quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Proposta governista

Base mostra força e aprova, sem dificuldades, mudanças no Ipasgo

Iniciativa do governador Ronaldo Caiado foi aprovada de maneira definitiva por 27 votos no Parlamento. Apenas oito votaram contra

Luan Monteiropor em
Iniciativa do governador Ronaldo Caiado foi aprovada de maneira definitiva por 27 votos no Parlamento. Apenas oito votaram contra. | Foto: Carlos Costa
Iniciativa do governador Ronaldo Caiado foi aprovada de maneira definitiva por 27 votos no Parlamento. Apenas oito votaram contra. | Foto: Carlos Costa

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou, de maneira definitiva, o projeto de lei, assinado pelo governador Ronaldo Caiado (UB), que altera a natureza jurídica do Ipasgo. 

Para votar a matéria com celeridade, os deputados aprovaram um dia antes, ou seja, na quarta-feira, 19, a antecipação da sessão ordinária — realizada regimentalmente às 15h — para às 9h. Também foi aprovada a quebra de interstício, que é o prazo de 24h estabelecido pelo regimento interno entre uma votação e outra. 

O assunto dividiu opiniões durante tramitação no Parlamento. Enquanto uma ala dos deputados defendiam a alteração jurídica com base nas orientações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), outra parcela chamavam a mudança de “privatização” e diziam que a alteração afetaria drasticamente o futuro do instituto e seus servidores.

Líder da oposição, o deputado estadual Antônio Gomide (PT) votou contra o projeto. Durante a tramitação do texto na Casa de Leis, o petista chegou a apresentar um voto em separado contestando a mudança. No entanto, a iniciativa foi derrubada pela base governista, que forma ampla maioria no Legislativo. Os colegas de partido, Mauro Rubem (PT) e Bia de Lima (PT), também tentaram alterar o texto original, porém, sem sucesso. 

A oposição aglutinou apenas oito votos e terminou superada por outros 27 que levaram o texto à aprovação. Além dos três deputados citados, votaram contra o projeto outros cinco: Paulo Cezar (PL), Delegado Eduardo Prado (PL), Major Araújo (PL), Gustavo Sebba (PSDB) e José Machado (PSDB). 

Vale lembrar que com a alteração de regime jurídico, o Ipasgo passa a ter autonomia financeira e administrativa; imunidade em relação aos impostos federais e municipais; isenção de tributos estaduais; maior participação dos servidores, que integrarão os conselhos de administração e fiscal; além de passar a ser regido pela legislação civil. O instituto será gerido por uma diretoria executiva indicada pelo Executivo estadual. 

De acordo com o projeto, no Serviço Social Autônomo, o Governo de Goiás continua como controlador do Ipasgo e o serviço prestado será regulamentado e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

A Governadoria argumenta que, com isso, os 596 mil usuários do serviço de assistência à saúde passam a ter acesso a 879 procedimentos médicos que hoje não integram a tabela do Ipasgo, a outros oito atendimentos odontológicos, 1.758 medicamentos e 740 Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), insumos utilizados em intervenções médicas, odontológicas, de reabilitação, diagnósticas ou terapêuticas.

A alteração da natureza jurídica do instituto visa adequar o Ipasgo ao arcabouço legal e às regras de governanças, tal qual determinado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

A Corte de Contas imputou prazo ao Instituto, até o dia 31 de dezembro, para correção de distorção contábil que ocorre desde 2009, quando o Ipasgo deixou de gerir o regime de previdência dos servidores públicos, atribuição assumida pela Goiás Previdência (Goiasprev), e se tornou exclusivamente um serviço de assistência à saúde. 

Depois de pelo menos uma década de recomendações para correção do desajuste legal causado por essa mudança, o tribunal impôs que o Estado deixe de contabilizar como parte da Receita Corrente Líquida (RCL) os descontos feitos em folha de pagamento dos servidores.

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