segunda-feira, 13 de julho de 2026
Novidade

Programa Voa Brasil vai emitir passagens a R$ 200 o trecho

A proposta é de que os bilhetes sejam vendidos aos servidores, aposentados, pensionistas do INSS e estudantes

Alexandre Paespor Alexandre Paes em 15 de julho de 2023 às 11:49
Movimentação de aviões comerciais no aeroporto de Brasília.
Movimentação de aviões comerciais no aeroporto de Brasília.

Ainda neste ano, as passagens aéreas no Brasil poderão ser compradas pelo valor fixo de R$ 200 a cada trecho voado. A novidade foi anunciada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, que falou sobre a redução de preços de passagens aéreas no país. O objetivo é democratizar o acesso a passagens de avião, e o programa pode ser concretizado a partir do segundo semestre.

Em entrevista à CNN Brasil, ele deu mais detalhes sobre como funcionará o Voa Brasil. Pelo programa, serão beneficiados servidores públicos nos três níveis de governo (municipal, estadual e federal) com salários de até R$ 6,8 mil, aposentados e pensionistas da Previdência Social e estudantes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do Ministério da Educação. “Não era justo fazer essa passagem para os executivos que têm condição de pagar preços maiores”, pontua o ministro.

França afirmou que é uma espécie de “consignado”, mas negou que haja subsídio do governo, apenas o financiamento pelos bancos públicos, citando a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil (BBAS3). A previsão é de que quase 12 milhões de passagens sejam emitidas por ano dentro do programa Voa Brasil.

Entre as pessoas que são público-alvo do Voa Brasil estão servidores, aposentados e pensionistas, além de estudantes com Fies. Essas pessoas poderão comprar duas passagens por ano ao preço de R$ 200 cada, com a opção de parcelamento em 12 vezes. Já quem está fora dessas categorias, mas que possuam renda mensal de até 6,8 mil, apenas poderão comprar a passagem à vista, sem a opção de parcelamento.

O ministro ainda pontuou que as passagens a R$ 200 do Voa Brasil ficarão restritas a um período específico do ano, em meses “intermediários” das temporadas nos aeroportos: a partir da segunda metade de fevereiro até junho, e depois nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) diz que está acompanhando a proposta do governo e tem se colocado à disposição para contribuir no debate. “Desde o início do ano, a Abear e suas associadas mantêm diálogo constante com o Ministério de Portos e Aeroportos sobre o cenário do setor aéreo e as possíveis soluções para o crescimento do número de passageiros e destinos atendidos”.

Voa Brasil no 2º semestre

Se a formatação do programa ocorrer bem, o ministro acredita que poderá iniciar o Voa Brasil no segundo semestre, utilizando 5% da capacidade ociosa das aeronaves. A porcentagem vai escalonando a cada semestre, até chegar a 20% no quarto semestre de funcionamento da política.

“Descobrimos que, durante os meses intermediários, os aviões decolam com 21% de passageiros a menos. Governo não entra com subsídio, ele ajuda a financiar, mas é tarefa da Caixa financiar. Diferença é que essas pessoas têm renda garantida, vai ser espécie de consignado, quando der ‘ok’ vai ser descontado da previdência, do salário, não tem intermediação de banco, é 100% sem inadimplência”, disse França.

Na avaliação do ministro, o programa Voa Brasil vai provocar uma redução de preço geral nas passagens, uma vez que reduz a ociosidade enfrentada pelas companhias áreas. Ele afirmou inclusive que as ações das empresas teriam subido pelo entendimento de que a partir do programa elas “vão voar lotadas”.

“Temos uma luta paralela, que é o preço do combustível de aviação (QAV), a gente quer que seja reduzida. Mas as companhias estão fazendo seu papel, oferecendo ao governo um voo mais barato para muitas pessoas”, disse.

O ministro ainda destacou o pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para que mais 100 aeroportos brasileiros passem a receber voos de carreira. Sem dar detalhes, França afirmou que quer mais empresas disputando o mercado e que uma “nova está chegando agora”, sem dizer qual. Enquanto isso, o foco da pasta será na consolidação do programa Voa Brasil. 

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