quinta-feira, 16 de abril de 2026
Prestação de serviço

“Comurg acumula problemas desde 1979”, diz presidente da Companhia em CEI

Parlamentares sabatinaram, por mais de três horas, presidente do órgão. Clima ficou tenso quando vereador questionou o destino dos R$ 5 mi repassados à Comurg para reforma dos Cras da capital

Felipe Cardosopor Felipe Cardoso em 23 de março de 2023
Parlamentares sabatinaram, por mais de três horas, presidente do órgão | Foto: Reprodução
Parlamentares sabatinaram, por mais de três horas, presidente do órgão | Foto: Reprodução

O presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Alison Silva Borges, esteve, na tarde da última quarta-feira (22/3), na Câmara Municipal da cidade. Ele foi convocado para uma oitiva com os vereadores que recentemente instalaram uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a Companhia. Os parlamentares proporam a Comissão diante da insatisfação generalizada em relação à prestação do serviço, bem como as suspeitas em relação a contratos, repasses e licitações firmados pela pasta.

Durante a sabatina, que durou mais de três horas, o presidente do órgão disse ter chegado ao comando da Comurg com a pretensão de identificar os problemas. “Tenho, claro, a pretensão de resolver todos os problemas, mas eles não serão resolvidos em dois ou quatro anos. Estamos falando de problemas com mais de 40 anos. Hoje temos consolidados mais de R$ 30 milhões de débitos que atualizados chegam a casa dos R$ 160 milhões. Se a Comurg tivesse recebido esses valores, talvez ela não estivesse com a saúde fiscal como está agora”, declarou. 

Ele também assegurou que desde que assumiu o comando da pasta, repassou todos os problemas diagnosticados ao prefeito Rogério Cruz (Republicanos). “A prefeitura, inclusive, tomou algumas medidas. Fizemos reuniões quinzenais com vários secretários buscando uma saída para a resolução dos problemas. Uma delas foi a terceirização de alguns serviços que são vistos como gargalos na Companhia, outra saída que encontramos foi buscar os valores que são devidos à Comurg e que nunca antes alguém se atentou para esse fato”. 

Borges considerou como um dos maiores problemas o fato da Comurg aplicar recursos de seu próprio caixa para custeio dos compromissos de outras companhias e não ter esses valores devolvidos. “Estamos buscando um caminho para resolver isso. Esperamos que esses valores sejam devolvidos à Comurg via processo de liquidação”.

Ele assegurou que nunca antes a direção da Comurg enfrentou problemas como agora. E continuou: “Simplesmente não existe um plano de liquidação, ou seja, a Comurg continuaria cumprindo isso a de eterno. Já passamos esse problema para o corpo diretivo e estamos montando um plano de liquidação da empresa para que, ao final, possamos reaver esses valores”. E disparou, por fim, otimista: “A Comurg presta um serviço de excelência dentro de suas possibilidades. Não tenho dúvidas que ao final dessa gestão teremos uma empresa forte, pujante e que dará resultados positivos para a cidade”.

Cadê o dinheiro?

Durante o interrogatório, o vereador Paulo Henrique da Farmácia resolveu questionar o presidente sobre o pagamento de uma nota fiscal, por parte da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, no valor de R$ 5 milhões à Comurg. O vereador destacou que o dinheiro deveria ser destinado à reforma de Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e questionou o destino dos recursos uma vez que as unidades não se encontram reformadas. 

Borges disse, em um primeiro momento, que o dinheiro foi “repassado para custear o início das obras”. O vereador, por sua vez, indagou: “mas elas não foram feitas”. E o presidente retrucou: “É que diante da saúde financeira da empresa, que não tem capital de giro e historicamente acumulou déficits, pagamos, com esse dinheiro, os fornecedores que, inclusive, fornecem materiais de construção para as obras que nós executamos em nossos contratos”. 

Ele também disse que a Comurg “não pode ficar com dinheiro parado na conta”. E justificou: “Temos obrigações para cumprir, somos uma empresa deficitária”. Paulo Henrique, assim como o presidente da Comissão, Ronilson Reis, demonstraram insatisfação com a resposta. O primeiro chegou a considerar a elaboração de um requerimento para entender melhor a destinação dos recursos. Na contramão da interpretação dos vereadores, o presidente esboçou naturalidade: “todo dinheiro que entra é usado para isso”.

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