terça-feira, 19 de maio de 2026
PATRIMÔNIO GOIANO

Casa-Museu Bernardo Élis ampliará atuação cultural em Goiânia com saraus, cursos e visitação pública após restauro

Com obras conduzidas pela Elysium Sociedade Cultural e patrocínio da Equatorial Goiás, via Programa Goyazes, espaço vai contar com atividades educativas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de maio de 2026
Bernardo Élis
foto: divulgação

A Casa-Museu Bernardo Élis, em Goiânia, caminha para uma nova fase. Com processo de restauro conduzido pela Elysium Sociedade Cultural em fase final, o espaço deverá ampliar sua atuação cultural e se consolidar como um importante centro de preservação da memória literária goiana, reunindo visitação pública, atividades educativas, exposições, palestras e ações de formação cultural no Jardim América, onde fica o imóvel.

A intervenção representa mais um trabalho da Elysium na área de preservação patrimonial. Com mais de 36 anos de atuação no Brasil, a instituição acumula experiências em projetos culturais, restauros e iniciativas voltadas à valorização da memória e do patrimônio histórico. Na Casa-Museu Bernardo Élis, a atuação envolveu desde o diagnóstico técnico da edificação até a execução das obras emergenciais necessárias para garantir a conservação do imóvel e de seu acervo.

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O restauro foi viabilizado por meio do Programa Goyazes, mecanismo de incentivo fiscal do Governo de Goiás, com patrocínio da Equatorial Goiás, responsável pelo financiamento da primeira etapa das obras. A intervenção contemplou a recuperação da cobertura, revisão das instalações elétricas e melhorias no sistema de climatização.

Segundo o presidente do Instituto Cultural Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado (Icebe), Nilson Jaime, a recuperação da casa representa um passo decisivo para garantir a preservação do legado do escritor e aproximar o público de sua trajetória. “A Casa-Museu permitirá que as pessoas conheçam a obra e também a vida de Bernardo Élis. É um espaço de memória, pesquisa e convivência cultural”, afirma.

Nilson destaca que a residência onde o escritor viveu parte importante da vida, abriga biblioteca, pinacoteca e objetos pessoais que ajudam a contar a história de um dos principais nomes da literatura brasileira. “Bernardo Élis foi o primeiro goiano a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e construiu uma obra profundamente ligada ao Cerrado, à cultura popular e às transformações sociais do interior do país, tudo aqui tem história”.

Com a conclusão das próximas etapas do projeto, todos os ambientes da casa deverão ser abertos ao público. O visitante poderá percorrer espaços com objetos pessoais do escritor e de sua esposa, a escritora e artista plástica Maria Carmelita Fleury Curado, além de ter acesso a centenas de livros autografados por autores como Jorge Amado, Guimarães Rosa, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro.

A proposta do espaço também inclui uma programação cultural permanente. O local contará com uma sala destinada a cursos, palestras, saraus, debates e encontros culturais, além de uma biblioteca com cerca de seis mil exemplares entre livros e periódicos. “Queremos que a casa seja um espaço vivo, de circulação de pessoas, conhecimento e cultura. A atração principal é o fardão da ABL, indumentária utilizada por Bernardo Élis na Academia Goiana de Letras. No pavimento térreo haverá uma sala de aula com 40 lugares, para cursos rápidos e palestras”, destaca Nilson Jaime.

As visitas públicas regulares devem ocorrer após a conclusão da segunda etapa das obras, que prevê museografia dos ambientes, reforma das áreas externas, implantação de acessibilidade e criação de espaços de convivência cultural. Até lá, a visitação ocorrerá mediante agendamento.

Além da preservação física do imóvel, o trabalho desenvolvido pelo Icebe inclui ações contínuas de difusão da obra de Bernardo Élis. Em 2025, o instituto realizou dezenas de palestras em escolas, universidades e academias de letras, alcançando milhares de estudantes e leitores em Goiás. A instituição também articula novas parcerias culturais e acadêmicas. Uma delas, em fase de formalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), prevê a organização e catalogação da biblioteca José Lino Curado, pertencente ao Icebe.

Para Nilson Jaime, a expectativa é que a Casa-Museu Bernardo Élis passe a integrar gradualmente o circuito cultural e turístico do estado, seguindo o exemplo de residências históricas de escritores transformadas em espaços de visitação em diferentes partes do Brasil e do mundo. “No mundo inteiro, casas de escritores se tornam locais de encontro entre memória e cultura. Pela importância de Bernardo Élis para Goiás, acreditamos que esse espaço também ocupará esse lugar afetivo e cultural para a população”, afirma.

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