quarta-feira, 29 de abril de 2026
Esquema de Corrupção

Descobertas revelam esquema envolvendo Arthur Lira e empresas ligadas ao PP

A investigação teve início após suspeitas de um superfaturamento com kits de robótica no MEC

Vitória Bronzatipor Vitória Bronzati em 26 de junho de 2023
Os indícios de irregularidades ultrapassam os kits de robótica | Foto: Reprodução/Internet
Os indícios de irregularidades ultrapassam os kits de robótica | Foto: Reprodução/Internet

A Polícia Federal (PF) desmantelou uma rede de corrupção que envolve pessoas e empresas interligadas a ministérios e órgãos públicos. Além de compras suspeitas para escolas públicas e relações duvidosas de um assessor do presidente da Câmara dos Deputados, a investigação revelou a rotina de dois entregadores de dinheiro, expondo contratos milionários com indícios de fraudes com ligações ao PP, partido liderado por Arthur Lira.

A investigação teve início após suspeitas de um superfaturamento com kits de robótica no Ministério da Educação (MEC). No entanto, a apuração acabou se estendendo para outras fornecedoras estatais que prestavam serviços para diversos ministérios, entre eles: Cidade, Infraestrutura e Agricultura.

Dentro do MEC, os indícios de irregularidades ultrapassam os kits de robótica. O Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) fecharam contratos no valor de mais de R$ 13 milhões com a empresa BRA Serviços Administrativos Ltda, que está na lista das empresas investigadas.

Murilo Sérgio Jucá Nogueira Junior, dono da empresa investigada, é policial civil alagoano. De acordo com investigações, foi encontrado pela Polícia Federal cerca R$ 4 milhões em dinheiro vivo em um cofre no local, no dia de deflagração. Murilo também é proprietário de um carro utilizado tanto para a entrega de valores no esquema quanto para a campanha de Lira nas eleições de 2022.

Chama atenção o fato de a Reluzir Serviços Terceirizados Ltda, outra empresa de propriedade de Murilo, ter participado da concorrência junto com a BRA no contrato assinado, em 30 de setembro do ano passado, no valor de R$ 1,2 milhão, com o IFAL. Esse fato indica a existência de um jogo prévio combinado para favorecer as empresas ligadas ao esquema.

Conexão com o PP

A conexão com o partido Progressistas também se estende a Brasília. A empresa BRA conseguiu um contrato de quase R$ 70 milhões, em 2019, dentro da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, sem precisar de licitação.

A vitória, inusitada, gerou controvérsias e resultou no cancelamento do edital após contestações na Justiça. O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, foi responsável por dar continuidade à contratação da empresa, mesmo diante do escândalo e das denúncias das concorrentes locais.

Ramificações

As ramificações se estendem para outras esferas federais. A Reluzir, que participou junto com a BRA durante o pregão do IFAL, recebeu aproximadamente R$ 3 milhões da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para mão de obra em estações de Maceió. Vale ressaltar que apadrinhados de Lira estão a frente da CBTU.

A investigação da PF ainda revelou indícios de uma possível ramificação do esquema na máquina federal. Um ex-diretor do Ministério da Educação, Alexsander Moreira, foi alvo de busca e apreensão devido a transações bancárias atípicas, incluindo depósitos fracionados em dinheiro. Suspeita-se que ele tenha recebido R$ 10 mil de um empresário pernambucano sócio de empresas investigadas por fraudes em vendas de livros escolares.

Envolvimento de Lira

Os recentes desdobramentos do caso resultaram na transferência das investigações para o Supremo Tribunal Federal (STF), já que envolve agentes públicos com foro privilegiado. Isso aconteceu pois, entre os documentos apreendidos durante a Operação Hefesto, alguns fazem menções ao nome “Arthur” em dois endereços relacionados aos alvos da investigação.

A menção levantou suspeitas de pagamentos de despesas relacionadas a Arthur Lira. Entre elas, existem pagamentos feitos a um hotel onde Lira costuma se hospedar, em São Paulo, totalizando cerca de R$ 900 mil.

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