenas nesses cinco itens, gerando uma economia considerável ao final de toda lista. 

A variação no preço do alimento é um acúmulo de muitas questões. Aumento do custo de mão de obra, da energia elétrica, transporte e gás. É o que aponta o mestre em Economia, Luiz Carlos Ongaratto. “Envolve o curso sistêmico de toda a economia. Tudo vai ajustando e tem um efeito cascata em cima do produto”, informa. 

Uma alternativa para aquela pessoa que faz compras uma vez no mês é tentar fazer semanalmente, aproveitando as ofertas dos supermercados, alerta o Procon Municipal. “Geralmente têm estabelecimentos que fazem promoção no setor de carnes, materiais de limpeza e outros. Além disso, é importante que o consumidor verifique se os itens são realmente necessários no mês para que possa economizar ainda mais”, sugere

Preços abusivos 

Na comparação entre as capitais pesquisadas, Goiânia estava em 8º lugar em abril, foi para 9° lugar em maio e se manteve em 9º no mês de junho, com cesta básica ao valor de R$ 674,08. Em caso de elevações abusivas de preço, o Procon Goiânia recomenda aos consumidores que denunciem pelos canais de atendimento: (62) 3524-2942, 3524-2936 e aplicativo Prefeitura 24hrs. (Especial para O Hoje). 

Orientações gerais para economizar:

O Procon Goiás recomenda que o consumidor estabeleça previamente, de acordo com seu orçamento doméstico, o limite que poderá ser gasto na compra em supermercado. Depois, faça uma lista dos produtos a serem adquiridos, iniciando pelos itens essenciais e em seguida os itens que podem ficar de fora caso seja necessário. 

Com a ajuda de uma calculadora, após avaliar preços e marcas diferentes, vá colocando no carrinho e fazendo as contas. Desta forma, após adquirir os produtos essenciais, saberá quanto ainda poderá gastar com os produtos não essenciais. Essa prática, além de auxiliar na conferência dos preços lançados no caixa, também evitará extrapolar o valor previamente estabelecido.

Dentro do supermercado, faça um roteiro. Isso ajuda a organizar o carrinho e, principalmente, a economizar. Compare os preços dos produtos entre as várias marcas, observando peso ou quantidade, data de fabricação e prazo de validade.

Analise sempre as ofertas do tipo “leve 3 e pague 2”, se realmente são reais e lucrativas. Pois não adianta levar, por exemplo, mais gelatina ou chá pra casa, se você já os tem em boa quantidade.

Ao adquirir produtos em grande quantidades como pacotes de macarrão instantâneo por exemplo, esteja atento à data de validade, principalmente nos produtos que estão no meio do pacote. Caso não esteja atento, poderá levar pra casa produtos com prazo de validade muito curto ou até mesmo com prazo de validade vencido.

Rejeite produtos congelados cujas embalagens de papelão estejam com bolhas, manchas ou danificadas. Isso denuncia mercadoria estragada, devido ao manuseio e a flutuação da temperatura.

Também não aceite embalagens que se apresentam com bloquinhos de gelo na superfície e verifique se há sinais de umidade próximo ao freezer, pois isso pode ser um indicativo de que o mesmo foi desligado ou teve a temperatura reduzida durante a madrugada, o que pode acabar comprometendo a qualidade do produto.

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Tags:
cesta básica Goiânia Inflação

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