Show de Gal Costa em Salvador vira álbum póstumo
Gravado em 2003 no Teatro Castro Alves, registro inédito traz a cantora acompanhada apenas por violão e chega às plataformas com três faixas antecipadas
Vinte anos depois de ocupar o palco do Teatro Castro Alves, em Salvador, uma apresentação de Gal Costa reaparece como documento sonoro de rigor raro. Gravado em 22 de maio de 2003, o concerto, até então fora de catálogo, será lançado como álbum póstumo ainda neste ano, preservando um recorte preciso da cantora em situação de máxima exposição artística: voz e violão.
Sem a mediação de arranjos extensos, o registro evidencia o desenho interpretativo de Gal, sustentado por inflexões, pausas e escolhas de fraseado. Ao lado do violonista Luiz Meira, a cantora conduz um repertório que atravessa matrizes centrais da música brasileira, operando com economia formal e atenção aos detalhes.
Três faixas chegam às plataformas digitais nesta sexta-feira (17): “Eu vim da Bahia”, de Gilberto Gil, “Azul”, de Djavan, e “Força estranha”, de Caetano Veloso. A escolha antecipa o eixo do álbum, que privilegia composições já incorporadas ao repertório da intérprete, agora revisitadas sob outra perspectiva.
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O material passou por restauração conduzida pelo produtor Marco Mazzola, responsável por recuperar registros históricos da música popular brasileira. A edição resulta de parceria entre a MZA Music e a Biscoito Fino, selo que vem organizando lançamentos póstumos ligados à obra da artista.
O disco reúne composições que atravessam diferentes momentos da canção brasileira e recoloca em circulação uma apresentação até então restrita a arquivos. Ao fixar em áudio um concerto concebido para a escuta direta, o lançamento amplia o acesso a uma faceta menos documentada da cantora, marcada pela condução rigorosa da voz e pela interação contínua com o violão de Meira.