Toninho Duettos fala de mercado e começo em Goiás Velho
Empresário goiano revisita a origem no interior e avalia os desafios de lançar artistas num mercado cada vez mais avesso a músicas novas
O empresário goiano Toninho Duettos foi o convidado do episódio desta semana do podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse e gravado na última segunda-feira (27), em Goiânia. Em pouco mais de uma hora de conversa, o empresário artístico percorreu a própria história no mercado fonográfico, do início improvisado na cidade de Goiás até a criação da Duettos Music, e avaliou as transformações que tornaram o lançamento de novos artistas uma tarefa cada vez mais difícil.
Natural de Goiás, Antônio Pereira dos Santos, o Toninho Duettos, não tinha o show business no horizonte quando era jovem. Trabalhava em uma funerária e foi eleito presidente da turma de formandos. A necessidade de arrecadar dinheiro para a viagem de formatura o levou a organizar a primeira festa da vida. O resultado foi suficiente para despertar o gosto pela produção de eventos. Logo vieram outras festas, entre elas a Tic Tac, em que sorteava 200 reais por hora. Foi nesse período que criou o nome Duettos, ainda na cidade de Goiás.
A mudança para Goiânia, em 2005, aconteceu após o fim do primeiro casamento, sem plano definido. O primeiro emprego na capital foi como locutor na porta de lojas da Rua 24 de Outubro, no centro da cidade. A virada veio quando um amigo o convidou para atuar como produtor de uma banda de pop rock. Ali entendeu que podia vender shows. Cobrava 10% de comissão sobre cachês de 2.500 reais e foi expandindo a carteira para outras bandas, até chegar às prefeituras do interior de Goiás, onde se tornou referência em venda de shows.
Em 2007, foi contratado pela Workshow para cuidar da agenda de João Neto & Frederico. A passagem para o papel de empresário veio logo depois. A escola que define como a mais cara foi o Nashville, banda com a qual aprendeu na prática, perdeu dinheiro e acumulou o conhecimento que faltava. Foi essa experiência que abriu as portas para o convite de empresariar Cristiano Araújo. “Eu falei, já tô pronto”, contou no podcast. O cantor, morto em 2015, é até hoje a referência mais citada quando Toninho fala de dedicação ao público. Além de Cristiano, passaram pelo seu trabalho Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Zé Neto & Cristiano, todos na época da Workshow, da qual se desligou em 2023 para se dedicar integralmente à Duettos Music.
O telefonista mais bem pago do Brasil
O diferencial que Toninho atribui ao próprio sucesso é direto: atender o telefone. “O empresário do artista me atendia e não atendia os outros. Aí esse foi o meu diferencial”, explicou. A lógica, segundo ele, continua válida hoje. “Se o cara acordar e falar, vou ligar pra cinco artistas e o que atender primeiro eu fecho, vai estar o meu. Porque eu vou atender primeiro que todo mundo”. Ele se apresenta, sem modéstia, como “o telefonista mais bem pago do Brasil”.
No episódio, Toninho analisou as mudanças no consumo de música com diagnóstico direto. O fim dos CDs e dos pendrives, somado ao hábito de acelerar áudios no WhatsApp e consumir conteúdo em recortes de 30 segundos no TikTok e no Instagram, transformou o lançamento de músicas novas numa aposta de alto risco. “O cara tem preguiça de ouvir música nova”, disse. “Está todo mundo regravando, porque o cara quer ouvir uma música que já tá no subconsciente dele, com arranjo novo, com uma voz diferente”. Para ele, estourar um artista inédito hoje é quase impossível quando o parâmetro são os nomes que dominam o sertanejo, como Henrique & Juliano, Gusttavo Lima e Jorge & Mateus.
Estourar o artista antes da música
A saída que identifica passa pela construção da marca antes da música. O exemplo que dá é o da cantora Marília Tavares, principal aposta atual do seu casting. “Eu lançava como se estivesse lançando um DVD, mas eu estava lançando a marca Marília Tavares”, contou. “Ela não estourou ainda, mas todo mundo sabe quem é Marília Tavares”. O raciocínio é o mesmo que, segundo ele, explica casos como o do cantor Natanzinho Lima, que ganhou reconhecimento antes de qualquer música de peso. “Hoje você estoura o artista e não mais a música”, resumiu.
Além da aposta no sertanejo feminino, Toninho mencionou uma incursão no mercado eletrônico, segmento no qual estreou recentemente. “Uma hora eu acerto”, disse, com a mesma objetividade que marcou toda a sua atuação no mercado fonográfico.
O episódio completo está disponível no canal do Manda Vê no YouTube:
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