sexta-feira, 15 de maio de 2026
PL das Fake News

Embate entre Moraes e Musk reacende debate sobre PL das Fake News

Deputados da bancada goiana ouvidos pelo HOJE relatam a existência de um clima de “animosidade” sobre votação da matéria

Gabriel Neves Matospor Gabriel Neves Matos em 10 de abril de 2024
Moraes incluiu Musk na lista de investigados no inquérito das milícias digitais, do qual é relator | Foto: Reprodução/Agência Brasil
Moraes incluiu Musk na lista de investigados no inquérito das milícias digitais, do qual é relator | Foto: Reprodução/Agência Brasil

A discussão sobre o Projeto de Lei (PL) das Fake News voltou ao centro do debate entre parlamentares na Câmara dos Deputados após o embate entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter), provocar celeuma nas redes sociais e entre autoridades dos três Poderes.

Deputados da bancada goiana ouvidos pelo HOJE relatam a existência de um clima de “animosidade” sobre o texto que visa regulamentar as plataformas digitais. Embora o noticiário esteja pautado neste momento pelo atrito entre Moraes e Musk, há uma ala de parlamentares goianos que consideram “difícil” que o PL seja pautado para votação. Outra, mais alinhada ao governo do presidente Lula (PT), vê o tema como “urgente”.

Pelas redes sociais, parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saíram em defesa do dono do X. A deputada federal goiana Magda Mofatto (PRD) parabenizou Musk e disse que a posição do bilionário “defende a democracia brasileira”. Ela também afirmou em vídeo que se sente “acuada” e com “medo” juntamente com o povo brasileiro, e que, ao apoiá-lo, teme ser presa. 

“Mas ainda assim não mudo minha posição. (…) O Brasil precisa de pessoas firmes e fortes como você”, continuou. E conclamou: “Juntos com Elon Musk pela democracia e pela liberdade de imprensa.”  

Também pelo X, o deputado federal Gustavo Gayer (PL) louvou Musk em uma série de publicações em que saiu em defesa do bilionário. Em uma resposta ao deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), Gayer sugeriu que não é favorável a votação do PL que regulamenta as redes sociais, travado na Câmara.

O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou segunda-feira (8) que a aprovação do PL é fundamental para regulamentar as plataformas digitais. “Não é censura, não é limitação à liberdade de expressão. São regras para o uso dessas plataformas digitais para que não haja captura de mentes de forma indiscriminada, que possa manipular informações, disseminar ódio, violência, ataque às instituições”, disse Pacheco. 

O texto foi aprovado no Senado mas sua tramitação está travada na Câmara dos Deputados desde o primeiro semestre do ano passado. O PL pretende responsabilizar as big techs acerca dos conteúdos criminosos publicados nas plataformas. A matéria voltou a ser citada pelos políticos em Brasília nesta semana em reuniões das comissões no Congresso e também pelas redes sociais, polarizando o debate sobre os rumos do projeto de lei. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) ainda não se manifestou sobre o assunto. 

Ainda no fim de semana, Elon Musk fez uma série de provocações contra o ministro Alexandre de Moraes pelo X, questionou o que chama de “censura” imposta pelo magistrado e depois voltou a criticá-lo chamando-o de ditador. “Como Alexandre de Moraes se tornou o ditador do Brasil? Ele tem Lula na ‘coleira’”, escreveu o bilionário, insinuando um suposto conluio entre o ministro do Supremo e o presidente da República.

Moraes incluiu Musk na lista de investigados no inquérito das milícias digitais, do qual é relator. A decisão do ministro também fixou multa diária de R$ 100 mil por perfil caso a big tech desobedeça decisões do tribunal. O magistrado tomou essa decisão após o dono do X indicar que não cumpriria determinações judiciais. 

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou que “decisões judiciais podem ser objeto de recursos, mas jamais de descumprimento deliberado”. “Essa é uma regra mundial do Estado de Direito e que faremos prevalecer no Brasil”, disse o ministro em nota oficial.

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