Todo homem vai ter queda de testosterona? Urologista responde e desfaz mitos da “andropausa”
Especialista explica que a condição não é inevitável e que reposição hormonal sem indicação médica pode trazer riscos e mascarar outros problemas de saúde
Cansaço persistente, queda da libido, irritabilidade, perda de massa muscular e redução da disposição. Com o passar dos anos, muitos homens começam a perceber mudanças no corpo e no comportamento e logo associam os sintomas à chamada “andropausa”. Mas, afinal, todo homem passa por isso? E a reposição de testosterona é sempre necessária?
A resposta para as duas perguntas é não. A Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), nome técnico da redução da testosterona associada à idade, pode atingir parte dos homens, principalmente após os 40 anos. A condição, porém, não é inevitável nem deve ser diagnosticada apenas pela presença de cansaço ou diminuição do desejo sexual.
“Diferente da menopausa feminina, essa queda não acontece de forma abrupta e nem todos os homens irão apresentá-la. O tema ainda gera muitas dúvidas porque existe muita informação incompleta nas redes sociais, além de mitos que levam alguns homens a acreditarem que qualquer cansaço ou diminuição da libido significa falta de testosterona”, explica o urologista Hudson de Sousa Ribeiro.
O diagnóstico exige sintomas, avaliação clínica e exames laboratoriais. Cansaço persistente, disfunção erétil, irritabilidade, dificuldade de concentração, aumento da gordura corporal e perda de força podem aparecer na deficiência hormonal, mas também em alterações da tireoide, depressão, diabetes e distúrbios do sono.
A distinção é decisiva diante da popularização da testosterona nas redes sociais, onde o hormônio aparece ligado a promessas de rejuvenescimento, ganho de massa muscular e melhora do desempenho físico. A indicação não deve partir apenas de um resultado laboratorial isolado nem de objetivos estéticos.
“A reposição hormonal é indicada apenas para homens que apresentam sintomas compatíveis associados à comprovação laboratorial de deficiência de testosterona. O tratamento deve ser individualizado, baseado em critérios médicos bem estabelecidos e sempre após uma investigação cuidadosa da causa da queda hormonal. Fazer reposição sem indicação pode trazer riscos e mascarar outros problemas de saúde”, explica o médico.
Antes do tratamento, devem ser avaliados sistema cardiovascular, próstata, fertilidade e possíveis alterações metabólicas. O acompanhamento periódico verifica segurança e resposta clínica. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que o uso indiscriminado de testosterona e outros hormônios podem elevar o risco de infertilidade, trombose e problemas cardiovasculares.
A baixa procura masculina por atendimento preventivo amplia o problema. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2015 e 2022, homens de 20 a 59 anos responderam por apenas 26,1% dos atendimentos individuais na Atenção Primária do SUS.
Para Hudson Ribeiro, esperar que os sintomas comprometam a rotina pode atrasar diagnósticos. Atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado, controle do peso e consultas periódicas ajudam a preservar a saúde, mas não substituem a investigação médica diante de sinais persistentes.
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